SÃO QUINZE
São quinze os sobreviventes
na travessia da África para a Itália
a balsa que carregava o futuro
para uns ficou na história.
São quinze os sobreviventes
no caminho da liberdade
mais de trinta morreram
mas até a morte se enche de vida
quando valiosa a causa.
Quinze marcas de um passado de fome
ardendo de querência
buscam solo democrático.
Quinze restos de ternura
endurecidos
diante horror na madrugada
companheiros que sucumbiam
na travessia ao exílio.
Quinze dores
cinzas dos genocídios
das atrocidades,
como migalhas
no chão da civilização.
Quinze almas perdidas
de nossas guerras
pó no vento.
Lúcia Bins Ely
Publicou: Arado de Palavras (com outros autores) e nas Revistas Água Viva.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
POESIA SAINDO DO FORNO CERO
O prato de sal
mantém esguio
e com flores na boca
o corpo que leva a navalha
do homem que vai
os pés sob o berço das facas
e toda a nau que ao cravo do corpo
importa, sua casa de mortos na beira da rua,
clarinetes emaranhados em ovelhinhas de lã
revém do arroio a navalha que empurra
vem rever a revelha de pão e sua capa
com tolices nos bolsos:
armazéns onde se vendem unhas
domingos de guarda-chuva, mesa para seis netos, e,
bem ao lado da vinha,
dois caixões
cujos braços foram atados
as uvas nunca foram consolo do corpo que
tem por costume a solidão da navalha
e vai negro levar a agua do ferrador
(continuará)
Eliane Marques
Publicou: Relicário (2009), Arado de Palavras (vários autores) e nas Revistas Água Viva
(continuará)
Eliane Marques
Publicou: Relicário (2009), Arado de Palavras (vários autores) e nas Revistas Água Viva
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
POESIA SAINDO DO FORNO CERO
CUESTA ABAJO
"Si arrastré por este mundo
la verguenza de haber sido
y el dolor de ya no ser."
Gardel e Le Pera, 1934
Nos meus sonhos de criança,
Deputado ou senador,
Foi-se logo a esperança,
Restou uma profunda dor.
A vergonha do fracasso,
De um passado sem retorno,
No presente que faço?
Se só fiquei um estorvo.
São meses, anos de angustia,
Lembrando o que teria sido
E viver sem nostalgia
E agora no fim da vida,
Velho e amadurecido,
Resta a esperança perdida.
Altayr Venzon
* Quadro: Fue Buenos Aires, Miguel Menassa
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
BLÁ-BLÁ-BLÁ: OS POETAS DO FUTURO com a poeta BARBARA CORSETTI
ACUPUNTURA
minha cor é local
faminta e no meio-fio
curto farpado circuito
o cartão postal de nossa derrota.
marquei hora com o tempo,
o sol move seus bispos e bilhetes
feito algo que acumula: acupuntura.
o mapa que me guia foi arrancado
minhas cicatrizes
cobram o condominio.
girando em si
o mundo é um coquetel molotov
feito agulha
copulando pele.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
BLÁ-BLÁ-BLÁ: OS POETAS DO FUTURO com a poeta BARBARA CORSETTI
SEGREDO MORTO
Qual será nosso maior segredo?
Será aquele de que tenho medo?
Ou aquele do qual me arrependo?
Ele é um segredo íntimo,
Que não divido nem com meus primos.
Talvez esse segredo seja um mito
Do qual eu quero falar aos gritos
Escondo-o em meu corpo
Tento não manifestar no meu rosto
Mas ele ficará comigo até o meu último sopro
E assim será um segredo morto.
Rafael
Rafael faz parte do Grupo de Poesia da Casa Amarela Zero
(coordenado por Eliane Marques) que apresentou seus escritos
na atividade do Porto Poesia 4 chamada:
"Blá-blá-blá: os POETAS DO FUTURO com a Poeta Barbara Corsetti".
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sábado, 16 de outubro de 2010
Cadáver Esquisito produto da Oficina do Grupo Cero no Porto Poesia 4
Conhecer-te
faz-me sentir tão viva
entre vozes
no porto de Poesia
Minha morte anunciada
todos os dias
é Poesia transitoria!
Cabe sem amor
nesta canção
Estou aqui
serei eu?
minha alma voa
um poema rico em metáforas
Tudo é simples
se houver diálogo
a noite cai
e a palavra vem.
16.10.2010 - Cadáver Esquisito
Oficina de Poesia Grupo Cero
no Porto Poesia 4
(Coordenação: Lúcia Bins Ely)
Obs.: Cadáver Esquisito é um exercicio que os Surrealistas praticavam (e o Grupo Cero também pratica já que temos os Surrealistas como antecedentes) em que cada integrante do grupo escreve uma frase, ou verso, sem ler o que o outro escreveu, (passando a folha para que cada um escreva algo aí, dobrada sempre para que não se leia o já escrito) e, ao final se desdobra as dobras e se lê o escrito grupal.
Se chama assim por ter sido Cadáver Esquisito o 1º verso do 1º poema produzido desta maneira.
faz-me sentir tão viva
entre vozes
no porto de Poesia
Minha morte anunciada
todos os dias
é Poesia transitoria!
Cabe sem amor
nesta canção
Estou aqui
serei eu?
minha alma voa
um poema rico em metáforas
Tudo é simples
se houver diálogo
a noite cai
e a palavra vem.
16.10.2010 - Cadáver Esquisito
Oficina de Poesia Grupo Cero
no Porto Poesia 4
(Coordenação: Lúcia Bins Ely)
Obs.: Cadáver Esquisito é um exercicio que os Surrealistas praticavam (e o Grupo Cero também pratica já que temos os Surrealistas como antecedentes) em que cada integrante do grupo escreve uma frase, ou verso, sem ler o que o outro escreveu, (passando a folha para que cada um escreva algo aí, dobrada sempre para que não se leia o já escrito) e, ao final se desdobra as dobras e se lê o escrito grupal.
Se chama assim por ter sido Cadáver Esquisito o 1º verso do 1º poema produzido desta maneira.
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sábado, 18 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
POESIA saindo do forno CERO
CADÁVER ESQUISITO
Bateram a porta de sopetão
e batem os pés da morte
Pela morte que, de esquisito
nada tem, tem morte
pra morrer
Longa é a arte, tão breve
a vida
cavando no olho do escuro
abriu-se a porta naquele instante
tropeça bêbado nas frase de amor
no cadáver, a morte
de alguém que não morreu
tic, tac, tic, tac. Já é natal?
alvo
cabisbaixo
olhou.
Cadáver Esquisito - Grupo de Poesia sábado dia 10/07/2010
(Hay almas que tienen - oleo sobre tela - M.O.Menassa)
Bateram a porta de sopetão
e batem os pés da morte
Pela morte que, de esquisito
nada tem, tem morte
pra morrer
Longa é a arte, tão breve
a vida
cavando no olho do escuro
abriu-se a porta naquele instante
tropeça bêbado nas frase de amor
no cadáver, a morte
de alguém que não morreu
tic, tac, tic, tac. Já é natal?
alvo
cabisbaixo
olhou.
Cadáver Esquisito - Grupo de Poesia sábado dia 10/07/2010
(Hay almas que tienen - oleo sobre tela - M.O.Menassa)
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terça-feira, 6 de julho de 2010
POESIA saindo do forno CERO
Assombroso: o mínimo, às vezes, faz o máximo
O novo não vai ser
palavras como carne,
não me acovardo
por denuncia
onde tudo me destrói
singularmente te toco.
Me convenci
que o amor me faz voar
assim encontro virtudes
nos pequenos gestos.
Mesmo que a poesia,
nada necessite.
Renato Battistel
O novo não vai ser
palavras como carne,
não me acovardo
por denuncia
onde tudo me destrói
singularmente te toco.
Me convenci
que o amor me faz voar
assim encontro virtudes
nos pequenos gestos.
Mesmo que a poesia,
nada necessite.
Renato Battistel
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
POESIA saindo do forno CERO
"hasta que te iguales a tí mismo"
Walt Whitman
vai armar o céu, a tempestade
nem todos os livros me darão
altura para colher-te
nem todos os lamentos das
viúvas
nem todas as lágrimas das
carpideiras
nem todos os encontros dos
amantes
nem todas as vozes dos
cantantes...
poderão abrasar
poderão acalmar
poderão apagar
a chama
daquilo que
vem e não cessa...
Lúcia Bins Ely
Walt Whitman
vai armar o céu, a tempestade
nem todos os livros me darão
altura para colher-te
nem todos os lamentos das
viúvas
nem todas as lágrimas das
carpideiras
nem todos os encontros dos
amantes
nem todas as vozes dos
cantantes...
poderão abrasar
poderão acalmar
poderão apagar
a chama
daquilo que
vem e não cessa...
Lúcia Bins Ely
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terça-feira, 8 de junho de 2010
POESIA saindo do forno CERO
ATO 2
CENA ÚNICA
A TARDE SEM RELÓGIO
na tarde que nunca termina a
rosa desconhece damas
meias de seda
vestido de noiva e
vinho do porto
esquece ruínas
em seus modos de
dolores apaga e
expulsa rostos
ontem a rosa
fechou quatro
imensas portas
depois de um
incêndio qualquer
em sua boca
hoje sem rosto a
rosa descansa e
contra as paredes do poço
suas unhas são
vermelhas ausências
Eliane Marques
(do livro inédito: ROSA, uma tragédia quase brasileira.)
CENA ÚNICA
A TARDE SEM RELÓGIO
na tarde que nunca termina a
rosa desconhece damas
meias de seda
vestido de noiva e
vinho do porto
esquece ruínas
em seus modos de
dolores apaga e
expulsa rostos
ontem a rosa
fechou quatro
imensas portas
depois de um
incêndio qualquer
em sua boca
hoje sem rosto a
rosa descansa e
contra as paredes do poço
suas unhas são
vermelhas ausências
Eliane Marques
(do livro inédito: ROSA, uma tragédia quase brasileira.)
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terça-feira, 27 de abril de 2010
POESIA saindo do forno CERO
"ao nosso redor chuva chove"
I
água, água
me molha o pelo
me molha me molha
me brotam...
e mais água água
águaviva
gerando...
chovo colho colhe
chove chove chove
chove chove chove
cai do céu vida sobre a terra
II
boiam na poça
e meus pés
molhados
meus pés
molhados
absorvem no mar da linguagem
chispas carnais
zarpam de mim
feito letreiros luminosos
de sonho
III
chuva que me faz alma
palma que me escreve
verde vade vida
verso em dó
em pena de ninguém
restea de esperança
brota feito bomba atômica
atônita
permaneço
dança
IV
vestigios de ninguém
arrastando tudo
água que cai sob o ceú de capricornio
abre clareira
e nada
e nado
nos escombros
sob os poetas mortos
Lúcia Bins Ely
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
Quero me desvencilhar de seus anseios
oh, rinoceronte,
desta vez escolho
nos vãos das palavras
empreender minha viagem.
Navego entre uma palavra e outra
carregando os mortos às costas
até encontrar uma tumba
arejada e perfumada.
Vou recostar esta cruz
na relva tardia no muro branco
da cidade,
onde os planos dos bandidos
foram procriados.
Assim me desopilo
me desconheço
me desmudeço
me enrubeço.
Me palavreio
e nem o amor alcança.
Lúcia Bins Ely
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domingo, 24 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
SÁBATO 15
é cega invadida por casas
celibatarias avô de tréguas
advogado com seus terremotos
e bêbado horacio
habituado a alimentar o canario
com a comida do gato
é casa aberta aos venenos
em conserva recolhidos
por um braço solitário
o mesmo braço
sob o qual adormece e lê
ou escreve um poeta
de olhos apagados
os mesmos olhos delatores
da magoa dos lençóis
desmaiados sobre o pó
o pó da sombra que atada à
sua grande boneca negra
lamenta o açúcar do pão e o
sempre dia murado funerável
Eliane Marques
(Eliane Marques é integrante da Escola Grupo Cero de Poesia, autora do livro RELICÁRIO e, com outros autores, do ARADO DE PALAVRAS- bilingue)
é cega invadida por casas
celibatarias avô de tréguas
advogado com seus terremotos
e bêbado horacio
habituado a alimentar o canario
com a comida do gato
é casa aberta aos venenos
em conserva recolhidos
por um braço solitário
o mesmo braço
sob o qual adormece e lê
ou escreve um poeta
de olhos apagados
os mesmos olhos delatores
da magoa dos lençóis
desmaiados sobre o pó
o pó da sombra que atada à
sua grande boneca negra
lamenta o açúcar do pão e o
sempre dia murado funerável
Eliane Marques
(Eliane Marques é integrante da Escola Grupo Cero de Poesia, autora do livro RELICÁRIO e, com outros autores, do ARADO DE PALAVRAS- bilingue)
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sábado, 23 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
CARTA AO ODIO
nem posso começar te chamando prezado,
embora sempre estejas tão perto do amor,
que às vezes acho
persigo
próximo como antítese
outro extremo,
talvez par,
forma de amar
confusões que nos levam, por vezes
desgovernados
em caminhos diversos
te odeio, ódio
odeio
e te colocas triunfante
me torcendo o pescoço
te odeio meu ódio
nem te enxergo
nego
abomino
e quanto mais
te pautas tranquilo
negocias
outros pactos
te odeio, quero matar
exterminar
rumino sem trégua
e caio
em mais um tropeço
Leonora Waihrich
(Leonora Waihrich é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
nem posso começar te chamando prezado,
embora sempre estejas tão perto do amor,
que às vezes acho
persigo
próximo como antítese
outro extremo,
talvez par,
forma de amar
confusões que nos levam, por vezes
desgovernados
em caminhos diversos
te odeio, ódio
odeio
e te colocas triunfante
me torcendo o pescoço
te odeio meu ódio
nem te enxergo
nego
abomino
e quanto mais
te pautas tranquilo
negocias
outros pactos
te odeio, quero matar
exterminar
rumino sem trégua
e caio
em mais um tropeço
Leonora Waihrich
(Leonora Waihrich é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
Te odeio!
porque não queres como eu quero!
Te odeio
porque não posso ter-te!
Te odeio
porque esvazias o que encho!
Te odeio
quando sais exuberante e te perdes de mim!
Te odeio
quando queres destruir o que construímos!
Te odeio
quando desfazes o que faço!
Te odeio
porque reprimes a alegria de viver!
Te odeio
quando não me permites escrever.
Te odeio
quando me roubas a força do trabalho!
(dez.2009)
(Lúcia Bins Ely - integrante da Escola de Poesia Grupo Cero - coordenadora do Grupo de Poesia dos sábadaos às 11h em Porto Alegre - aberto a novos integrantes)
porque não queres como eu quero!
Te odeio
porque não posso ter-te!
Te odeio
porque esvazias o que encho!
Te odeio
quando sais exuberante e te perdes de mim!
Te odeio
quando queres destruir o que construímos!
Te odeio
quando desfazes o que faço!
Te odeio
porque reprimes a alegria de viver!
Te odeio
quando não me permites escrever.
Te odeio
quando me roubas a força do trabalho!
(dez.2009)
(Lúcia Bins Ely - integrante da Escola de Poesia Grupo Cero - coordenadora do Grupo de Poesia dos sábadaos às 11h em Porto Alegre - aberto a novos integrantes)
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domingo, 20 de dezembro de 2009
POESIA saindo do forno CERO
Assombroso: o mínimo, às vezes, faz o máximo
O novo não vai ser
palavras como carne,
não me acovardo
por denuncia
onde tudo me destrói
singularmente te toco.
Me convenci
que o amor me faz voar
assim encontro virtudes
nos pequenos gestos.
Mesmo que a poesia,
de nada necessite.
Renato Battistel
O novo não vai ser
palavras como carne,
não me acovardo
por denuncia
onde tudo me destrói
singularmente te toco.
Me convenci
que o amor me faz voar
assim encontro virtudes
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Mesmo que a poesia,
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
POESIA saindo do forno CERO
MADEIRAS
é álbum
de rostos difusos
juntados pelo ocaso
a camponesa a misturar
o sapato negro
com o barro
no aberto entre eles
o carvalho a criança
o saquinho de leite e
um inseto com
a cara na vidraça
seres de raízes des-asadas
e têmperas de sol
onde o amarelo lava
a solidez de uma mulher
que no contragolpe de madeira
transporta a pátria exilada
Eliane Marques
(Eliane Marques é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero,
que acaba de lançar seu primeiro poemário: RELICÁRIO)
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
LENDO OS GRANDES POETAS
CASAMENTO
Adélia Prado
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(Do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida")
Adélia Prado (nascida a 13 de dezembro de 1935) nossa homenageada no Sarau 2001 Noites desde Menassa - dia 04 de dezembro - 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana - PoA - 19h.
Venha participar lendo poemas desta autora e próprios!
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