quinta-feira, 31 de março de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
EM SEU LUGAR
Raio de sol entre dois límpidos diamantes
E a lua a se fundir nos trigais obstinados
Uma imóvel mulher tomou lugar na terra
No calor ela se ilumina lentamente
Profundamente como um broto e como um fruto
Nele a noite floresce e o dia amadurece
PAUL ELUARD (França - 1895- 1952)
(tradução: Manuel Bandeira)
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quarta-feira, 30 de março de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
Te amo
Te amo por todas las mujeres que no he conocido.
Te amo por todos los tiempos que no he vivido.
Por el olor del mar inmenso y el olor del pan caliente.
Por la nieve que se funde por las primeras flores.
Por los animales puros que el hombre no persigue.
Te amo por amar.
Te amo por todas las mujeres que no amo.
Quién me refleja sino tú misma me veo tan poco
sin ti no veo más que una planicie desierta.
Entre antes y ahora
están todas estas muertes que he sorteado sobre paja.
No he podido atravesar el muro de mi espejo.
Tuve que aprender la vida como se olvida
palabra por palabra
Te amo por tu sabiduría que no me pertenece.
Te amo contra todo lo que no es más que ilusión.
Por el corazón inmortal que no poseo
crees ser la duda y no eres sino razón.
Eres el sol que me sube a la cabeza
cuando estoy seguro de mí.
PAUL ELUARD
Versión de Luis A. Cano
Te amo por todas las mujeres que no he conocido.
Te amo por todos los tiempos que no he vivido.
Por el olor del mar inmenso y el olor del pan caliente.
Por la nieve que se funde por las primeras flores.
Por los animales puros que el hombre no persigue.
Te amo por amar.
Te amo por todas las mujeres que no amo.
Quién me refleja sino tú misma me veo tan poco
sin ti no veo más que una planicie desierta.
Entre antes y ahora
están todas estas muertes que he sorteado sobre paja.
No he podido atravesar el muro de mi espejo.
Tuve que aprender la vida como se olvida
palabra por palabra
Te amo por tu sabiduría que no me pertenece.
Te amo contra todo lo que no es más que ilusión.
Por el corazón inmortal que no poseo
crees ser la duda y no eres sino razón.
Eres el sol que me sube a la cabeza
cuando estoy seguro de mí.
PAUL ELUARD
Versión de Luis A. Cano
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terça-feira, 29 de março de 2011
POESIA MUSICAL BRASILEIRA
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
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domingo, 13 de março de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
CADÁVER ESQUISITO
I
No dia que não existe, poetas dispensam bananas
Estoy abierta, sorda, cuidado con mis oidos
Um baú de palavras para pescar
Estou entre amantes da poesia e não sei
Caiu um poema na pia da cozinha
A paixão por escrever me faz dizer: pertenezco
As flores não estavam murchas ao entardecer
II
Mantém aberta a roda viva
Embarcações carregam amores para outros mares
os pássaros e as palavras estão voando por aqui
Estoy con una crise de identidad, no sei se
sou palabra o palavra.
Caiu em um buraco entre Argentina e Brasil,
las palabras son más lindas con otros
es el fin, todas las palabras
estan desnudas.
Cadáver Esquisito produzido no encontro de trabalho da escritura do Grupo de Poeisa do Grupo Cero Brasil, coordenado por Marcela Villavella (29/jan/2011).
Obs.: Cadáver Esquisito é um exercicio que os Surrealistas praticavam (e o Grupo Cero também pratica já que temos os Surrealistas como antecedentes) em que cada integrante do grupo escreve uma frase, ou verso, sem ler o que o outro escreveu, (passando a folha para que cada um escreva algo aí, dobrada sempre para que não se leia o já escrito) e, ao final se desdobra as dobras e se lê o escrito grupal.
Se chama assim por ter sido Cadáver Esquisito o 1º verso do 1º poema produzido desta maneira.
Quadro de Miguel Oscar Menassa (Versos del Oriente)
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Grupo de Poesia Cero
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
A violeta é introvertida
e sua introspecção é profunda.
Dizem que se esconde por modestia. Não é assim.
Se esconde para poder captar o proprio segredo.
-
-
Seu quase não-perfume
é gloria sufocada
mas exige da gente que a busque.
Não grita nunca seu perfume.
A violeta diz levezas que não se podem dizer.
Clarice Lispector (1920 -Ucrania/ 1977- Rio de Janeiro)
e sua introspecção é profunda.
Dizem que se esconde por modestia. Não é assim.
Se esconde para poder captar o proprio segredo.
-
-
Seu quase não-perfume
é gloria sufocada
mas exige da gente que a busque.
Não grita nunca seu perfume.
A violeta diz levezas que não se podem dizer.
Clarice Lispector (1920 -Ucrania/ 1977- Rio de Janeiro)
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
FESTIVAL MUNDIAL POESIA SEM FIM
![]() |
| Lúcia Bins Ely e Barbara Corsetti |
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| Barreto |
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| Maria Cristina Macedo + reciclador de lixo curtindo a poesia |
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| Caoan Goulart e Leandro Oliveira |
![]() |
| Anelore Schumann |
Aconteceu em Porto Alegre um encontro de poetas
para a leitura de poemas ao ar livre,
inscrito no FESTIVAL MUNDIAL POESÍA SIN FIN,
com o nome
FESTIVAL POESIA SEM FIM
- de Cuba para o mundo -
O INFINITO NÃO É
IGUALMENTE INFINITO
EM TODAS AS PARTES
A poesia esteve presente no Parque Farroupilha e os passantes se aprochegavam para curtir a poesia universal.
Muitos poetas portoalegrenses se fizeram presentes e leram poemas seus e de grandes poetas.
Agradecemos à poeta Marcela Villavella que também esteve presente (embora estivesse em Buenos Aires)
nesta Festa da Poesia.
Foi tudo muito belo.
A realização foi do GRUPO CERO - psicanálise e poesia - com o apoio do Instituto Machado de Assis.
Música de Caoan Goulart - no clarinete - e Leandro Oliveira - ao violão.
Fotografias: Leonora Waihrich.
Agradecemos a todos,
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
FESTIVAL POESIA SEM FIM em Porto Alegre
“A FIGUEIRA ERA O LUGAR DA SOMBRA.
FAZÍAMOS A VIDA, DIZENDO-NOS QUE ÉRAMOS FELIZES
METADE DO TEMPO SENTADOS À SOMBRA DA FIGUEIRA.”
(de Miguel Oscar Menassa)
Num sábado de sol, em torno a uma enorme e centenária figueira, no dia 18 de dezembro de 2010, como parte do FESTIVAL POESIA SEM FIM, o GRUPO CERO BRASIL e o INSTITUTO RECRIAR-CASA AMARELA, que desenvolvem o projeto POETAS DO FUTURO, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (Brasil), fizeram uma roda de poesia em homenagem ao poeta MIGUEL OSCAR MENASSA.
O “Poetas do Futuro” reúne crianças e adolescentes em torno da leitura e da escritura de poesia. Todos os seus integrantes vivem num lugar chamado Casa Amarela, que os abriga e lhes oferece melhores condições de vida, “para que en el mundo un niño se haga hombre”.
A roda começou como naquele poema do Lorca: às cinco horas da tarde.
O primeiro poema lido foi do livro YO PECADOR, do POETA homenageado.
EU PECADOR III
Amava as andorinhas.
porque aprendi delas a voltar no verão.
No verão amava nas areias
a marca de teus pés.
Odiar
odiava somente o odor dos mortos.
Uma tarde mataram meu primo pelas costas
“Mão de ferro” o chamavam
Miguel, Miguel, meu bem amado e doce camarada.
Montavas a cavalo como o “Vaqueiro Solitário”
único e elegante
nas terríveis guerras do verão
me falavas de teu corpo
de teu corpo desnudo entre os cães
os cães lhe ladram à roupa, me dizias.
Desnudo um é mais um cão.
Deixar a casa do avô.
Esquecer do pátio e da figueira
não recordar jamais o gosto da menta
foi um golpe baixo da vida.
E vieram depois silenciosas mulheres
a violentar em minha lembrança o seu nome.
Veio depois tua morte traiçoeira.
Me contaram de tua cara extraviada de surpresa
porque esperar
- menos a morte –
havíamos esperado juntos qualquer coisa.
Logo entraram na roda alguns textos dos “Poetas do Futuro” (crianças e adolescentes entre 12 e 20 anos):
SEGREDO MORTO
Qual será nosso maior segredo?
Será aquele de que tenho medo?
Ou aquele do qual me arrependo?
Ele é um segredo íntimo,
Que não divido nem com meus primos.
Talvez esse segredo seja um mito
Do qual eu quero falar aos gritos
Escondo-o em meu corpo
Tento não manifestar no meu rosto
Mas ele ficará comigo até o meu último sopro
E assim será um segredo morto.
de Rafael Passos
SOMBRAS NA RUA
Uma figueira no meio da rua
abaixo de uma lua,
uma rua e uma lua
e a figueira entre elas.
Na rua iluminada
os olhos de uma pessoa
refletem a lua
e os seus pés pisam a rua.
E a figueira?
Continua ali, iluminada pela lua
a fazer sombra na pessoa
que pisa a rua.
de Vinicius Guterres
CÃO FEROZ
Em uma casa diferente,
ao olhar para a frente, a Donna da casa sai
de sua residência, e nota que há uma coisa errada
com seu mascote de estimação,
seu cão feroz e assustador acaba de matar um bebê:
o de sua vizinha favorita, a madame Madricur.
de Thiago da Silva
A MÃO FECHADA DO OVO
A mão que faz a terra
quebra o ovo
o ovo é roubado
o cara que o rouba
frita um ovo
E COME!
“comida é água”.
de César Augusto Martins
BICICLETA ABANDONADA
Um dia eu vi uma bicicleta, sozinha, quase abandonada.
Mas ela estava para mim. Eu a peguei e saí com ela.
Só que não demorou muito e o
dono me encontrou e disse:
me dá aqui, se não eu vou queimar você em dois.
Tá bom, você venceu. Pegue e fique com deus.
de Fabiano Daniel Pereira
BOXEI A LUA
Era um guri que sonhava
viajar para a lua.
Então viajou para vários países
e vários estados e o mundo todo,
por que queria encontrar um FOGUETE.
Era um guri que só apanhava
Mas um dia ele disse:
Vou descarregar minha raiva
num ET, de repente ele é
mais fraco do que eu.
Então o guri lembrou que nos EUA
têm um FOGUETE e lá é um país rico.
Vamos lá!
Lua, aí vamos nós!
O ET vai apanhar tanto!!!!!
Mas quando o guri chegou lá não
havia ET nenhum.
E ele teve que boxear a lua.
de Israel Cunha
JOSÉ
José onde você está?
- A festa acabou.
E agora onde você está?
- Estou na rua. Vou embora dormir
numa noite bela e escura.
Mas você dorme José?
- Passo a noite olhando as estrelas
e a lua, mas não há estrelas e lua.
E agora o que irá fazer?
- Embora queira não posso
brincar com os cães, não há nenhum cão.
O que fará José?
- Cem lua e cem cães.
de NÍcolas Gabriel Martins
SOMBRA
Onde eu vou, ela vai atrás.
Eu vou sair, ela vai atrás.
Eu vou ao hospital, ela está lá.
Eu vou para escola, ela está lá.
Qual é o nome dela?
Eu não sei dizer o nome dela.
Ainda não deu tempo para ela largar do meu pé.
DOM a SOMBRA.
de Douglas Moreira
PALAVRAS
Escrevo uma palavra
BIGODE
Depois dela escrevo a palavra
LOIRO
e já tenho um BIGODE LOIRO
de Fabiano Escouto (Niño)
CORAÇÃO
Dizem que o coração
é vermelho,
mas o meu é de ouro.
Os dois são lindos e grandes
e rachados e lançados
por morte
de uma melodia.
Salvados de dentro e
desabados
e pesados.
O seu coração salvo
buscou outro
coração de ouro.
de Maicon de Paula
A RODA terminou com música popular brasileira. Caoan da Costa Goulart e Matias Behrends Pinto (violão e cavaquinho) deram cordas à poesia.
O projeto Poetas do Futuro, por sua coordenação (Grupo Cero Brasil, poeta Eliane Marques), bem como o Instituto Recriar – Casa Amarela (por sua Presidência e coordenação, Gilmar Dal’Osto Rossa e Maria Cristina Gonçalves da Costa), agradecem ao FESTIVAL POESIA SEM FIM, por que a única maneira de viver é viver acompanhado.
Foto: Iria Boufleur
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
POESIAS INÉDITAS
5
A partir de certo instante
só resta o tempo do abismo
com rosas ou sem rosas,
com molhes ou sem eles,
com outros rostos ou sem ninguém.
Não importa para onde miremos
ou falemos ou calemos.
O tempo do abismo tingirá
cada momento e cada coisa,
como um obliquo colorante
que não exclui nem sequer a ausencia.
O tempo do abismo
parece mais firme e seguro
que a não confirmada eternidade.
ROBERTO JUARROZ (Buenos Aires,1925 - 1995)
* Quadro: Las Alas del Tiempo de Miguel Oscar Menassa
5
A partir de certo instante
só resta o tempo do abismo
com rosas ou sem rosas,
com molhes ou sem eles,
com outros rostos ou sem ninguém.
Não importa para onde miremos
ou falemos ou calemos.
O tempo do abismo tingirá
cada momento e cada coisa,
como um obliquo colorante
que não exclui nem sequer a ausencia.
O tempo do abismo
parece mais firme e seguro
que a não confirmada eternidade.
ROBERTO JUARROZ (Buenos Aires,1925 - 1995)
* Quadro: Las Alas del Tiempo de Miguel Oscar Menassa
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Roberto Juarroz
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
POESIA SAINDO DO FORNO CERO
CUESTA ABAJO
"Si arrastré por este mundo
la verguenza de haber sido
y el dolor de ya no ser."
Gardel e Le Pera, 1934
Nos meus sonhos de criança,
Deputado ou senador,
Foi-se logo a esperança,
Restou uma profunda dor.
A vergonha do fracasso,
De um passado sem retorno,
No presente que faço?
Se só fiquei um estorvo.
São meses, anos de angustia,
Lembrando o que teria sido
E viver sem nostalgia
E agora no fim da vida,
Velho e amadurecido,
Resta a esperança perdida.
Altayr Venzon
* Quadro: Fue Buenos Aires, Miguel Menassa
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
BLÁ-BLÁ-BLÁ: OS POETAS DO FUTURO com a poeta BARBARA CORSETTI
ACUPUNTURA
minha cor é local
faminta e no meio-fio
curto farpado circuito
o cartão postal de nossa derrota.
marquei hora com o tempo,
o sol move seus bispos e bilhetes
feito algo que acumula: acupuntura.
o mapa que me guia foi arrancado
minhas cicatrizes
cobram o condominio.
girando em si
o mundo é um coquetel molotov
feito agulha
copulando pele.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
BLÁ-BLÁ-BLÁ: OS POETAS DO FUTURO com a poeta BARBARA CORSETTI
SEGREDO MORTO
Qual será nosso maior segredo?
Será aquele de que tenho medo?
Ou aquele do qual me arrependo?
Ele é um segredo íntimo,
Que não divido nem com meus primos.
Talvez esse segredo seja um mito
Do qual eu quero falar aos gritos
Escondo-o em meu corpo
Tento não manifestar no meu rosto
Mas ele ficará comigo até o meu último sopro
E assim será um segredo morto.
Rafael
Rafael faz parte do Grupo de Poesia da Casa Amarela Zero
(coordenado por Eliane Marques) que apresentou seus escritos
na atividade do Porto Poesia 4 chamada:
"Blá-blá-blá: os POETAS DO FUTURO com a Poeta Barbara Corsetti".
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domingo, 5 de dezembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
Roberto Juarroz
Por cima do rito do vínculo
Mais além do jogo sinistro
Da solidão e da companhia
Um amor que não necessite regresso
Porém tampouco partida
Um amor não submetido
Às chamas de ir e de voltar
De estar despertos ou dormidos
De chamar ou calar
Um amor para estar juntos
Ou para não estar
Porém também para todas as posições intermediarias
Um amor como abrir os olhos
Roberto Juarroz (Buenos Aires - 1925; 1995)
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Poema 55, quinta poesia vertical
Um amor mais além do amorPor cima do rito do vínculo
Mais além do jogo sinistro
Da solidão e da companhia
Um amor que não necessite regresso
Porém tampouco partida
Um amor não submetido
Às chamas de ir e de voltar
De estar despertos ou dormidos
De chamar ou calar
Um amor para estar juntos
Ou para não estar
Porém também para todas as posições intermediarias
Um amor como abrir os olhos
Roberto Juarroz (Buenos Aires - 1925; 1995)
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
GERMÁN PARDO GARCÍA
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
IV
ME induzem a penetrar nas oficinas em que obreiros tipógrafos
colocam grises sílabas em pranchas e molduras.
Aqui a força sindical logra crescente fragor de oceano
que move sem cessar as tubulares rotativas.
As ondas deste mar tipógrafo são páginas
de branquíssimo papel que inunda as metrópoles
e se retira semelhando às marés,
para volver a afogar as casas, as ruas, os estadios,
com a velocidade de suas cronologias.
Que preludio tão sublime o dos linotipos e das prensas!
Que ritmo tão dinâmico o das engraxadas engrenagens!
Quanta beleza nas ustorias lâmpadas e espelhos de aluminio
que distribuem equações de calor e seivas de súlfur!
Aqui as árvores são discos enormes rateados
e laboráveis folhas sua balsâmica madeira.
Se ouve correr os rios em cujas margens cheias de tórridos pássaros
crescem as plantas de onde flui a substantiva celulosa.
Todo diluvio aqui se escuta.
Todo furacão aqui distende-se.
O golpe das marretas que partem hexágonos graníticos,
repercute sob o aço destas abóbadas donde os relâmpagos tem menor velocidade que a noticia
Aqui a ordenadora força sindical é branca república
dirigida pelas fontes sinfônicas do homem.
E quando as janelas desta fábrica impressora se abrem ao sol e ao vento,
fogem os imortais livros como martins-pescadores
ou espumas separando-se dos nitrados promontorios.
Os livros imortais
que divulgam a virilidade dos proclamas e dos cantos de Píndaro.
(continuará)
ME induzem a penetrar nas oficinas em que obreiros tipógrafos
colocam grises sílabas em pranchas e molduras.
Aqui a força sindical logra crescente fragor de oceano
que move sem cessar as tubulares rotativas.
As ondas deste mar tipógrafo são páginas
de branquíssimo papel que inunda as metrópoles
e se retira semelhando às marés,
para volver a afogar as casas, as ruas, os estadios,
com a velocidade de suas cronologias.
Que preludio tão sublime o dos linotipos e das prensas!
Que ritmo tão dinâmico o das engraxadas engrenagens!
Quanta beleza nas ustorias lâmpadas e espelhos de aluminio
que distribuem equações de calor e seivas de súlfur!
Aqui as árvores são discos enormes rateados
e laboráveis folhas sua balsâmica madeira.
Se ouve correr os rios em cujas margens cheias de tórridos pássaros
crescem as plantas de onde flui a substantiva celulosa.
Todo diluvio aqui se escuta.
Todo furacão aqui distende-se.
O golpe das marretas que partem hexágonos graníticos,
repercute sob o aço destas abóbadas donde os relâmpagos tem menor velocidade que a noticia
Aqui a ordenadora força sindical é branca república
dirigida pelas fontes sinfônicas do homem.
E quando as janelas desta fábrica impressora se abrem ao sol e ao vento,
fogem os imortais livros como martins-pescadores
ou espumas separando-se dos nitrados promontorios.
Os livros imortais
que divulgam a virilidade dos proclamas e dos cantos de Píndaro.
(continuará)
Germán Pardo García (Colombia - 1902, México - 1991)
*Quadro de Miguel Oscar Menassa (Catarata Marina)
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
GERMÁN PARDO GARCÍA
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
III
ESTES sensíveis bosques sociais dotados de justíssimas linguas
urgem à capacidade de meu coração álgido e só
para que entenda a amargura do salario miserável;
a aridez dos mineiros que tiram dos cárcamos
a escravidão dos petreos combustíveis;
a dessecação dos arroios pulmonares
pelo silicio e pela cal das pedreiras,
e a agonia dos lívidos punhos derrotados
pela inercia e pelos espectros
que atam a suas cinturas emblema falaz de campeões.
(Continuará)
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
III
ESTES sensíveis bosques sociais dotados de justíssimas linguas
urgem à capacidade de meu coração álgido e só
para que entenda a amargura do salario miserável;
a aridez dos mineiros que tiram dos cárcamos
a escravidão dos petreos combustíveis;
a dessecação dos arroios pulmonares
pelo silicio e pela cal das pedreiras,
e a agonia dos lívidos punhos derrotados
pela inercia e pelos espectros
que atam a suas cinturas emblema falaz de campeões.
(Continuará)
Germán Pardo García (Colombia - 1902, México - 1991)
* Quadro de Miguel Oscar Menassa
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
GERMÁN PARDO GARCÍA
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
II
E vos digo em nome das inumeráveis alianças que existem
entre os braços do homem trabalhador e os sólidos seres:
vede as harmoniosas árvores se confederando
sobre o poderoso flanco do grande monte antibélico.
Elas são o primeiro símbolo desta força sindical de que vos falo,
contemplando-a desde seu nascimento na argila até sua elevação ao Cosmos,
porque também além as estrelas unem-se para impulsionar o Universo,
arvorado no mastro nuclear de lâmpadas tremendas
com seu fulgir de insetos nebúlicos de ouro.
Vos dou este humano exemplo das árvores porque são criaturas
que estão cada vez mais próximas ao espírito do homem.
Sua iminente incorporação a nossas almas a compreendemos
ao dizer: mais além da vida todos seremos árvores.
Ou ao exclamar: estou só como uma árvore diante da perda do crepúsculo.
Elas fundaram a inicial conciliação de vegetais
para defenderem com seu auxilio o proletario parvifundio.
Ao arbusto individual lhe cresceram outras árvores
e apareceu a fronde civil cheia de vozes e de ruídos,
como nas praças das cidades as multidões famélicas.
Comparo este murmurio das labiais folhas com acento de palavras,
porque elas são assim: dialogantes em seu idioma de verdes monossílabos.
Tem seu misterioso abecedario e conhecem a semântica do vento,
e em elásticos arames de raiz ou esferas úmidas e azuis
gravam fundas inframúsicas que nós não escutamos,
e as revivem ao decair a rápida traição da materia.
(continuará)
(Germán Pardo García - Colombia, 1902, México, 1991)
* Quadro de Miguel Oscar Menassa
CANTO À FORÇA SINDICAL
(continuação)
II
entre os braços do homem trabalhador e os sólidos seres:
vede as harmoniosas árvores se confederando
sobre o poderoso flanco do grande monte antibélico.
Elas são o primeiro símbolo desta força sindical de que vos falo,
contemplando-a desde seu nascimento na argila até sua elevação ao Cosmos,
porque também além as estrelas unem-se para impulsionar o Universo,
arvorado no mastro nuclear de lâmpadas tremendas
com seu fulgir de insetos nebúlicos de ouro.
Vos dou este humano exemplo das árvores porque são criaturas
que estão cada vez mais próximas ao espírito do homem.
Sua iminente incorporação a nossas almas a compreendemos
ao dizer: mais além da vida todos seremos árvores.
Ou ao exclamar: estou só como uma árvore diante da perda do crepúsculo.
Elas fundaram a inicial conciliação de vegetais
para defenderem com seu auxilio o proletario parvifundio.
Ao arbusto individual lhe cresceram outras árvores
e apareceu a fronde civil cheia de vozes e de ruídos,
como nas praças das cidades as multidões famélicas.
Comparo este murmurio das labiais folhas com acento de palavras,
porque elas são assim: dialogantes em seu idioma de verdes monossílabos.
Tem seu misterioso abecedario e conhecem a semântica do vento,
e em elásticos arames de raiz ou esferas úmidas e azuis
gravam fundas inframúsicas que nós não escutamos,
e as revivem ao decair a rápida traição da materia.
(continuará)
(Germán Pardo García - Colombia, 1902, México, 1991)
* Quadro de Miguel Oscar Menassa
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sábado, 20 de novembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
GERMÁN PARDO GARCÍA
CANTO À FORÇA SINDICAL
I
COMPANHEIROS de luta: este canto a vossa força sindical o principio
convocando desde o vermelho mais intenso de meu sangue à morte,
porque jamais sereis os construtores obreiros da vida
se ignorais como trabalham os profundos mecanismos da morte.
Assim começo este canto a vossa força sindical: desde baixo
como se enterrasse os obscuros cimentos de uma casa,
para induzi-la depois com lentidão até a altura de formosos corpos
carregados como todas as densas formas, de potencias elétricas.
Outros homens mais universais diriam este canto
com o nome do sol como insignia em suas bocas, do sol inesgotável
que satura intensamente vermes cosmogônicos
e atiça a rebelião das panteras.
Mas eu, imenso e brutal conhecedor de sombras demoníacas,
afianço-me ao escuro pó com tenacidade de nervos
e lanço este hino como ardente flor de pólvora
que desde o piso ascende à vertigem de tempestades térmicas.
(continuará)
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| RELÁMPAGO CERO Miguel Oscar Menassa |
CANTO À FORÇA SINDICAL
I
COMPANHEIROS de luta: este canto a vossa força sindical o principio
convocando desde o vermelho mais intenso de meu sangue à morte,
porque jamais sereis os construtores obreiros da vida
se ignorais como trabalham os profundos mecanismos da morte.
Assim começo este canto a vossa força sindical: desde baixo
como se enterrasse os obscuros cimentos de uma casa,
para induzi-la depois com lentidão até a altura de formosos corpos
carregados como todas as densas formas, de potencias elétricas.
Outros homens mais universais diriam este canto
com o nome do sol como insignia em suas bocas, do sol inesgotável
que satura intensamente vermes cosmogônicos
e atiça a rebelião das panteras.
Mas eu, imenso e brutal conhecedor de sombras demoníacas,
afianço-me ao escuro pó com tenacidade de nervos
e lanço este hino como ardente flor de pólvora
que desde o piso ascende à vertigem de tempestades térmicas.
(continuará)
Germán Pardo García (Colombia - 1902, México - 1991)
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
Cesare Pavese
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
" Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
esta muerte que nos acompaña
desde el alba a la noche, insomne,
sorda, como un viejo remordimiento
o un absurdo defecto. Tus ojos
serán una palabra inútil,
un grito callado, un silencio.
Así los ves cada mañana
cuando sola te inclinas
ante el espejo. Oh, cara esperanza,
aquel día sabremos, también,
que eres la vida y eres la nada.
Para todos tiene la muerte una mirada.
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos.
Será como dejar un vicio,
como ver en el espejo
asomar un rostro muerto,
como escuchar un labio ya cerrado.
Mudos, descenderemos al abismo. "
(CESARE PAVESE - Italia - 1908/1950)
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
" Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
esta muerte que nos acompaña
desde el alba a la noche, insomne,
sorda, como un viejo remordimiento
o un absurdo defecto. Tus ojos
serán una palabra inútil,
un grito callado, un silencio.
Así los ves cada mañana
cuando sola te inclinas
ante el espejo. Oh, cara esperanza,
aquel día sabremos, también,
que eres la vida y eres la nada.
Para todos tiene la muerte una mirada.
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos.
Será como dejar un vicio,
como ver en el espejo
asomar un rostro muerto,
como escuchar un labio ya cerrado.
Mudos, descenderemos al abismo. "
(CESARE PAVESE - Italia - 1908/1950)
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
CONVITE:
O Editorial Grupo Cero e a autora
MARCELA VILLAVELLA
tem o prazer de convidá-los para a
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS
do livro TE BUSCA Y TE NOMBRA
DIA: 06 de novembro
HORA: 20h30
LOCAL: Pavilhão de Autógrafos
da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre
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