quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A VERDADEIRA VIAGEM

(Parte 1)

Cuidado! Cuidado!

Estamos a ponto de naufragar


Haveis acreditado,

que no transatlântico poderoso navegávamos

e no entanto lhes digo:

minha vida é uma pequena balsa enamorada.

Vejo surgir, é certo, entre as sombras,

uma luz que ninguém apagará.

Formada de versos e perfumes como ventos insondáveis,

como uma catarata de carne abandonada,

que por fim encontra seu reinado.

Reinado de nuvens,

de antigas fragrâncias e de fragrâncias inconcebíveis.

Pequenas balsas enamoradas sempre a ponto de naufragar.


Por agora, toda paixão será remar,

até alcançar o poema nesse movimento.


Depois, algum dia, tereis,

em vossa pequena balsa enamorada vossos grandes amores.


Rema, até ficar sem forças e aí,

compreendereis o motivo de minha paixão.


Iremos pelos mais belos rios e com o tempo,

nos animaremos aos grandes oceanos,

à beleza das borrascas plenas no mar

e sempre, iremos temerosos de desaparecer,

pequenos, nessa imensidade que nos rodeia.


Saber nadar ou ser grandiosos, não servirá de nada,

para chegar, teremos que manter a balsa a flutuar

e manter-nos em cima da balsa.

Isso, todo o mistério.


Um dia a balsa se partirá em mil fragmentos

e cada um,

terá que aprender a sustentar-se em pequenas madeiras.



Se é possível o poema é possível a vida.



Rema, agoniza remando,

até sentir que só é impossível.

Fica sem forças,

olha como outros remam e eu mesmo remo,

com as mãos ensangüentadas pelo esforço,

sem descansar, até encontrar nesse movimento o poema.

E cada um terá sua pequena balsa enamorada.

Dono de sua vida e de sua morte,

pode estender-se na balsa para sempre,

não remar mais e deixar que as águas o levem para qualquer lugar.

E algum outro, remando desesperadamente, ao vê-lo,

escreverá um poema.


(continuará)
 
Miguel Oscar Menassa
 
(Miguel Oscar Menassa, do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
 
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
Se queres apoiar sua candidatura escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.

domingo, 24 de janeiro de 2010

POESIA saindo do forno CERO


SÁBATO 15


é cega invadida por casas

celibatarias avô de tréguas

advogado com seus terremotos


e bêbado horacio

habituado a alimentar o canario

com a comida do gato


é casa aberta aos venenos

em conserva recolhidos

por um braço solitário


o mesmo braço


sob o qual adormece e lê

ou escreve um poeta

de olhos apagados


os mesmos olhos delatores

da magoa dos lençóis

desmaiados sobre o pó


o pó da sombra que atada à

sua grande boneca negra

lamenta o açúcar do pão e o

sempre dia murado funerável

Eliane Marques
 
(Eliane Marques é integrante da Escola Grupo Cero de Poesia, autora do livro RELICÁRIO e, com outros autores, do ARADO DE PALAVRAS- bilingue)

sábado, 23 de janeiro de 2010

POESIA saindo do forno CERO


CARTA AO ODIO


nem posso começar te chamando prezado,

embora sempre estejas tão perto do amor,

que às vezes acho

persigo


próximo como antítese

outro extremo,

talvez par,

forma de amar


confusões que nos levam, por vezes

desgovernados

em caminhos diversos


te odeio, ódio

odeio

e te colocas triunfante

me torcendo o pescoço


te odeio meu ódio

nem te enxergo

nego

abomino

e quanto mais


te pautas tranquilo

negocias

outros pactos


te odeio, quero matar

exterminar

rumino sem trégua


e caio

em mais um tropeço


Leonora Waihrich

(Leonora Waihrich é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010




(Aforismo de Miguel Oscar Menassa, do livro: Aforismos y decires, Grupo Cero, 2008)

Miguel Oscar Menassa - indicado ao Premio Nobel de Literatura 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

APOIO À CANDIDATURA DE MIGUEL OSCAR MENASSA AO PREMIO NOBEL DE LITERATURA - 2010


CARTA DE APRESENTAÇÃO PARA O PREMIO NOBEL DE LITERATURA DO POETA MIGUEL MENASSA PELA IWA (ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ESCRITORES E ARTISTAS, OHIO, USA)


ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ARTISTAS E ESCRITORES



Teresinka Pereira, Presidente

Dr. Georg Reiff, Diretor de Internet

Membro da União para as Liberdades Civis da América

Membro para o Conselho para o Humanismo Secular

Membro da Associação das Nações Unidas

e do Conselho de Negocios para as Nações Unidas

Representante da UNESCO: Emérito Dr. Francis Dessart

Embaixador da IWA na UNESCO e na UN

Dr. Jorge Alberto Costa e Silva

ENDEREÇO: P.O. Box 352048

Toledo, OH 43635-2048, USA

tpereira@buckeye-express.com

WEBSITE: http://www.international-writers-association.com/

* * * *

Equipe de Diretores

Peter Bemski (USA) Lívia Paulini (Hungary-Brasil)

Igor Mikhailusenko (Russia) Maria do Carmo G. De Oliveira (Brasil)

Kazuyosi Ikeda (Japão) Baek Han-Yi (Coreia) Oscar Flores Tamara (Colombia)

Radana Parmová (Rep. Tcheca) Lazhar Baaziz (Argelia)

Andrej Zivor (Servia) Juana García Abas (Cuba)

Chris Mestas (França) Conceição Piló (Brasil) José Franco (Panamá)

* * * *

Madrid, 25 de novembro de 2009

Ao Comitê do Premio Nobel de Literatura

Este ano a IWA (Associação Internacional de Escritores)  sugere o poeta Miguel Oscar Menassa, da Argentina, para ser considerado como candidato para o Premio Nobel de Literatura - 2010. Ele emigrou para a Espanha desde 1976 e desenvolveu ali um grande Movimento Científico Cultural, um dos mais importantes no mundo desde a segunda metade deste último século. Junto com esta carta, podem encontrar uma página com uma pequena nota biográfica e uma mostra de sua poesia, seu endereço é

Poeta Miguel Oscar Menassa

Grupo Cero

Calle Duque de Osuna, 4

28015 Madrid

Espanha

A IWA foi fundada em 1978. Ela apoia os direitos e as liberdades na Declaração Universal dos Direitos Humanos para todo o mundo em todas partes. Nós valorizamos: O respeito e a compreensão de todas as culturas e tradições étnicas, a liberdade de expressão e a diversidade com a meta de um mundo justo. Mais fundamentalmente que a liberdade de expressão e a diversidade, nós rechaçamos o racismo, o sexismo, o “tribalismo” e a discriminação pela idade.

A IWA tem muitos membros distintos como: O Marquês K. Vella Harber, Grande Prior Internacional e Cabeça do Executivo do Supremo Conselho da Ordem de São João de Jerusalém (Malta); O Príncipe Waldemar Baroni Santos (Brasil); Don Ciro Punzo, Príncipe de Cnosso e Manzanilla (Italia); Lord Viktor Busá, Presidente do Parlamento dos Estados Internacionais pela Seguridade e pela Paz; O Príncipe Dom Duarte Nuno João Pio de Orleáns e Braganza, de Portugal; Dr. Denis Kelleher Muhillym, Presidente da Universidade Internacional Americana; Dr. Fernando Enrique Cardoso, Presidente saliente do Brasil, de 1994 a 2002, Frei Betto, e escritores famosos como: Ernesto Sábato (Argentina), Noan Chomsky (USA), Fernando Alegría (Chile), Rigoberta Menchú, Premio Nobel da Paz em 1992, Guatemala, Fidel Castro, Cuba. Entre os imortais: Dr. Jean Bernard (França), Carlos Drummond de Andrade (Brasil), Alberto Moravia (Italia), Ella Fitgerald (USA), Eugene Ionesco (Romenia), Jorge Guillén e Francisco García Pavón, Juan Carlos María Onetti (Uruguai), Augusto Roa Bastos (Paraguai), Juan Rulfo (México), Julio Cortázar e Manuel Puig (Argentina); Margerite Durás (França), Dr. Rosemary C.Wilkinson, Presidente de WAAC (Associação do Oeste para a Conservação da Arte), Melina Merkuri (Grecia) e muitos outros, aproximadamente 1.430 associados em 130 países nos cinco continentes do mundo.

Espero merecer sua atenção neste assunto e lhe envio meu respeito e consideração.

Sinceramente,

Teresinka Pereira

Presidente da IWA


O GrupoCero VersoB apoia a candidatura de MIGUEL OSCAR MENASSA - poeta Diretor da Internacional Grupo Cero - ao Premio Nobel de Literatura 2010. Acompanhe também seu blog: http://miguelmenassa.blogspot.com/

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

POESIA saindo do forno CERO


Te odeio!


porque não queres como eu quero!

Te odeio

porque não posso ter-te!

Te odeio

porque esvazias o que encho!

Te odeio

quando sais exuberante e te perdes de mim!

Te odeio

quando queres destruir o que construímos!

Te odeio

quando desfazes o que faço!

Te odeio

porque reprimes a alegria de viver!

Te odeio

quando não me permites escrever.

Te odeio

quando me roubas a força do trabalho!



(dez.2009)

(Lúcia Bins Ely - integrante da Escola de Poesia Grupo Cero - coordenadora do Grupo de Poesia dos sábadaos às 11h em Porto Alegre - aberto a novos integrantes)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

AFORISMOS E DIZERES

Se é possível o poema é possível a vida.

1560: Quando já não possa pintar porque minhas mãos caiam e já não possa escrever porque  tenha ficado quase sem mirada e a mulher desapareça porque eu já não tenha coração, todavia, ainda, resta a morte para amar, ainda, todavia, amarei a liberdade.



14: A cultura é grátis, se não consigo ser rico, pelo menos teria que ser culto.


17: Lutando box aprendi que não há golpes duros, a menos que um golpe te ponha fora de combate.


20: Se desvanece a alma, começa o poema e todo ser é uma abertura inconsolável. Mais do que registro, rasgadura sem harmonia.


24: No início ela tinha um pouco de dinheiro e eu um pouco de inteligencia. Despois os dois fomos muito famosos. Ela se tornou muito inteligente, e eu para conseguir algo de dinheiro, tive que trabalhar.


Hoje ambicionamos um grau de civilização em que o homem deixe de pertencer a si mesmo.

(de Miguel Oscar Menassa, do livro: Aforismos y decires, Grupo Cero, 2008)
Miguel Oscar Menassa - indicado ao Premio Nobel de Literatura 2010

domingo, 20 de dezembro de 2009

POESIA saindo do forno CERO


Assombroso: o mínimo, às vezes, faz o máximo





O novo não vai ser


palavras como carne,


não me acovardo


por denuncia


onde tudo me destrói


singularmente te toco.






Me convenci


que o amor me faz voar


assim encontro virtudes


nos pequenos gestos.






Mesmo que a poesia,



de nada necessite.







Renato Battistel

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


                         Amor ante la Muerte (óleo sobre tela de Miguel Oscar Menassa)



No caminho encontrareis o ouro e a pobreza,


os precipicios fundos e as grandes planicies.

Haverá em vossos caminhos, não duvideis,


emboscadas, traições, vis injustiças,


por isso


é conveniente viajar acompanhado.






E, quando conseguirdes algum pão, algum dinheiro,


tentai reparti-lo o melhor possível entre todos.


Alguém que comeu


e tem dinheiro para o pão de manhã,


em algo se sentirá feliz e seu trabalho


não será dirigido pela fome ou pelo odio


senão pelo amor ou pela liberdade.





de Miguel Oscar Menassa



do Livro: La Maestría y Yo (Editorial Grupo Cero, 2007)



(Miguel Oscar Menassa é o diretor internacional do Grupo Cero)

sábado, 12 de dezembro de 2009

POESIA CERO


LÁGRIMA





Lágrima

ânima bendita,

maldito animal,

lacrimal e luz em teus olhos

claros cristalinos vidros à distancia.




E se brotassem?

E se todavia brotassem, como unhas crescendo

no próprio centro da terra?

E se brotassem lágrimas de despedida silenciosa?

E se tristeza e emoção pactuassem outra vez com essa agüinha

com esse tenue testemunho do tempo?

Algas, búzios,

mares profundos e obscuros,

negros oceanos,

atlânticas tempestades,

lagos azuis, rios torrenciais em meu peito,

cataratas, estrondos líquidos do amor.



Marcela Villavella

(do livro bilingue: Arado de Palavras, Grupo Cero, 2008)

(Uma singela homenagem à Marcela Villavella psicanalista, poeta neste 12 de 12 de 2009 dia em que aniversaria.
PARABÉNS MARCELA, em nome do grupoceroversob)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

POESIA CERO

a Apollinaire


A antiguidade
pra lá desta Torre Eiffel
leva os retratos vazios

da mãe azulada de gás
que inunda a cidade
dos respiradores raivosos

Zunem
perdões
e corvos desterrados

Fênix e máquina
misturados na
vergonha das melancias.

                               Lúcia Bins Ely




(Lúcia Bins Ely é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero,
no Brasil, com sede na Cabral, 225, Bairro Rio Branco, Porto Alegre)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Do livro: A Mulher e Eu de Miguel Oscar Menassa


























Miguel Oscar Menassa, Los Brillos de la Noche
(Óleo sobre tela, 2008)



41



Me prometeste que compraríamos uma casa
e me trouxeste para viver na casa de tua mãe.
Sou proibida de entrar na cozinha
e, quando estou sozinha ou contigo,
supostamente, em nosso dormitorio,
me sinto fortemente vigiada.
Depois, também estão tuas irmãzinhas
que me olham como se eu fosse a intrusa.
Eu só te vejo domingo à tarde,
se seguimos assim terminaremos separados
tu violando ou amando a tua mamãe
e eu trabalhando de puta enamorada
no corredor da morte em Boston.
Ele movia a cabeça afirmativamente
mas nunca me escutava, nunca me via.
Eu deixo passar 2 ou 3 dias e, como ele
não me diz nada, nenhum gesto ou palavra,
lhe conto contente o que penso fazer.
Ele não entende nada mas segue o trem,
ao que eu disse, ele, sem escutar disse que sim
eu queria lhe dizer que ia embora com seu amigo Pepe,
à selva obscura do pássaro gris e à nostalgia.
Que não se preocupoe, queria lhe dizer,
que o dinheiro que falta na conta
o utilizei eu, comprando malas,
comprando essas flechas com aquele veneno
que ao apenas te tocar geram amor
e um pouco de felicidade engarrafada no vazio
pelas dúvidas estranhei seu silencio.
Depois, também comprei para Pepe
um par de calçõezinhos e uma camisa vermelha
e, se sobra algo ainda, quando volte,
porei na conta em teu nome.

O camarada Cornelio, que assim o chamavam,
não escutou e não viu nada até a segunda de manhã
quando o gerente do banco o chamou,
desesperado, para lhe dizer, tremendo:
Don José, Santo Deus, seu dinheiro sumiu!!

Não se preocupe, senhor gerente,
devem ter sido a puta de minha mulher
e o canalha de meu amigo Pepe.
Podendo fazer amor abaixo de minhas narinas
vão até a África Negra para que ninguém os veja.

Gastam muito dinheiro tratando de se esconder
quando aqui em Madrid, em nossa propria casa
convivem com putas e nobres, chulos e presidenciáveis.
Não entendo isso, senhor gerente,
não posso entender isso, assim
que, quando voltem da selva,
jantarei com eles e lhes direi:
A partir de hoje, querida minha
e doce amigo da alma,
com vocês dois não farei mais negócios
assim que, a partir de hoje, entre nós
somente poderemos o amor, as ilusões.

de Miguel Oscar Menassa
do Livro: La Mujer y Yo (Editorial Grupo Cero, 2003)

(Miguel Oscar Menassa é o diretor internacional do Grupo Cero,
está indicado ao Nobel de Literatura 2010)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

HOJE: SARAU POÉTICO



A Casa de Cultura Mario Quintana fica no centro de Porto Alegre
na Rua dos Andradas, antigo Hotel Magestic.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

POESIA saindo do forno CERO




MADEIRAS




é álbum

de rostos difusos

juntados pelo ocaso



a camponesa a misturar

o sapato negro

com o barro



no aberto entre eles

o carvalho a criança

o saquinho de leite e



um inseto com

a cara na vidraça



seres de raízes des-asadas



e têmperas de sol

onde o amarelo lava

a solidez de uma mulher



que no contragolpe de madeira

transporta a pátria exilada


Eliane Marques

 
(Eliane Marques é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero,
que acaba de lançar seu primeiro poemário: RELICÁRIO)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

LENDO OS GRANDES POETAS


CASAMENTO


                                                                                                                                                     

Adélia Prado


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

(Do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida")

Adélia Prado (nascida a 13 de dezembro de 1935) nossa homenageada no Sarau 2001 Noites desde Menassa - dia 04 de dezembro - 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana - PoA - 19h.
Venha participar lendo poemas desta autora e próprios!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

GRUPO CERO NA RÁDIO PAMPA


Hoje, a partir da meia-noite na Rádio Pampa AM (970kHz),          
no Programa Tribuna Popular com o apresentador: 
Altair Venzon, estaremos conversando sobre psicanálise e poesia. 
Psicanálise: os sentimentos e o bem que faz falar deles.
Melhor falar também na 3ª idade, velhice sem preconceito.


E a poesia dos grandes poetas nos tocará como só
a poesia faz, de maneira surpreendende e diferente
para cada um.


Com as psicanalistas do Grupo Cero:
Lúcia Bins Ely e Anelore Schumann.



"A escritura é o menos nosso que temos, é ela inteira, toda para o futuro."
Miguel Oscar Menassa


Tu podes interagir ao vivo ligando para a rádio!


Na internet: www.radiopampa.com.br

sábado, 21 de novembro de 2009

LENDO OS GRANDES POETAS


NEUROLINGÜISTICA



Adélia Prado




Quando ele me disse


ô linda,


pareces uma rainha,


fui ao cúmice do ápice


mas segurei meu desmaio.


Aos sessenta anos de idade,


vinte de casta viuvez,


quero estar bem acordada,


caso ele fale outra vez.






Do livro: "Oráculos de Maio", Editora Siciliano,1999

dia 04 de dezembro, estaremos fazendo uma homenagem à Adélia Prado, em nosso SARAU 2001Noites - uma homenagem à Adélia Prado...
com a parceria da Biblioteca Pública do Estado,
Local: Auditorio Natho Hann
         4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana
às 19h - Porto Alegre
traga seu poema predileto desta autora
e/ou poemas proprios para ler no Sarau.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fotos GRUPO CERO na 55ª FEIRA DO LIVRO DE PoA




SARAU em homenagem aos 250 anos do nascimento de F. Schiller



Público atento à leitura dos poemas de Schiller



Uli Kaup, Anelore Schumann, Ilse, Eliane Marques, Barbara Corsetti, Vitor Folker Ganz e Lúcia Bins Ely
ao final do Sarau



Mesa-redonda: Por que Psicanálise e Poesia?



Público participante do Bate-papo: psicanálise e poesia



Autógrafos: RELICÁRIO - Eliane Marques - GRUPO CERO


CADÁVER ESQUISITO

10 de novembro de 2009


antes do tempo perdido

entre reliquias, a poesia

enquanto as palavras

saem a voar...

vem logo, de longe

espelho a transparecer

já se sabia que podia ser amor eterno

do sol da noite brota 1 estrela


ou:


do sol da noite brota 1 estrela

já se sabia que podia ser amor eterno

vem logo, de longe

espelho a transparecer

enquanto as palavras

saem a voar...

entre reliquias, a poesia

antes do tempo perdido




Escrito na noite comemorando o sucesso das atividades do Grupo Cero na 55ª Feira do Livro de PoA: Lançamento do RELICÁRIO - Eliane Marques - GRUPO CERO;
Sarau em Homenagem a Schiller e Por que psicanálise e poesia?

sábado, 31 de outubro de 2009

CONVITE:




OBS.: A primeira atividade é uma parceria com o Instituto Goethe de Porto Alegre.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

POESIA CERO


Entreabertas loucuras e solidões
aterrisam neste breu
mescla-se violência e candura
nas crianças que ninguém vê que
vêm e morrem sorrindo.

Os peixes absorvem rápido o estremecimento
as mulheres dão folhas
e um ramo abrupto de relâmpagos
colhe com sutileza todo o
derramado...

E por baixo da terra vive
um fomento de luz
que morde
E colhe o supremo e o supérfluo
e as palavras que escorreram
do relâmpago, da mulher e
da morte das crianças...



Lúcia Bins Ely (Integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

domingo, 25 de outubro de 2009

POESIA CERO: poema de RELICÁRIO - primeiro poemário de Eliane Marques


CORTEJO



mães
da sepultura
sem dono


taconeiam
epitáfio
de salto


cadáveres
indecisos
marcham


com
olhos
arrancados



à frente


copos-de-leite
urinam
morte
em meus braços

ELIANE MARQUES (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
In: RELICÁRIO
Primeiro poemário da autora a ser lançado nesta 55ª Feira do Livro de PoA
em 10 de novembro às 20h30; com Mesa Redonda: Por que psicanálise e poesia?
às 19h na Sala Oeste do Santander Cultural)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES POETAS


EL INCENDIO DE UN SUEÑO

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
ha sido destruida por las llamas.
aquella biblioteca del centro.
con ella se fue
gran parte de mi
juventud.

estaba sentado en uno de aquellos bancos
de piedra cuando mi amigo
Baldy me
preguntó:
"¿vas a alistarte en
la brigada
Abraham Lincoln?"

"claro", contesté
yo.

pero, al darme cuenta de que yo no era
un idealista político
ni un intelectual
renegué de aquella
decisión
más tarde.

yo era un lector
entonces
que iba de una sala a
otra: literatura, filosofía,
religión, incluso medicina
y geología.

muy pronto
decidí ser escritor,
pensaba que sería la salida
más fácil
y los grandes novelistas no me parecían
demasiado dificiles.
tenía mas problemas con
Hegel y con Kant.

lo que me fastidiaba
de todos ellos
es que
les llevara tanto
lograr decir algo
lúcido y/
o
interesante.
yo creía
que en eso
los sobrepasaba a todos
entonces.

descubrí dos
cosas:
a) que la mayoría de los editores creía que
todo lo que era aburrido
era profundo.
b) que yo pasaría décadas enteras
viviendo y escribiendo
antes de poder
plasmar
una frase que
se aproximara un poco
a lo que quería
decir.

entretanto
mientras otros iban a la caza de
damas,
yo iba a la caza de viejos
libros,
era un bibliófilo, aunque
desencantado,
y eso
y el mundo
configuraron mi carácter.

vivía en una cabaña de contrachapado
detrás de una pensión de 3 dólares y medio
a la semana
sintiéndome un
Chatterton
metido dentro de una especie de
Thomas
Wolfe.

mi principal problema eran
los sellos, los sobres, el papel
y
el vino,
mientras el mundo estaba al borde
de la Segunda Guerra Mundial.
todavía no me había
atrapado
lo femenino, era virgen
y escribía entre 3 y
5 relatos por semana
y todos
me los devolvían, rechazados por
el New Yorker, el Harper´s,
el Atlantic Monthly.
había leido que
Ford Madox Ford solía empapelar
el cuarto de baño
con las notas que recibía rechazando sus obras
pero yo no tenía
cuarto de baño, así que las amontonaba
en un cajón
y cuando estaba tan lleno
que apenas podía
abrirlo
sacaba todas las notas de rechazo
y las tiraba
junto con los
relatos.

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
seguía siendo
mi hogar
y el hogar de muchos otros
vagabundos.
discretamente utilizábamos los
aseos
y a los únicos que
echaban de allí
era a los que
se quedaban dormidos en las
mesas
de la biblioteca; nadie ronca como un
vagabundo
a menos que sea alguien con quien estás
casado.

bueno, yo no era realmente un
vagabundo. yo tenía tarjeta de la biblioteca
y sacaba y devolvía
libros,
montones de libros,
siempre hasta el
límite
de lo permitido:
Aldous Huxley, D.H. Lawrence,
e.e. cummings, Conrad Aiken, Fiódor
Dos, Dos Passos, Turguénev, Gorki,
H.D. Freddie Nietzche,
Shopenhauer,
Steinbeck,
Hemingway,
etc.

siempre esperaba que la bibliotecaria
me dijera: "que buen gusto tiene usted,
joven."
pero la vieja
puta
ni siquiera sabía
quién era ella,
cómo iba a saber
quién era yo.

pero aquellos estantes contenían
un enorme tesoro: me permitieron
descubrir
a los poetas chinos antiguos
como Tu Fu y Li
Po
que son capaces de decir en un
verso más que la mayoria en
treinta o
incluso en ciento.
Sherwood Anderson debe de haberlos
leído
también.

también solía sacar y devolver
los Cantos
y Ezra me ayudó
a fortalecer los brazos si no
el cerebro.

maravilloso lugar
la Biblioteca Pública de Los Angeles
fue un hogar para alguien que había tenido
un
hogar
infernal
ARROYOS DEMASIADO ANCHOS PARA SALTARLOS
LEJOS DEL MUNDANAL RUIDO
CONTRAPUNTO
EL CORAZÓN ES UN CAZADOR SOLITARIO

James Thurber
John Fante
Rabelais
De Maupassant

algunos no me
decían nada: Shakespeare, G.B. Shaw,
Tolstói, Robert Frost, F. Scott
Fitzgerald

Upton Sinclair me llegaba
más
que Sinclair Lewis
y consideraba a Gogol y a
Dreiser tontos
de remate

pero tales juicios provenían mas
del modo en que un hombre
se ve obligado a vivir que de
su razón.

la vieja Biblioteca Pública de Los Angeles
muy probablemente evitó
que me convirtiera en un
suicida,
un ladrón
de bancos,
un tipo
que pega a su mujer,
un carnicero o
un motorista de la policía
y, aunque reconozco que
puede que alguno sea estupendo,
gracias
a mi buena suerte
y al camino que tenía que recorrer,
aquella biblioteca estaba
allí cuando yo era
joven y buscaba
algo
a lo que aferrarme
y no parecía que hubiera
mucho.

y cuando abrí el
periodico
y leí la noticia sobre el incendio
que había destruido la
biblioteca y la mayor parte de
lo que en ella había

le dije a mi
mujer: "yo solía pasar
horas y horas
allí …"

(CHARLES BUKOWSKI: A BIBLIOTECA INCENDIADA)

domingo, 18 de outubro de 2009

POESIA saindo do forno CERO


No mar da linguagem
a paragem se faz
noite...

no mar da viagem
pousar em teu blog
foi ponte...

atravessar a nado
os horizontes do vazio
e atracar em verso alheio

e seguir no meio...


poesia, o meio que nos faz
verbo
entre nós outros
ligações
verbais
nominais

os versos enredam
na poesia eu e tu

não saberão mais
quem somos
depois do que escrevemos...

a escrever
transformou-se
meu eu
em outro...

Lúcia Bins Ely (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES


NASCIMENTO DE VÊNUS


Esta manhã, depois que a noite inquieta
esmoreceu entre urros, sustos, surtos -
o mar ainda uma vez se abriu e uivou.
E quando o grito aos poucos foi cessando
e do alto o dia pálido emergente
caiu no vórtice dos peixes mudos -
o mar pariu.


Ao sol reluzem os pelos de espuma
do amplo ventre da onda, em cuja borda
surge a mulher, alva, trêmula e úmida.
E como a folha nova que estremece,
se estira e rompe aos poucos a clausura,
ela vai desvelando o corpo à brisa
e ao vento intacto da manhã.


Como luas erguem-se os joelhos claros,
résteas de nuvem soltam-se das coxas,
das pernas caem pequeninas sombras,
os pés se movem bêbados de luz,
vibram as juntas como gorgolhantes
gargantas.


Na taça da bacia jaz o corpo,
como um fruto na mão de uma criança,
o estreito cálice do umbigo encerra
tudo o que é escuro nessa clara vida.
Em baixo alteiam-se as pequenas ondas
que escorrem, incessantes, pelas ancas,
onde, de quando em quando, a espuma chove.
Porém, exposto, sem sombras, emerge,
como um maço de bétulas de abril,
quente, vazio e descoberto, o sexo.


A balança dos ombros paira, ágil,
em equilíbrio sobre o corpo ereto
que irrompe da bacia como fonte
vacilante entre os longos braços fluindo
veloz pela cascata dos cabelos.


Então bem lentamente vem o rosto:
da sombra estreita da reclinação
para a clara altitude horizontal.
Após o qual fecha-se, abrupto, o queixo.

Eis que o pescoço surge como um fluxo
de luz, ou talo, de onde a seiva sobe,
e se estiram os braços como o colo
de um cisne quando busca a ribanceira.


Então, da obscura aurora desse corpo,
ar da manhã, vem o primeiro alento.
No fio mais tênue da árvore das veias
há como que um bulício e o sangue flui
a sussurrar nas fundas galerias,
e essa brisa se expande: agora cresce
com todo o hausto sobre os peitos novos
que se intumescem de ar e a impulsionam,
e como velas côncavas de vento
levam a jovem para a praia.


Assim aportou a deusa.

Atrás dela, pisando a terra nova,
lépida, ergueram-se toda a manhã
flores e caules, quentes, perturbados,
como num beijo. E ela foi e correu.

Porém, ao meio dia, na hora mais intensa,
o mar se abriu de novo e arremeçou
no mesmo ponto o corpo de um delfim.
Morto, roxo e oco.



(RAINER MARIA RILKE IN: As Coisas e os Anjos
tradução de Augusto de Campos)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PSICANÁLISE E POESIA NA RÁDIO PAMPA


Hoje, a partir da meia-noite na rádio Pampa AM (970kHz), conversaremos sobre psicanálise e poesia. Psicanálise: assuntos cotidianos com possibilidade de leituras diferentes.
Como problemáticas da infância e
3ª idade, construindo um futuro.


E a poesia dos grandes poetas nos brindará com novas e diversas versões sobre o humano, sobre o que é valor, o que é a vida.

Com as psicanalistas do Grupo Cero Lúcia Bins Ely e Anelore Schumann.



"A escritura é o menos nosso que temos, é ela inteira, toda para o futuro."
Miguel Oscar Menassa
Aproveite essa onda sonora e participe ligando e fazendo suas perguntas ao vivo!
Ou acesse através do http://www.radiopampa.com.br/!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

LENDO OS GRANDES


Ah, tudo é símbolo e analogia!
O vento que passa, a noite que esfria
São outra cousa que a noite e o vento -
Sombras de vida e de pensamento.

Tudo que vemos é outra cousa.
A maré vasta, a maré ansiosa,
É eco de outra maré que está
Onde é real o mundo que há.

Tudo que temos é esquecimento.
A noite fria, o passar do vento
São sombras de mãos cujos gestos são
A ilusão mãe desta ilusão.

(Fernando Pessoa. In: Fausto. Tragédia
Subjectiva)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CADÁVER ESQUISITO

Vida, vegeto, veloz, vênus.                                   

Entre a poesia, a voz é pura emoção

caricatura do nada, a palavra arde!


O inesperado me espera, me espia,

            me espreita

na tinta que escreve este poema

cavalgando o espaço

                     símbolo e amor

                                  se flecham.


(Cadáver Esquisito produzido na Oficina de Poesia
Grupo Cero no Porto Poesia III, na Casa de Cultura
Mário Quintana)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PORQUE A VIDA É SÓ UM CANTO


Adeus a nossa querida cantante latinoamericana...
Em sua homenagem,
o Versob transcreve poema que ela costumava cantar:

Gracias A La Vida


Violeta Parra

Composição: Violeta Parra

Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me dio dos luceros que, cuando los abro,

Perfecto distingo lo negro del blanco,

Y en el alto cielo su fondo estrellado

Y en las multitudes el hombre que yo amo.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado el oído que, en todo su ancho,

Graba noche y día grillos y canarios;

Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,

Y la voz tan tierna de mi bien amado.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado el sonido y el abecedario,

Con él las palabras que pienso y declaro:

Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando

La ruta del alma del que estoy amando.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado la marcha de mis pies cansados;

Con ellos anduve ciudades y charcos,

Playas y desiertos, montañas y llanos,

Y la casa tuya, tu calle y tu patio.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me dio el corazón que agita su marco

Cuando miro el fruto del cerebro humano;

Cuando miro el bueno tan lejos del malo,

Cuando miro el fondo de tus ojos claros.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.

Así yo distingo dicha de quebranto,

Los dos materiales que forman mi canto,

Y el canto de ustedes que es el mismo canto

Y el canto de todos, que es mi propio canto.



Gracias a la vida que me ha dado tanto.

(Mercedes Sosa, agora imortal,
"Fue la voz de los que no tenían voz en la época
de la dictadura (1976-1983) y llevó la angustia por los derechos humanos en Argentina a todo el mondo," disse o músico Víctor Heredia.)

sábado, 3 de outubro de 2009

POESIA saindo do forno CERO

(grupo de poesia - 26/09/09)

DANÇA DA PALAVRA

Despir-me de tuas palavras e dos mandatos de silencio
onde uma palavra tornava-se um perigo
Mortal.

Despir-me do destino traçado há milhões de anos
mulheres submetidas ao silencio
Forçado.

Despir-me do que
Aprendi.

Uma pequena palavra nasce nessa manhã
ensaia seus primeiros passos
Tímidos.

Anelore Schumann

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CADÁVER ESQUISITO

Grupo de Poesia (26.09.2009)

as palavras pululam no caderno
minha voz rouca apressa a escrita
além de duas caixas, um sofá
conto as palavras e números
que caem na primavera
no passar dos papéis surge
o coringa em pleno dia

atacado era o tempo azul
palavras caem dentro dos versos
as vozes nos cantos ecoam
forte crime entre linhas
bota tira tira rei
as estrelas se penduram
nos galhos das árvores

- você também pode ser integrante
deste Grupo de Poesia
(ligue e se inscreva)
sábados às 11horas -

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

POESIA CERO


ORLA

Te devo um poema
ou uma orla
ou uma areia mais cálida
ou um mar mais tranquilo.
Te devo um verso
com teu nome
com o morno de tua pele
com o calor que pudemos
ou com o gelo eterno do que nunca podemos.

Te devo una frase,
um silencio,
um passo de dança,
um espelho,
um talismã.
Te devo um futuro,
um caracol marinho,
uma historia.
Tenho uma cegueira congênita
para ver de perto.
Tenho uma dívida impagável
com a vida que me deste.
Te devo dever-te.
Te devo.
Ver-te.

Poema de Marcela Villavella
acompanhe seu blog http:\\latramamericana.blogspot.com

sábado, 12 de setembro de 2009

CADÁVER ESQUISITO

Abraço do Vento - Miguel Oscar Menassa

Canto aberto ao sol, poesia.
Do coração para o coração
que dor de cabeça,
mas que poema bom que eu li
Fiquem atentos e cubram-se de poesia
Poesias não são para crianças.
Então porque obrigá-las a decorar poesias?
Sedução...
As incertezas do amor...
Por quê?
Se já os são.
Estamos infinitamente estendidos
Sofremos quando amamos
e um navio afunda no cemitério do tempo

Noite onde a voz humana
conhece o país onde os limões florescem?
e um feiticeiro cinza me enfrenta ao amanhecer
A vida nos reserva muitas surpresas
Arte óética e os tormentos
Não sabia, que as traduções podem ser
tão comoventes como o original. Ou mais.
Deixa a poesia me levar...
Meu Deus, qual é a solução??
Fim


(Cadáver Esquisito - realizado no Sarau 4 Movimentos da Poesia
homenageado: Goethe - parceria entre o Grupo Cero e o Instituto Goethe
onde também Miguel Oscar Menassa conversava com Goethe
através de seus poemas do livro Yo Pecador)
Cadáver Esquisito é um exercício poético que os surrealistas praticavam
cada um do grupo escreve algo e sem que o outro veja, o outro escreve algo,
e assim por diante. E assim se escreve entre várias mãos. Neste caso, todos os
participantes do Sarau interviram neste "Cadáver Esquisito".

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

POESIA saindo do forno CERO

Grupo de Poesia – 05/09/09


MENTIRAS GENTIS

"Sua pele está linda
e seu cabelo tão sedoso"!
- disse a netinha
para a vó vaidosa
na festa de seus 90 anos.
E o rosto amarfanhado
da vozinha
reagiu
em ressonância
com as mentiras gentis
da menina
abrindo um largo sorriso
que iluminou
os cabelos de prata da anciã
e alisou
docemente
todas as suas rugas!

Fátima Graziottin

Venha participar também deste Grupo de Poesia
todos os sábados às 11h
"desperte o poeta que em ti habita!".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PSICANÁLISE E POESIA NA RÁDIO PAMPA


Hoje, a partir da meia-noite na rádio Pampa AM (970kHz), conversaremos sobre psicanálise e poesia. Psicanálise: assuntos cotidianos com possibilidade de leituras diferentes.
E a poesia dos grandes poetas nos brindará com novas e diversas versões sobre o humano, sobre o que é valor, o que é a vida.
Com as psicanalistas do Grupo Cero Lúcia Bins Ely e Barbara Corsetti.

"A escritura é o menos nosso que temos, é ela inteira, toda para o futuro."
Miguel Oscar Menassa
Aproveite essa onda sonora e participe ligando e fazendo suas perguntas ao vivo!
Ou acesse através do http://www.radiopampa.com.br/!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

POESIA saindo do forno CERO


Grupo de Poesia 29/08/09

PÉS DE PRATO

abandona tua noiva
na esquina da terra
onde o campo

é morte

e o homem
foice de sementes
dobradas

marcha contra
o amanhecer
de cada arroio

buraco de espumas
a alimentar cântaros
com o sabão da água

na unha da lavadeira
há uma longa corrida
sobre pés de prato

pranto da tarde que
recebe do pescador
dois peixes nascidos de
um cadáver aos cacos

Eliane Marques


Você também pode vir despertar seu poeta,

num trabalho grupal:

Grupo de Poesia de sábados às 11h

continua aberto a novos integrantes!




quarta-feira, 2 de setembro de 2009

2001 NOITES - desde Menassa!

NOITE 567

Sou o cantor, lhe disse sorridente,
não tenho nada a perder, só meu canto.
Assim que você e eu podemos nos beijar,
pisar forte na terra, voar mais alto.

Eu sei que não é decente amar a vida tanto,
que não é honesto, sincero, querê-la para mim.
Que o infinito fogo deve ser apagado,
que o inquietante desejo deve morrer.
E, no entanto, você e eu poderíamos
fundir-nos levemente no abismo,
encher todo o abismo com meu canto.

Ainda que em verdade ninguém queira isso,
viver poderíamos viver mil anos,
eu seria o cantor e tu, meu canto.

Miguel Oscar Menassa
(do livro “Las 2001 Noches”)
Escute e leia mais poemas deste livro no:
SARAU 2001 NOITES desde Menassa
em homenagem a Drummond
nesta sexta-feira às 19h
na sala Luís Cosme
na Casa de Cultura Mario Quintana
(4º andar)