sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

POESIA saindo do forno CERO


Quero me desvencilhar de seus anseios
oh, rinoceronte,
desta vez escolho
nos vãos das palavras
empreender minha viagem.

Navego entre uma palavra e outra
carregando os mortos às costas
até encontrar uma tumba
arejada e perfumada.

Vou recostar esta cruz
na relva tardia no muro branco
da cidade,
onde os planos dos bandidos
foram procriados.

Assim me desopilo
me desconheço
me desmudeço
me enrubeço.

Me palavreio
e nem o amor alcança.


Lúcia Bins Ely

2 comentários:

Fernanda disse...

[Vou recostar esta cruz
na relva tardia no muro branco
da cidade,
onde os planos dos bandidos
foram procriados.]... quanta coisa esta' nestas poucas palavras... quantas mais palavras poderiamos escrever para as explicar ou desenvolver! poesia e' isto, e' dizer muito em tao pouco. boa semana.

Grupo Cero VersoB disse...

Agradecida, Fernanda,

pelo carinho para com a poesia

Gracias pela leitura...

um forte abraço,