sábado, 31 de outubro de 2009

CONVITE:




OBS.: A primeira atividade é uma parceria com o Instituto Goethe de Porto Alegre.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

POESIA CERO


Entreabertas loucuras e solidões
aterrisam neste breu
mescla-se violência e candura
nas crianças que ninguém vê que
vêm e morrem sorrindo.

Os peixes absorvem rápido o estremecimento
as mulheres dão folhas
e um ramo abrupto de relâmpagos
colhe com sutileza todo o
derramado...

E por baixo da terra vive
um fomento de luz
que morde
E colhe o supremo e o supérfluo
e as palavras que escorreram
do relâmpago, da mulher e
da morte das crianças...



Lúcia Bins Ely (Integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

domingo, 25 de outubro de 2009

POESIA CERO: poema de RELICÁRIO - primeiro poemário de Eliane Marques


CORTEJO



mães
da sepultura
sem dono


taconeiam
epitáfio
de salto


cadáveres
indecisos
marcham


com
olhos
arrancados



à frente


copos-de-leite
urinam
morte
em meus braços

ELIANE MARQUES (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
In: RELICÁRIO
Primeiro poemário da autora a ser lançado nesta 55ª Feira do Livro de PoA
em 10 de novembro às 20h30; com Mesa Redonda: Por que psicanálise e poesia?
às 19h na Sala Oeste do Santander Cultural)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES POETAS


EL INCENDIO DE UN SUEÑO

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
ha sido destruida por las llamas.
aquella biblioteca del centro.
con ella se fue
gran parte de mi
juventud.

estaba sentado en uno de aquellos bancos
de piedra cuando mi amigo
Baldy me
preguntó:
"¿vas a alistarte en
la brigada
Abraham Lincoln?"

"claro", contesté
yo.

pero, al darme cuenta de que yo no era
un idealista político
ni un intelectual
renegué de aquella
decisión
más tarde.

yo era un lector
entonces
que iba de una sala a
otra: literatura, filosofía,
religión, incluso medicina
y geología.

muy pronto
decidí ser escritor,
pensaba que sería la salida
más fácil
y los grandes novelistas no me parecían
demasiado dificiles.
tenía mas problemas con
Hegel y con Kant.

lo que me fastidiaba
de todos ellos
es que
les llevara tanto
lograr decir algo
lúcido y/
o
interesante.
yo creía
que en eso
los sobrepasaba a todos
entonces.

descubrí dos
cosas:
a) que la mayoría de los editores creía que
todo lo que era aburrido
era profundo.
b) que yo pasaría décadas enteras
viviendo y escribiendo
antes de poder
plasmar
una frase que
se aproximara un poco
a lo que quería
decir.

entretanto
mientras otros iban a la caza de
damas,
yo iba a la caza de viejos
libros,
era un bibliófilo, aunque
desencantado,
y eso
y el mundo
configuraron mi carácter.

vivía en una cabaña de contrachapado
detrás de una pensión de 3 dólares y medio
a la semana
sintiéndome un
Chatterton
metido dentro de una especie de
Thomas
Wolfe.

mi principal problema eran
los sellos, los sobres, el papel
y
el vino,
mientras el mundo estaba al borde
de la Segunda Guerra Mundial.
todavía no me había
atrapado
lo femenino, era virgen
y escribía entre 3 y
5 relatos por semana
y todos
me los devolvían, rechazados por
el New Yorker, el Harper´s,
el Atlantic Monthly.
había leido que
Ford Madox Ford solía empapelar
el cuarto de baño
con las notas que recibía rechazando sus obras
pero yo no tenía
cuarto de baño, así que las amontonaba
en un cajón
y cuando estaba tan lleno
que apenas podía
abrirlo
sacaba todas las notas de rechazo
y las tiraba
junto con los
relatos.

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
seguía siendo
mi hogar
y el hogar de muchos otros
vagabundos.
discretamente utilizábamos los
aseos
y a los únicos que
echaban de allí
era a los que
se quedaban dormidos en las
mesas
de la biblioteca; nadie ronca como un
vagabundo
a menos que sea alguien con quien estás
casado.

bueno, yo no era realmente un
vagabundo. yo tenía tarjeta de la biblioteca
y sacaba y devolvía
libros,
montones de libros,
siempre hasta el
límite
de lo permitido:
Aldous Huxley, D.H. Lawrence,
e.e. cummings, Conrad Aiken, Fiódor
Dos, Dos Passos, Turguénev, Gorki,
H.D. Freddie Nietzche,
Shopenhauer,
Steinbeck,
Hemingway,
etc.

siempre esperaba que la bibliotecaria
me dijera: "que buen gusto tiene usted,
joven."
pero la vieja
puta
ni siquiera sabía
quién era ella,
cómo iba a saber
quién era yo.

pero aquellos estantes contenían
un enorme tesoro: me permitieron
descubrir
a los poetas chinos antiguos
como Tu Fu y Li
Po
que son capaces de decir en un
verso más que la mayoria en
treinta o
incluso en ciento.
Sherwood Anderson debe de haberlos
leído
también.

también solía sacar y devolver
los Cantos
y Ezra me ayudó
a fortalecer los brazos si no
el cerebro.

maravilloso lugar
la Biblioteca Pública de Los Angeles
fue un hogar para alguien que había tenido
un
hogar
infernal
ARROYOS DEMASIADO ANCHOS PARA SALTARLOS
LEJOS DEL MUNDANAL RUIDO
CONTRAPUNTO
EL CORAZÓN ES UN CAZADOR SOLITARIO

James Thurber
John Fante
Rabelais
De Maupassant

algunos no me
decían nada: Shakespeare, G.B. Shaw,
Tolstói, Robert Frost, F. Scott
Fitzgerald

Upton Sinclair me llegaba
más
que Sinclair Lewis
y consideraba a Gogol y a
Dreiser tontos
de remate

pero tales juicios provenían mas
del modo en que un hombre
se ve obligado a vivir que de
su razón.

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
muy probablemente evitó
que me convirtiera en un
suicida,
un ladrón
de bancos,
un tipo
que pega a su mujer,
un carnicero o
un motorista de la policía
y, aunque reconozco que
puede que alguno sea estupendo,
gracias
a mi buena suerte
y al camino que tenía que recorrer,
aquella biblioteca estaba
allí cuando yo era
joven y buscaba
algo
a lo que aferrarme
y no parecía que hubiera
mucho.

y cuando abrí el
periodico
y leí la noticia sobre el incendio
que había destruido la
biblioteca y la mayor parte de
lo que en ella había

le dije a mi
mujer: "yo solía pasar
horas y horas
allí …"

(CHARLES BUKOWSKI: A BIBLIOTECA INCENDIADA)

domingo, 18 de outubro de 2009

POESIA saindo do forno CERO


No mar da linguagem
a paragem se faz
noite...

no mar da viagem
pousar em teu blog
foi ponte...

atravessar a nado
os horizontes do vazio
e atracar em verso alheio

e seguir no meio...


poesia, o meio que nos faz
verbo
entre nós outros
ligações
verbais
nominais

os versos enredam
na poesia eu e tu

não saberão mais
quem somos
depois do que escrevemos...

a escrever
transformou-se
meu eu
em outro...

Lúcia Bins Ely (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES


NASCIMENTO DE VÊNUS


Esta manhã, depois que a noite inquieta
esmoreceu entre urros, sustos, surtos -
o mar ainda uma vez se abriu e uivou.
E quando o grito aos poucos foi cessando
e do alto o dia pálido emergente
caiu no vórtice dos peixes mudos -
o mar pariu.


Ao sol reluzem os pelos de espuma
do amplo ventre da onda, em cuja borda
surge a mulher, alva, trêmula e úmida.
E como a folha nova que estremece,
se estira e rompe aos poucos a clausura,
ela vai desvelando o corpo à brisa
e ao vento intacto da manhã.


Como luas erguem-se os joelhos claros,
résteas de nuvem soltam-se das coxas,
das pernas caem pequeninas sombras,
os pés se movem bêbados de luz,
vibram as juntas como gorgolhantes
gargantas.


Na taça da bacia jaz o corpo,
como um fruto na mão de uma criança,
o estreito cálice do umbigo encerra
tudo o que é escuro nessa clara vida.
Em baixo alteiam-se as pequenas ondas
que escorrem, incessantes, pelas ancas,
onde, de quando em quando, a espuma chove.
Porém, exposto, sem sombras, emerge,
como um maço de bétulas de abril,
quente, vazio e descoberto, o sexo.


A balança dos ombros paira, ágil,
em equilíbrio sobre o corpo ereto
que irrompe da bacia como fonte
vacilante entre os longos braços fluindo
veloz pela cascata dos cabelos.


Então bem lentamente vem o rosto:
da sombra estreita da reclinação
para a clara altitude horizontal.
Após o qual fecha-se, abrupto, o queixo.

Eis que o pescoço surge como um fluxo
de luz, ou talo, de onde a seiva sobe,
e se estiram os braços como o colo
de um cisne quando busca a ribanceira.


Então, da obscura aurora desse corpo,
ar da manhã, vem o primeiro alento.
No fio mais tênue da árvore das veias
há como que um bulício e o sangue flui
a sussurrar nas fundas galerias,
e essa brisa se expande: agora cresce
com todo o hausto sobre os peitos novos
que se intumescem de ar e a impulsionam,
e como velas côncavas de vento
levam a jovem para a praia.


Assim aportou a deusa.

Atrás dela, pisando a terra nova,
lépida, ergueram-se toda a manhã
flores e caules, quentes, perturbados,
como num beijo. E ela foi e correu.

Porém, ao meio dia, na hora mais intensa,
o mar se abriu de novo e arremeçou
no mesmo ponto o corpo de um delfim.
Morto, roxo e oco.



(RAINER MARIA RILKE IN: As Coisas e os Anjos
tradução de Augusto de Campos)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PSICANÁLISE E POESIA NA RÁDIO PAMPA


Hoje, a partir da meia-noite na rádio Pampa AM (970kHz), conversaremos sobre psicanálise e poesia. Psicanálise: assuntos cotidianos com possibilidade de leituras diferentes.
Como problemáticas da infância e
3ª idade, construindo um futuro.


E a poesia dos grandes poetas nos brindará com novas e diversas versões sobre o humano, sobre o que é valor, o que é a vida.

Com as psicanalistas do Grupo Cero Lúcia Bins Ely e Anelore Schumann.



"A escritura é o menos nosso que temos, é ela inteira, toda para o futuro."
Miguel Oscar Menassa
Aproveite essa onda sonora e participe ligando e fazendo suas perguntas ao vivo!
Ou acesse através do http://www.radiopampa.com.br/!

domingo, 11 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES


Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria
São outra cousa que a noite e o vento -
Sombras de vida e de pensamento.

Tudo que vemos é outra cousa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.

Tudo que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar do vento
São sombras de mãos cujos gestos são
A ilusão mãe desta ilusão.

(Fernando Pessoa. In: Fausto. Tragédia
Subjectiva)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CADÁVER ESQUISITO

Vida, vegeto, veloz, vênus.                                   

Entre a poesia, a voz é pura emoção

caricatura do nada, a palavra arde!


O inesperado me espera, me espia,

            me espreita

na tinta que escreve este poema

cavalgando o espaço

                     símbolo e amor

                                  se flecham.


(Cadáver Esquisito produzido na Oficina de Poesia
Grupo Cero no Porto Poesia III, na Casa de Cultura
Mário Quintana)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PORQUE A VIDA É SÓ UM CANTO


Adeus a nossa querida cantante latinoamericana...
Em sua homenagem,
o Versob transcreve poema que ela costumava cantar:

Gracias A La Vida


Violeta Parra

Composição: Violeta Parra

Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me dio dos luceros que, cuando los abro,

Perfecto distingo lo negro del blanco,

Y en el alto cielo su fondo estrellado

Y en las multitudes el hombre que yo amo.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado el oído que, en todo su ancho,

Graba noche y día grillos y canarios;

Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,

Y la voz tan tierna de mi bien amado.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado el sonido y el abecedario,

Con él las palabras que pienso y declaro:

Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando

La ruta del alma del que estoy amando.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado la marcha de mis pies cansados;

Con ellos anduve ciudades y charcos,

Playas y desiertos, montañas y llanos,

Y la casa tuya, tu calle y tu patio.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me dio el corazón que agita su marco

Cuando miro el fruto del cerebro humano;

Cuando miro el bueno tan lejos del malo,

Cuando miro el fondo de tus ojos claros.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.

Así yo distingo dicha de quebranto,

Los dos materiales que forman mi canto,

Y el canto de ustedes que es el mismo canto

Y el canto de todos, que es mi propio canto.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

(Mercedes Sosa, agora imortal,
"Fue la voz de los que no tenían voz en la época
de la dictadura (1976-1983) y llevó la angustia por los derechos humanos en Argentina a todo el mondo," disse o músico Víctor Heredia.)

sábado, 3 de outubro de 2009

POESIA saindo do forno CERO

(grupo de poesia - 26/09/09)

DANÇA DA PALAVRA

Despir-me de tuas palavras e dos mandatos de silencio
onde uma palavra tornava-se um perigo
Mortal.

Despir-me do destino traçado há milhões de anos
mulheres submetidas ao silencio
Forçado.

Despir-me do que
Aprendi.

Uma pequena palavra nasce nessa manhã
ensaia seus primeiros passos
Tímidos.

Anelore Schumann