Homenagem a Elis Regina
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
POESIA MUSICAL BRASILEIRA
(continuação) Homenagem a Elis Regina
Tou fazendo a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Querm tiver me escutando - atenção, atenção
Que me escute com cuidadeo
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando oque bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo agora e louvo sempre
Porque grande sermpreé
Louvo a força do homem
A beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvao a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvo a amizade de amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer
Tou fazendo a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Quem tiver me escutando - atenção, atenção
Falo de peiot lavado
Louvando o que bem emrece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando o que bem emrece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda gente cantar
E assim fiz a louvação, louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado, ser louvado, ser louvado
Se me ouviram com atenção - atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando oruim de lado
Louvando o que bem merece
Deixando o ruim de lado.
Tou fazendo a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Querm tiver me escutando - atenção, atenção
Que me escute com cuidadeo
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando oque bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo agora e louvo sempre
Porque grande sermpreé
Louvo a força do homem
A beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvao a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvo a amizade de amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer
Tou fazendo a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Quem tiver me escutando - atenção, atenção
Falo de peiot lavado
Louvando o que bem emrece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando o que bem emrece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda gente cantar
E assim fiz a louvação, louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado, ser louvado, ser louvado
Se me ouviram com atenção - atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando oruim de lado
Louvando o que bem merece
Deixando o ruim de lado.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
LENDO OS GRANDES POETAS
LOUVAÇÃO - C/ JAIR RODIGUES
(Gilberto Gil/Torquato Neto)
1966
UMA HOMENGEM A ELIS REGINA (lembramos dela ao passarem 30 anos de sua morte)
Vou fazer a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção - atenção, atenção
E me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado.
(continuará)
ELIS REGINA C/ JAIR RODRIGUES de Gilberto Gil/ Torquato Neto (1966)
(Gilberto Gil/Torquato Neto)
1966
UMA HOMENGEM A ELIS REGINA (lembramos dela ao passarem 30 anos de sua morte)
Vou fazer a louvação, louvação, louvação
Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção - atenção, atenção
E me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado.
(continuará)
ELIS REGINA C/ JAIR RODRIGUES de Gilberto Gil/ Torquato Neto (1966)
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Norma e Miguel Oscar Menassa: Recital de Poesia em Madrid
Nota de imprensa do Recital de Poesia dos Irmãos Menassa
Um camina às vezes pelas ruas da cidade e pensa na guerra, nos corpos mutilados, enquanto escuta o som ensurdecedor das buzinas e sente em suas mucosas a fumaça das fábricas e dos tubos de escape. E a palavra crise, como uma funda arrojada com sua pedra dá golpes em sua cabeça, uma e outra vez, até lhe fazer sangrar. Então, de repente, no centro do coração da cidade, se abrem umas portas e se transpassa o umbral que nos separa da poesia e se entra em outro mundo. Ali, digamos por exemplo numa quarta-feira dia 11 de Janeiro do recém estreado 2012 na Fundação Progresso e Cultura, duas vozes musicais se derramam na noite madrilenha, fazendo a luz nas trevas.
A primeira voz, com matizes irisados, forte voz masculina, de herculínea potência: Miguel Menassa, que é muitos poetas, é um poeta do povo, simples e veraz, como nos mostra em Espelho delirante, é um poeta social, leia-se a Lei do estrangeiro, é um poeta lírico, como demonstra desnudando a poesia em Arte Poética, é um jogral de um amor inexistente, porque como ele bem diz, há almas que até que não se as invente, não se as conhecerá, e Menassa inventou outra maneira de amar, como se faz patente em sua belíssima composição: À medida que me aproximo aos 70 anos. Um amor, que apesar de burlar a morte emudecendo-a com sua beleza, sabe que algum dia, morrerá. Um amor que renuncia à eternidade para desdobrar-se em toda sua humanidade.
A Guerra, O Amor e a Poesia passadas pela pluma, e não é que não haja mortos, nem cidade, nem sangue, nem crise neste mundo poético, é que já as palavras não ficam trancadas como um bolo indigerível na garganta, e o indizível se recobre de versos, e se faz o mundo transitável, a tristeza bela, a dor suportável, e a alegria, que tantos estragos produz, rende mais que o pânico, e está permitido se olhar amavelmente e sorrir ao companheiro, porque estamos em festa, e ao fim e ao cabo, a poesia, permite também o amor. Isso, o indizível, foi dito sem saber, e uma aflição que o cidadão caminhante sentia sobre o peito se vai aliviando, como se uma mão caliente tivesse se aplicado sobre esse peito dolorido.
A segunda voz, Norma Menassa, cujo timbre é o canto de uma mulher serena, sábia caminhante pelos caminhos do poema, também se joga a nos mostrar que a história dos povos, há que ir buscá-la nos poetas, leiam as Democracias tiram sarro de mim, e comprenderão o instante, como o poeta é o que deixa as senhas aos homens futuros de que houve outros seres como eles, que amaram, que se mataram uns aos outros tolamente, por un pedaço de
pão ou de petróleo, e que depois, retirando o fuzil ou abandonando a cama, assinaram com seu nome aqueles versos que falavam da guerra, do amor ou da poesia. É imperdível o poema: A poesia não estorva.
Eu me pregunto: a energia que têm os Menassa, esse Gozo que demonstravam lendo, esse sorriso derramado sobre cada poema, com a satisfação que dá brindar ao outro o trabalho realizado (não é outra coisa a leitura de poemas). Essa energia a psicanálise a produz ou a poesia a produz? Para mim não há dúvida. Os poetas de 70 anos que conheço fora do círculo Grupo Cero, não gozam de semelhante fortaleza, de um ímpeto que tendo chegado e transpassado as costas dos 70, não declina. A máquina que gera o desejo, é a psicanálise. A psicanálise que está presente em toda a obra destes irmãos poetas, que puderam pensar um amor diferente, um mundo aquém das guerras, uma poesia, donde um sujeito grupal e seu desejo são o coração do poema.
Grupo Cero
Um camina às vezes pelas ruas da cidade e pensa na guerra, nos corpos mutilados, enquanto escuta o som ensurdecedor das buzinas e sente em suas mucosas a fumaça das fábricas e dos tubos de escape. E a palavra crise, como uma funda arrojada com sua pedra dá golpes em sua cabeça, uma e outra vez, até lhe fazer sangrar. Então, de repente, no centro do coração da cidade, se abrem umas portas e se transpassa o umbral que nos separa da poesia e se entra em outro mundo. Ali, digamos por exemplo numa quarta-feira dia 11 de Janeiro do recém estreado 2012 na Fundação Progresso e Cultura, duas vozes musicais se derramam na noite madrilenha, fazendo a luz nas trevas.
A primeira voz, com matizes irisados, forte voz masculina, de herculínea potência: Miguel Menassa, que é muitos poetas, é um poeta do povo, simples e veraz, como nos mostra em Espelho delirante, é um poeta social, leia-se a Lei do estrangeiro, é um poeta lírico, como demonstra desnudando a poesia em Arte Poética, é um jogral de um amor inexistente, porque como ele bem diz, há almas que até que não se as invente, não se as conhecerá, e Menassa inventou outra maneira de amar, como se faz patente em sua belíssima composição: À medida que me aproximo aos 70 anos. Um amor, que apesar de burlar a morte emudecendo-a com sua beleza, sabe que algum dia, morrerá. Um amor que renuncia à eternidade para desdobrar-se em toda sua humanidade.
A Guerra, O Amor e a Poesia passadas pela pluma, e não é que não haja mortos, nem cidade, nem sangue, nem crise neste mundo poético, é que já as palavras não ficam trancadas como um bolo indigerível na garganta, e o indizível se recobre de versos, e se faz o mundo transitável, a tristeza bela, a dor suportável, e a alegria, que tantos estragos produz, rende mais que o pânico, e está permitido se olhar amavelmente e sorrir ao companheiro, porque estamos em festa, e ao fim e ao cabo, a poesia, permite também o amor. Isso, o indizível, foi dito sem saber, e uma aflição que o cidadão caminhante sentia sobre o peito se vai aliviando, como se uma mão caliente tivesse se aplicado sobre esse peito dolorido.
A segunda voz, Norma Menassa, cujo timbre é o canto de uma mulher serena, sábia caminhante pelos caminhos do poema, também se joga a nos mostrar que a história dos povos, há que ir buscá-la nos poetas, leiam as Democracias tiram sarro de mim, e comprenderão o instante, como o poeta é o que deixa as senhas aos homens futuros de que houve outros seres como eles, que amaram, que se mataram uns aos outros tolamente, por un pedaço de
pão ou de petróleo, e que depois, retirando o fuzil ou abandonando a cama, assinaram com seu nome aqueles versos que falavam da guerra, do amor ou da poesia. É imperdível o poema: A poesia não estorva.
Eu me pregunto: a energia que têm os Menassa, esse Gozo que demonstravam lendo, esse sorriso derramado sobre cada poema, com a satisfação que dá brindar ao outro o trabalho realizado (não é outra coisa a leitura de poemas). Essa energia a psicanálise a produz ou a poesia a produz? Para mim não há dúvida. Os poetas de 70 anos que conheço fora do círculo Grupo Cero, não gozam de semelhante fortaleza, de um ímpeto que tendo chegado e transpassado as costas dos 70, não declina. A máquina que gera o desejo, é a psicanálise. A psicanálise que está presente em toda a obra destes irmãos poetas, que puderam pensar um amor diferente, um mundo aquém das guerras, uma poesia, donde um sujeito grupal e seu desejo são o coração do poema.
Grupo Cero
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
LENDO OS GRANDES POETAS
LETANÍAS DE NUESTRO SEÑOR
DON QUIJOTE
(continuação)
Ruega por nosotros, que necesitamos
las mágicas rosas, los sublimes ramos
de laurel! Pro nobis ora, gran señor.
(Tiemblan las florestas de laurel del mundo,
y antes que tu hermano vago, Segismundo,
el pálido Hamlet te ofrece una flor.)
Ruega generoso, piadoso, orgulloso;
ruega, casto, puro, celeste, animoso;
por nos intercede, suplica por nos,
pues casi ya estamos sin savia, sin brote,
sin alma, sin vida, sin luz, sin Quijote,
sin pies y sin alas, sin Sancho y sin Dios.
De tantas tristezas, de dolores tantos,
de los superhombres de Nietzsche, de cantos
áfonos, recetas que firma un doctor,
de las epidemias de horribles blasfemias
de las Academias,
líbranos, señor!
De rudos malsines,
falsos paladines,
y espíritus finos y blandos y ruines,
del hampa que sacia
su canallocracia
con burlar la gloria, la vida, el honor,
del puñal con gracia,
líbranos, señor!
Noble peregrino de los peregrinos,
que santificaste todos los caminos
con el paso augusto de tu heroicidad,
contra las certezas, contra las conciencias
y contra las leyes y contra las ciencias,
contra la mentira, contra la verdad...
Ora por nosotros, señor de los tristes,
que de fuerza alientas y de sueños vistes,
coronado de áureo yelmo de ilusión;
que nadie ha podido vencer todavía,
por la adarga al brazo, toda fantasía,
y la lanza en ristre, toda corazón!
RUBÉN DARÍO (Nicaragua 18/01/1867, 06/02/1916)
do Livro Cantos de Vida y Esperanza, Los cisnes y outros poemas (Madrid,1905)
DON QUIJOTE
(continuação)
Ruega por nosotros, que necesitamos
las mágicas rosas, los sublimes ramos
de laurel! Pro nobis ora, gran señor.
(Tiemblan las florestas de laurel del mundo,
y antes que tu hermano vago, Segismundo,
el pálido Hamlet te ofrece una flor.)
Ruega generoso, piadoso, orgulloso;
ruega, casto, puro, celeste, animoso;
por nos intercede, suplica por nos,
pues casi ya estamos sin savia, sin brote,
sin alma, sin vida, sin luz, sin Quijote,
sin pies y sin alas, sin Sancho y sin Dios.
De tantas tristezas, de dolores tantos,
de los superhombres de Nietzsche, de cantos
áfonos, recetas que firma un doctor,
de las epidemias de horribles blasfemias
de las Academias,
líbranos, señor!
De rudos malsines,
falsos paladines,
y espíritus finos y blandos y ruines,
del hampa que sacia
su canallocracia
con burlar la gloria, la vida, el honor,
del puñal con gracia,
líbranos, señor!
Noble peregrino de los peregrinos,
que santificaste todos los caminos
con el paso augusto de tu heroicidad,
contra las certezas, contra las conciencias
y contra las leyes y contra las ciencias,
contra la mentira, contra la verdad...
Ora por nosotros, señor de los tristes,
que de fuerza alientas y de sueños vistes,
coronado de áureo yelmo de ilusión;
que nadie ha podido vencer todavía,
por la adarga al brazo, toda fantasía,
y la lanza en ristre, toda corazón!
RUBÉN DARÍO (Nicaragua 18/01/1867, 06/02/1916)
do Livro Cantos de Vida y Esperanza, Los cisnes y outros poemas (Madrid,1905)
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Rubén Darío
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
LENDO OS GRANDES POETAS
LETANÍAS DE NUESTRO SEÑOR DON QUIJOTE
A Navarro Ledesma
Rey de los hidalgos, señor de los tristes,
que de fuerza alientas y de ensueños vistes,
coronado de áureo yelmo de ilusión;
que nadie ha podido vencer todavía,
por la adarga al brazo, toda fantasía,
y la lanza en ristre, toda corazón.
Noble peregrino de los peregrinos,
que santificaste todos los caminos
con el paso augusto de tu heroicidad,
contra las certezas, contra las consciencias,
y contra las leyes y contra las ciencias,
contra la mentira, contra la verdad...
Caballero errante de los caballeros,
barón de varones, príncipe de fieros,
par entre los pares, maestro, salud!
Salud! porque juzgo que hoy muy poca tienes,
entre los aplausos o entre los desdenes,
y entre las coronas y los parabienes
y las tonterías de la multitud!
Tú, para quien pocas fueron las victorias
antiguas, y para quien clásicas glorias
serían apenas de ley y razón,
soportas elogios, memorias, discursos,
resistes certámenes, tarjetas, concursos,
y, teniendo a Orfeo, tienes a orfeón!
Escucha, divino Rolando del sueño,
a un enamorado de tu Clavileño,
y cuyo Pegaso relincha hacia ti;
escucha los versos de estas letanías,
hechas con las cosas de todos los días
y con otras que en lo misterioso vi.
Ruega por nosotros, hambrientos de vida,
con el alma a tientas, con la fe perdida,
llenos de congojas y faltos de sol;
por advenedizas almas de manga ancha,
que ridiculizan el ser de la Mancha,
el ser generoso y el ser español!
(continuará)
RUBEM DARÍO (Nicaragua 18/01/1867, 06/02/1916)
do Livro Cantos de Vida y Esperanza, Los cisnes y ouros poemas (Madrid,1905)
A Navarro Ledesma
Rey de los hidalgos, señor de los tristes,
que de fuerza alientas y de ensueños vistes,
coronado de áureo yelmo de ilusión;
que nadie ha podido vencer todavía,
por la adarga al brazo, toda fantasía,
y la lanza en ristre, toda corazón.
Noble peregrino de los peregrinos,
que santificaste todos los caminos
con el paso augusto de tu heroicidad,
contra las certezas, contra las consciencias,
y contra las leyes y contra las ciencias,
contra la mentira, contra la verdad...
Caballero errante de los caballeros,
barón de varones, príncipe de fieros,
par entre los pares, maestro, salud!
Salud! porque juzgo que hoy muy poca tienes,
entre los aplausos o entre los desdenes,
y entre las coronas y los parabienes
y las tonterías de la multitud!
Tú, para quien pocas fueron las victorias
antiguas, y para quien clásicas glorias
serían apenas de ley y razón,
soportas elogios, memorias, discursos,
resistes certámenes, tarjetas, concursos,
y, teniendo a Orfeo, tienes a orfeón!
Escucha, divino Rolando del sueño,
a un enamorado de tu Clavileño,
y cuyo Pegaso relincha hacia ti;
escucha los versos de estas letanías,
hechas con las cosas de todos los días
y con otras que en lo misterioso vi.
Ruega por nosotros, hambrientos de vida,
con el alma a tientas, con la fe perdida,
llenos de congojas y faltos de sol;
por advenedizas almas de manga ancha,
que ridiculizan el ser de la Mancha,
el ser generoso y el ser español!
(continuará)
RUBEM DARÍO (Nicaragua 18/01/1867, 06/02/1916)
do Livro Cantos de Vida y Esperanza, Los cisnes y ouros poemas (Madrid,1905)
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
LENDO OS GRANDES POETAS
A YOLANDA GUEDES
Ao ano velho e caduco,
que se despede cansado,
daqui de Joaquim Nabuco
venho dizer: Obrigado!
Pelo que deste não deste
(nem tudo se logra obter),
pela franja azul-celeste
que ainda se pode ver;
pela brisa de Ipanema
com cheiro de sal e viagens;
por esse ou aquele poema
e sua ronda de imagens
pelo pouco de água clara
que o Prefeito nos mandou,
e pela delícia rara
com que a rua o festejou;
pelo riso das meninas
a passear de bicicleta;
pelas doces, pelas finas
emoções da tarde quieta;
pela santa luminosa
que em carro de ouro sorria
e, qual fantástica rosa,
transformava a noite em dia;
pela visita do neto,
que veio e que voltará;
pela corrente de afeto
que a vida sempre nos dá;
por tudo que o acaso trouxe,
ou melhor, o coração,
de leve, tranquilo e doce,
e que não cabe na mão;
pela mensagem de Yolanda,
Marlene, Wanda, e seus dois
irmãos - da minha varanda
aqui te agradeço, pois
a graça do sentimento
ilumina este momento.
Carlos Drummond de Andrade (Minas Gerais - 1902; Rio de Janeiro - 1987)
Ao ano velho e caduco,
que se despede cansado,
daqui de Joaquim Nabuco
venho dizer: Obrigado!
Pelo que deste não deste
(nem tudo se logra obter),
pela franja azul-celeste
que ainda se pode ver;
pela brisa de Ipanema
com cheiro de sal e viagens;
por esse ou aquele poema
e sua ronda de imagens
pelo pouco de água clara
que o Prefeito nos mandou,
e pela delícia rara
com que a rua o festejou;
pelo riso das meninas
a passear de bicicleta;
pelas doces, pelas finas
emoções da tarde quieta;
pela santa luminosa
que em carro de ouro sorria
e, qual fantástica rosa,
transformava a noite em dia;
pela visita do neto,
que veio e que voltará;
pela corrente de afeto
que a vida sempre nos dá;
por tudo que o acaso trouxe,
ou melhor, o coração,
de leve, tranquilo e doce,
e que não cabe na mão;
pela mensagem de Yolanda,
Marlene, Wanda, e seus dois
irmãos - da minha varanda
aqui te agradeço, pois
a graça do sentimento
ilumina este momento.
Carlos Drummond de Andrade (Minas Gerais - 1902; Rio de Janeiro - 1987)
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
POESIA SAINDO DO FORNO
FUMAÇA MORTAL
"Con todas mis muertes
yo me entrego a mi muerte,
con puñados de infancia..."
Alejandra Pizarnik
I
vejo a morte
canoeira
mareando
me nina
Mãe morta
outra volta
um tiro nas costas
- não -
quero arrancar
da palma
poema
II
vida sobre morte
morte sobrevinda
entre
cadáveres
suicídio
black tie
loose
die
a morte
dá compasso
dá vida.
Lúcia Bins Ely
do Livro:
SOMBRA E LUZ (LANÇAMENTO 2011)
"Con todas mis muertes
yo me entrego a mi muerte,
con puñados de infancia..."
Alejandra Pizarnik
I
vejo a morte
canoeira
mareando
me nina
Mãe morta
outra volta
um tiro nas costas
- não -
quero arrancar
da palma
poema
II
vida sobre morte
morte sobrevinda
entre
cadáveres
suicídio
black tie
loose
die
a morte
dá compasso
dá vida.
Lúcia Bins Ely
do Livro:
SOMBRA E LUZ (LANÇAMENTO 2011)
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
POEMA 35
É um momento de criação infinita,
me disse, estou a ponto de morrer.
Enquanto isso gozava pouco ou mais ou menos
a vida com ela era um idílio de sonhos,
tínhamos grandes peleias, sobretudo,
no dia depois
de haver gozado com exagero.
À noite, que trepada! Santo Deus!
Na manhã seguinte, propriamente, o calvário.
No princípio, sempre queria matá-la
até que um dia pude compreender
que era seu gozo o que a matava.
Cada vez que me causava dano
eu, em vinganço, a fazia gozar.
O gozo me sobressalta, não posso evitar,
primeiro sofreo porque sinto que vou morrer,
depois, quando me encontro relaxada e tranquila,
toda viva, sofro porque algum humano me salvou.
O ódio mais profundo sinto
quando me dou conta que devo tudo a ele,
um dia, ele me disse:
vagina funcionará, e vagina uncionou.
Depois, na metade de uma trepada,
me disse com ternura: a mulher deve poder
dizer toas as suas coisas, escrevê-las,
fazer de suas coisas a história da mulher,
de nosso tempo, de nosso mundo.
Depois, me ensinou a amar o trabalho
e ontem à noite me disse: já és livre.
Já sabes escrever, amar e trabalhar
e isso é o que necessita uma mulher
para poder produzir sua própria liberdade.
Escrever para que seja possível a vida.
Amar para poder construir o mundo
no qual haveremos de viver, pensar
e trabalhar para que símbolo e carne
não possam se confundir nunca mais.
Me encanta, disse ela com indolência, a vida
que me propões antes de me abandonar.
E não te perguntaste que, talvez,
prefiro escrever a história de nosso amor
que foi longínquo e impossível
e com o amor seguir insisteindo
ainda que nada se possa de todo ou vem,
e trabalhar só para poder te comprar.
A mim, para dizer a verdade, lhe disse,
não me importam muito os motivos
nem quem haverá de se beneficiar
com o que possas produzir.
Só quero que experimentes
essa virtude do homem
de poder, com suas mãos,
modificar o mundo.
E quanto à poesia e ao amor,
se fosses capaz de entender
a força do trabalho,
te daria plena liberdade.
Podes escrever melhor que eu, se o desejas,
e podes me amar tanto quanto queiras.
E se não és capaz de tant liberdade
podes escrever pior que eu
e podes amar outros amores
ou condenar-te a viver com os enforcados
ou encerrar-te em teu quarto,
limpando os colares e os arinhos de ouro
e passando a blusinha azul e branca
que tua mãe usava antes de morrer.
Também podes, se queres,
romper todos mes beijos,
queimar todas as cartas,
fazer picadinhos dos bordados do tempo
e começar, sozinha, desde o começo,
tudo de novo.
Miguel Oscar Menassa (Buenos Aires, 1940)
do Livro: La Mujer y yo
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trabalho
sábado, 10 de dezembro de 2011
HOMENAGEM À CLARICE LISPECTOR
"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Clarice Lispector nascida Haia Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977)
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim queVocê não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Clarice Lispector....estaria completando 91 anos hoje, nossa homenagem com este poema e mais duas frases suas:
......Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever...
... não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento......
... não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento......
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homenagem à Clarice Lispector
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
SUPERMERCADO DE CALIFORNIA
Esta noche, Walt Whitman, al bajar divagando por apartadas calles con árboles y mirar consciente y preocupado a la luna llena, mucho pensé en ti.
Hambriento y fatigado em mi búsqueda de imágenes, en el supermercado de frutas iluminado con neón penetré y tus enumeraciones evoqué!
Que melocontones y qué penumbras! Familias enteras comprando de noche! Pasillos llenos de maridos! Mujeres entre aguacates, críos entre los tomates! Y tú, García Lorca, que andas haciendo allá abajo junto a las sandías?
A ti te vi, Walt Whitman, sin niño, viejo y solitario desbrozador, hurgando en las carnes del frigorífico y observando a los chicos delos ultramarinos.
Oí como a cada uno le preguntabas: Quién acabó con las tocinerías? A cuánto van los plátanos? Eres tú mi angelito?
Errante anduve siguiéndote por dentro y fuera de los brillantes pisosde latas, seguido imginariamente por el detective del local.
A trancos, juntos en nuestra quimera solitaria, bajamos por despejados corredores probando alcachofas, apoderándonos de los manjares congelados y sin pasar nunca por caja.
Que hacemos ahora, Walt Whitman? Cerrarán dentro de una hora. A qué rumbos apunta esta noche tubarba?
(Tu libro toco y sueño en nuestra aventura del supermercado y veo lo absurdo que fue.)
Divagaremos toda la noche por solitarias calles? Los árboles suman sombra a la sombra, se encienden las luces y en breve vamos a encontrarnos solos los dos.
Vamos a perdernos errantes por el sueño de la América extinuida, América de azules automóviles por sus carreteras, camino de nuestro tranquilo refugio?
Ah querido padre, de barba gris, solitario y viejo maestro del coraje, qué América fue la tuya cuando dejó Caronte de remar y desembarcaste en la humeante margen y en pie viste desaparecer la barca en las sombrías aguas del Leteo?
Alenn Ginsberg ( Newark, Nova Jersey, 3 de junho de 1926 – Nova Iorque, 5 de abril de 1997)
Esta noche, Walt Whitman, al bajar divagando por apartadas calles con árboles y mirar consciente y preocupado a la luna llena, mucho pensé en ti.
Hambriento y fatigado em mi búsqueda de imágenes, en el supermercado de frutas iluminado con neón penetré y tus enumeraciones evoqué!
Que melocontones y qué penumbras! Familias enteras comprando de noche! Pasillos llenos de maridos! Mujeres entre aguacates, críos entre los tomates! Y tú, García Lorca, que andas haciendo allá abajo junto a las sandías?
A ti te vi, Walt Whitman, sin niño, viejo y solitario desbrozador, hurgando en las carnes del frigorífico y observando a los chicos delos ultramarinos.
Oí como a cada uno le preguntabas: Quién acabó con las tocinerías? A cuánto van los plátanos? Eres tú mi angelito?
Errante anduve siguiéndote por dentro y fuera de los brillantes pisosde latas, seguido imginariamente por el detective del local.
A trancos, juntos en nuestra quimera solitaria, bajamos por despejados corredores probando alcachofas, apoderándonos de los manjares congelados y sin pasar nunca por caja.
Que hacemos ahora, Walt Whitman? Cerrarán dentro de una hora. A qué rumbos apunta esta noche tubarba?
(Tu libro toco y sueño en nuestra aventura del supermercado y veo lo absurdo que fue.)
Divagaremos toda la noche por solitarias calles? Los árboles suman sombra a la sombra, se encienden las luces y en breve vamos a encontrarnos solos los dos.
Vamos a perdernos errantes por el sueño de la América extinuida, América de azules automóviles por sus carreteras, camino de nuestro tranquilo refugio?
Ah querido padre, de barba gris, solitario y viejo maestro del coraje, qué América fue la tuya cuando dejó Caronte de remar y desembarcaste en la humeante margen y en pie viste desaparecer la barca en las sombrías aguas del Leteo?
Alenn Ginsberg ( Newark, Nova Jersey, 3 de junho de 1926 – Nova Iorque, 5 de abril de 1997)
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
GRATITUD
Gracias aroma
azul,
fogata
encelo.
Gracias pelo
caballo
mandarino.
Gracias pudor
turquesa
embrujo
vela,
llamarada
quietud
azar
delirio.
Gracias a los racimos
a la tarde,
a la sed
al fervor
a las arrugas,
al silencio
a los senos
a la noche,
a la danza
a la lumbre
a la espesura.
Muchas gracias al humo
a los microbios,
al despertar
al cuerno
a la belleza,
a la esponja
a la duda
a la semilla,
a la sangre
a los toros
a la siesta.
Gracias por la ebriedad,
por la vagancia,
por el aire
la piel
las alamedas,
por el absurdo de hoy
y de mañana,
desazón
avidez
calma
alegría,
nostalgia
desamor
ceniza
llanto.
Gracias a lo que nace,
a lo que muere,
a las uñas
las alas
las hormigas,
los reflejos
el viento
la rompiente,
el olvido
los granos
la locura.
Muchas gracias gusano.
Gracias huevo.
Gracias fango,
sonido.
Gracias piedra.
Muchas gracias por todo.
Muchas gracias.
Oliverio Girondo,
agradecido.
Oliverio Girondo (Buenos Aires, 17/08/1891 - 24/01/1967)
Gracias aroma
azul,
fogata
encelo.
Gracias pelo
caballo
mandarino.
Gracias pudor
turquesa
embrujo
vela,
llamarada
quietud
azar
delirio.
Gracias a los racimos
a la tarde,
a la sed
al fervor
a las arrugas,
al silencio
a los senos
a la noche,
a la danza
a la lumbre
a la espesura.
Muchas gracias al humo
a los microbios,
al despertar
al cuerno
a la belleza,
a la esponja
a la duda
a la semilla,
a la sangre
a los toros
a la siesta.
Gracias por la ebriedad,
por la vagancia,
por el aire
la piel
las alamedas,
por el absurdo de hoy
y de mañana,
desazón
avidez
calma
alegría,
nostalgia
desamor
ceniza
llanto.
Gracias a lo que nace,
a lo que muere,
a las uñas
las alas
las hormigas,
los reflejos
el viento
la rompiente,
el olvido
los granos
la locura.
Muchas gracias gusano.
Gracias huevo.
Gracias fango,
sonido.
Gracias piedra.
Muchas gracias por todo.
Muchas gracias.
Oliverio Girondo,
agradecido.
Oliverio Girondo (Buenos Aires, 17/08/1891 - 24/01/1967)
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
NORMA E PARAÍSO DOS NEGROSOdeiam a sombra do pássaro
na preamar da branca face
e o conflito de luz e vento
no salão da neve fria.
Odeiam a flecha sem corpo,
o lenço exato da despedida,
a agulha que mantém pressão e rosa
no gramíneo rubor do sorriso.
Amam o azul deserto,
as vacilantes expressões bovinas,
a mentirosa lua dos polos,
a dança curva da água na margem.
Com a ciência do tronco e do rastro
enchem de nervos luminosos a argila
e patinam lúbricos por água e areias
degustando a amarga frescura de sua milenária saliva.
É pelo azul rangente,
azul sem verme ou rastro adormecido,
onde os ovos de avestruz ficam eternos
e deambulam intactas as chuvas bailarinas.
É pelo azul sem história,
azul de uma noite sem temor de dia,
azul onde a nudez do vento vai quebrando
os camelos sonâmbulos das nuvens vazias.
É ali onde sonham os torsos sob a gula da erva.
Ali os corais empapam o desespero da tinta,
os dormentes apagam seus perfis sob a madeixa dos caracóis
e fica o oco de dança sobre as últimas cinzas.
Federico García Lorca (Granada, 05/06/1898 - Granada, 17 ou 18/08/1936)
do livro Poeta em Nova Iorque.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Frases sobre um escritor
"A morte é para um escritor um ponto e um parágrafo. E se é mais que isso, o escritor terá que se psicanalisar."Miguel Oscar Menassa (1940, Buenos Aires)
do livro: El Oficio de Morir
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011
POESIA SAINDO DO FORNO
![]() |
| (Culturamix) |
1.
quando das feridas
se abrir a noite
saberá o grito
revém do arroio
rever seus pedaços
de nome, unhas e, bem
ao lado da vinha, marfins
essa marcha é
a fome que o peso
do corpo suporta
uvas, nunca consolo
aos elefantes da solidão
2.
na manada, tudo
tem patas cicatrizes
ossos, tem,
na garganta
o ruído da morte
oh corpo que arrasta
a poeira desse arroio,
o quê se mastiga só?
3.
a vinha,
grito que se mete
na presa das manhãs
a uva,
corcova de espinhos
raiz de navalha
corte de semente
tromba ou arroio
a menor das facas,
ainda assim, cabe na
dinastia desse homem
Eliane Marques (Integrante do Grupo de Poesia Cero)
No livro: Casa do Poeta Rio-Grandense 47 anos
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
VARIACIONES SOBRE EL TIEMPO
Tiempo:
te has vestido con la piel carcomida del último profeta;
te has gastado la cara hasta la extrema palidez;
te has puesto una corona hecha de espejos rotos y lluviosos jirones,
y salmodias ahora el balbuceo del porvenir con las desenterradas melodías de antaño,
mientras vagas en sombras por tu hambriento escorial, como los reyes locos.
No me importan ya nada todos tus desvaríos de fantasma inconcluso,
miserable anfitrión.
Puedes roer los huesos de las grandes promesas en sus desvencijados catafalcos
o paladear el áspero brebaje que rezuman las decapitaciones.
Y aún no habrá bastante,
hasta que no devores con tu corte goyesca la molienda final.
Nunca se acompasaron nuestros pasos en estos entrecruzados laberintos.
Ni siquiera al comienzo,
cuando me conducías de la mano por el bosque embrujado
y me obrigabas a correr sin aliento detrás de aquella torre inalcanzable
o a descubrir siempre la misma almendra con su oscuro sabor de miedo y de inocencia.
Ah, tu plumaje azul brillando entre las ramas!
No pude embalsamarte ni coneguí extraer tu corazón como un manzana de oro.
Demasiado apremiante,
fuiste después el látigo que azuza,
el cochero imperial arrollándome entre las patas de sus bestias.
Demasiado moroso,
me condenaste a ser el rehén ignorado,
la víctima sepultada hasta los hombros entre siglos de arena.
Hemos luchado a veces cuerpo a cuerpo.
Nos hemos disputado como fieras cada porción de amor,
cada pacto firmado con la tinta que fraguas en alguna instantánea eternidad,
cada rostro esculpido en la inconstancia de las nubes viajeras,
cada casa erigida en la corriente que no vuelve.
Lograste arrebatarme uno por uno esos desmenuzados fragmentos de mis templos.
No vacíes la bolsa.
No exhibas tus trofeos.
No relates de nuevo tus hazañas de vergonzoso gladiador en las desmesuradas galerías del eco.
Tampoco yo te concedí una tregua.
Violé tus estatutos.
Forcé tus cerrraduras y subí a los graneros que denominan porvenir.
Hice una sola hoguera con todas tus edades.
Te volví del revés igual que a un maleficio que se quiebra,
o mezclé tus recintos como en un anagrama cuyas letras truecan el orden y cambian el sentido.
Te condensé hasta el punto de una burbuja inmóvil,
opaca, prisionera en mis vidriosos cielos.
Estiré tu piel seca en leguas de memoria,
hasta que la horadaron los pálidos agujeros del olvido.
Algún golpe de dados te hizo vacilar sobre el vacío inmenso entre dos horas.
Hemos llegado lejos en este juego atroz, acorralándonos el alma.
Sé que no habrá descanso,
y no me tientas, no, con dejarme invadir por la plácida sombra de los vegetales centenarios,
aunque de nada me valga estar en guardia,
aunque al final de todo estés de pie, recibiendo tu paga,
el mezquino soborno que acuñan en tu honor las roncas maquinarias de la muerte,
mercenario.
Y no escribas entonces en las fronteras blancas "nunca más"
con tu mano ignorante,
como si fueras algún dios de Dios,
un guardián anterior, el amo de ti mismo en otro tú que colma las tinieblas.
Tal vez seas apenas la sombra más infiel de alguno de sus perros.
OLGA OROZCO ( 1920, Toay, La Pampa, Argentina - 1999, Argentina)
do livro: Obra Poética
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sábado, 12 de novembro de 2011
47ª Coletânea Casa do Poeta Rio-grandense
SÓLO DURA LO EFÍMERO
Buscando en un libro de Cortázar
la frase "solo dura lo efímero", encontre
el cuaderno de tapas negras que quise
mostrarte.
Pocas hojas escritas, algún dibujito hecho
con birome,
un fecha que ya no marca nada,
y los poemas de amor que quise mostrarte.
Quise decirte: Sólo dura lo efímero,
los caminos o los libros,
los grillos, las olas
y los cuadernos de tapas negras,
las agendas y las carreteras.
Tus ojos descansan sobre algunas letras,
tus pasos, tu voz en cada esquina,
y lo efímero:
los ferrocarriles, los aviones, las escaleras
mecânicas
el amanecer y el crepúsculo
- donde te encuentro -,
y Julio Cortázar
Rayuela y vos
y lo efímero:
"el único inmortal".
Marcela Villavella (Buenos Aires, 1956)
Buscando en un libro de Cortázar
la frase "solo dura lo efímero", encontre
el cuaderno de tapas negras que quise
mostrarte.
Pocas hojas escritas, algún dibujito hecho
con birome,
un fecha que ya no marca nada,
y los poemas de amor que quise mostrarte.
Quise decirte: Sólo dura lo efímero,
los caminos o los libros,
los grillos, las olas
y los cuadernos de tapas negras,
las agendas y las carreteras.
Tus ojos descansan sobre algunas letras,
tus pasos, tu voz en cada esquina,
y lo efímero:
los ferrocarriles, los aviones, las escaleras
mecânicas
el amanecer y el crepúsculo
- donde te encuentro -,
y Julio Cortázar
Rayuela y vos
y lo efímero:
"el único inmortal".
Marcela Villavella (Buenos Aires, 1956)
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
Fui o que se chama de um bom fenício em tudo.
Não era navegar por navegar, meu ofício,
meu ofício era me estender entre os portos.
Não era navegar por navegar, meu ofício,
meu ofício era me estender entre os portos.
Rosa perdida de perfumes rotos,
cor de solidão, deixava em cada porto,
um infinito broto de loucura.
cor de solidão, deixava em cada porto,
um infinito broto de loucura.
Não estou perdido de amores, mas de tédio:
já ninguém corre pelos degraus de minha mente como tu,
já ninguém abre sua fonte com alegria e desejo para mim.
Eu já não vejo teus olhos no profundo de minhas mãos.
já ninguém corre pelos degraus de minha mente como tu,
já ninguém abre sua fonte com alegria e desejo para mim.
Eu já não vejo teus olhos no profundo de minhas mãos.
Navegar por navegar não é meu ofício,
arrancar troços do nada e uni-los em conjuro,
esse é meu oficio silencioso e tenaz, como de versos,
meu ofício não se pode aprender, não sabe, é cego.
arrancar troços do nada e uni-los em conjuro,
esse é meu oficio silencioso e tenaz, como de versos,
meu ofício não se pode aprender, não sabe, é cego.
Miguel Oscar Menassa (Buenos Aires, 1940) No Indio Gris (Revista digital:www.indiogris.com) nº 76 e do livro Las 2001 Noches.
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sábado, 5 de novembro de 2011
Convite a todos os amigos do Grupo Cero VersoB:
"Não um triunfo da alma sobre o corpo ou vice-versa, senão algo que nos ponha fora dessa dialética. Algo que nascendo nas entranhas se faça canção sem deixar de ser sangue, paixão enamorada. Uma canção sem a qual seja impossível viver."
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
A alegria da escrita
Para onde corre esta corça escrita pelo bosque escrito?
Vai beber da água escrita
que lhe copia o focinho como papel-carbono?
Por que ergue a cabeça, será que ouve algo?
Apoiada sobre as quatro patas emprestadas da verdade
sob meus dedos apura o ouvido.
Silêncio - também essa palavra ressoa pelo papel
e afasta
os ramos que a palavra "bosque" originou.
Na folha branca se aprontam para o salto
as letras que podem se alojar mal
as frases acossantes,
perante as quais não haverá saída.
Numa gota de tinta há um bom estoque
de caçadores de olho semicerrado
prontos a correr pena abaixo,
rodear a corça, preparar o tiro.
Esquecem-se de que isso não é a vida.
Outras leis, preto no branco aqui vigoram.
Um pestanejar vai durar quanto eu quiser,
e se deixar dividir em pequenas eternidades
cheias de balas suspensas no voo.
Para sempre se eu assim dispuser nada aqui acontece.
Sem meu querer nem uma folha cai
nem um caniço se curva sob o ponto final de um casco.
Existe então um mundo assim
sobre o qual exerço um destino independente?
Um tempo que enlaço com correntes de signos?
Uma existência perene por meu comando?
A alegria da escrita.
O poder de preservar.
A vingança da mão mortal.
Wislawa Szymborska (Bnin-Polônia- 1923)
Tradução de: Regina Przybycien
Para onde corre esta corça escrita pelo bosque escrito?
Vai beber da água escrita
que lhe copia o focinho como papel-carbono?
Por que ergue a cabeça, será que ouve algo?
Apoiada sobre as quatro patas emprestadas da verdade
sob meus dedos apura o ouvido.
Silêncio - também essa palavra ressoa pelo papel
e afasta
os ramos que a palavra "bosque" originou.
Na folha branca se aprontam para o salto
as letras que podem se alojar mal
as frases acossantes,
perante as quais não haverá saída.
Numa gota de tinta há um bom estoque
de caçadores de olho semicerrado
prontos a correr pena abaixo,
rodear a corça, preparar o tiro.
Esquecem-se de que isso não é a vida.
Outras leis, preto no branco aqui vigoram.
Um pestanejar vai durar quanto eu quiser,
e se deixar dividir em pequenas eternidades
cheias de balas suspensas no voo.
Para sempre se eu assim dispuser nada aqui acontece.
Sem meu querer nem uma folha cai
nem um caniço se curva sob o ponto final de um casco.
Existe então um mundo assim
sobre o qual exerço um destino independente?
Um tempo que enlaço com correntes de signos?
Uma existência perene por meu comando?
A alegria da escrita.
O poder de preservar.
A vingança da mão mortal.
Wislawa Szymborska (Bnin-Polônia- 1923)
Tradução de: Regina Przybycien
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