EL AMOR EMPIEZA
El amor empieza cuando se rompen dos dedos
y se dan vuelta las solapas del traje,
cuando ya no hace falta pero tampoco sobra
la vejez de mirarse,
cuando la torre de los recuerdos, baja o alta,
se agacha hasta la sangre.
El amor empieza cuando Dios termina
y cuando el hombre cae,
mientras las cosas, demasiado eternas,
comienzan a gastarse,
y los signos, las bocas y los signos,
se muerden mutuamente en cualquier parte.
El amor empieza
cuando la luz se agrieta como un muerto disfrazado
sobre la soledad irremediable.
Porque el amor es simplemente eso:
la forma del comienzo
tercamente escondida
detrás de los finales.
Roberto Juarroz (Argentina, 1925-1995)
desenho de Miguel Oscar Menassa (Argentina, 1930)
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
POESIAS INÉDITAS
5
A partir de certo instante
só resta o tempo do abismo
com rosas ou sem rosas,
com molhes ou sem eles,
com outros rostos ou sem ninguém.
Não importa para onde miremos
ou falemos ou calemos.
O tempo do abismo tingirá
cada momento e cada coisa,
como um obliquo colorante
que não exclui nem sequer a ausencia.
O tempo do abismo
parece mais firme e seguro
que a não confirmada eternidade.
ROBERTO JUARROZ (Buenos Aires,1925 - 1995)
* Quadro: Las Alas del Tiempo de Miguel Oscar Menassa
5
A partir de certo instante
só resta o tempo do abismo
com rosas ou sem rosas,
com molhes ou sem eles,
com outros rostos ou sem ninguém.
Não importa para onde miremos
ou falemos ou calemos.
O tempo do abismo tingirá
cada momento e cada coisa,
como um obliquo colorante
que não exclui nem sequer a ausencia.
O tempo do abismo
parece mais firme e seguro
que a não confirmada eternidade.
ROBERTO JUARROZ (Buenos Aires,1925 - 1995)
* Quadro: Las Alas del Tiempo de Miguel Oscar Menassa
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Roberto Juarroz
domingo, 5 de dezembro de 2010
LENDO OS GRANDES POETAS
Roberto Juarroz
Por cima do rito do vínculo
Mais além do jogo sinistro
Da solidão e da companhia
Um amor que não necessite regresso
Porém tampouco partida
Um amor não submetido
Às chamas de ir e de voltar
De estar despertos ou dormidos
De chamar ou calar
Um amor para estar juntos
Ou para não estar
Porém também para todas as posições intermediarias
Um amor como abrir os olhos
Roberto Juarroz (Buenos Aires - 1925; 1995)
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Poema 55, quinta poesia vertical
Um amor mais além do amorPor cima do rito do vínculo
Mais além do jogo sinistro
Da solidão e da companhia
Um amor que não necessite regresso
Porém tampouco partida
Um amor não submetido
Às chamas de ir e de voltar
De estar despertos ou dormidos
De chamar ou calar
Um amor para estar juntos
Ou para não estar
Porém também para todas as posições intermediarias
Um amor como abrir os olhos
Roberto Juarroz (Buenos Aires - 1925; 1995)
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
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