terça-feira, 23 de novembro de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

GERMÁN PARDO GARCÍA

CANTO À FORÇA SINDICAL             

(continuação)

II

E vos digo em nome das inumeráveis alianças que existem
entre os braços do homem trabalhador e os sólidos seres:
vede as harmoniosas árvores se confederando
sobre o poderoso flanco do grande monte antibélico.


Elas são o primeiro símbolo desta força sindical de que vos falo,
contemplando-a desde seu nascimento na argila até sua elevação ao Cosmos,
porque também além as estrelas unem-se para impulsionar o Universo,
arvorado no mastro nuclear de lâmpadas tremendas
com seu fulgir de insetos nebúlicos de ouro.


Vos dou este humano exemplo das árvores porque são criaturas
que estão cada vez mais próximas ao espírito do homem.
Sua iminente incorporação a nossas almas a compreendemos
ao dizer: mais além da vida todos seremos árvores.


Ou ao exclamar: estou só como uma árvore diante da perda do crepúsculo.

Elas fundaram a inicial conciliação de vegetais
para defenderem com seu auxilio o proletario parvifundio.
Ao arbusto individual lhe cresceram outras árvores
e apareceu a fronde civil cheia de vozes e de ruídos,
como nas praças das cidades as multidões famélicas.


Comparo este murmurio das labiais folhas com acento de palavras,
porque elas são assim: dialogantes em seu idioma de verdes monossílabos.
Tem seu misterioso abecedario e conhecem a semântica do vento,
e em elásticos arames de raiz ou esferas úmidas e azuis
gravam fundas inframúsicas que nós não escutamos,
e as revivem ao decair a rápida traição da materia.


(continuará)

(Germán Pardo García - Colombia, 1902, México, 1991)
* Quadro de Miguel Oscar Menassa

sábado, 20 de novembro de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS



RELÁMPAGO CERO
 Miguel Oscar Menassa
  GERMÁN PARDO GARCÍA

CANTO À FORÇA SINDICAL

I

COMPANHEIROS de luta: este canto a vossa força sindical o principio
convocando desde o vermelho mais intenso de meu sangue à morte,
porque jamais sereis os construtores obreiros da vida
se ignorais como trabalham os profundos mecanismos da morte.

Assim começo este canto a vossa força sindical: desde baixo
como se enterrasse os obscuros cimentos de uma casa,
para induzi-la depois com lentidão até a altura de formosos corpos
carregados como todas as densas formas, de potencias elétricas.

Outros homens mais universais diriam este canto
com o nome do sol como insignia em suas bocas, do sol inesgotável
que satura intensamente vermes cosmogônicos
e atiça a rebelião das panteras.

Mas eu, imenso e brutal conhecedor de sombras demoníacas,
afianço-me ao escuro pó com tenacidade de nervos
e lanço este hino como ardente flor de pólvora
que desde o piso ascende à vertigem de tempestades térmicas.

(continuará)
Germán Pardo García (Colombia - 1902, México - 1991)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

Cesare Pavese
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos

"
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos
esta muerte que nos acompaña
desde el alba a la noche, insomne,
sorda, como un viejo remordimiento
o un absurdo defecto. Tus ojos
serán una palabra inútil,
un grito callado, un silencio.
Así los ves cada mañana
cuando sola te inclinas
ante el espejo. Oh, cara esperanza,
aquel día sabremos, también,
que eres la vida y eres la nada.

Para todos tiene la muerte una mirada.
Vendrá la muerte y tendrá tus ojos.
Será como dejar un vicio,
como ver en el espejo
asomar un rostro muerto,
como escuchar un labio ya cerrado.
Mudos, descenderemos al abismo.
"

(CESARE PAVESE - Italia - 1908/1950)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CONVITE:


O Editorial Grupo Cero e a autora
MARCELA VILLAVELLA
tem o prazer de convidá-los para a

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS
do livro TE BUSCA Y TE NOMBRA

DIA: 06 de novembro
HORA: 20h30
LOCAL: Pavilhão de Autógrafos
da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre

sábado, 16 de outubro de 2010

Cadáver Esquisito produto da Oficina do Grupo Cero no Porto Poesia 4

Conhecer-te
faz-me sentir tão viva
entre vozes
no porto de Poesia

Minha morte anunciada
todos os dias
é Poesia transitoria!
Cabe sem amor
nesta canção

Estou aqui
serei eu?
minha alma voa
um poema rico em metáforas

Tudo é simples
se houver diálogo
a noite cai
e a palavra vem.

16.10.2010 - Cadáver Esquisito
Oficina de Poesia Grupo Cero
no Porto Poesia 4
(Coordenação: Lúcia Bins Ely)
Obs.: Cadáver Esquisito é um exercicio que os Surrealistas praticavam (e o Grupo Cero também pratica já que temos os Surrealistas como antecedentes) em que cada integrante do grupo escreve uma frase, ou verso, sem ler o que o outro escreveu, (passando a folha para que cada um escreva algo aí, dobrada sempre para que não se leia o já escrito) e, ao final se desdobra as dobras e se lê o escrito grupal. 
Se chama assim por ter sido Cadáver Esquisito o 1º verso do 1º poema produzido desta maneira.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

GRUPO CERO NA RADIO PAMPA

Hoje, a partir da meia-noite na Rádio Pampa AM (970kHz),          
no Programa Tribuna Popular com o apresentador: 
Altayr Venzon, estaremos conversando sobre psicanálise e poesia. 

Estaremos trazendo alguns fragmentos poéticos de textos de
Mario Vargas Llosa, premio Nobel de Literatura 2010.
A poesia dos grandes poetas nos tocará como só
a poesia faz, de maneira surpreendende e diferente
para cada um.

Com Lúcia Bins Ely (psicanalista e poeta do Grupo Cero)
e Eliane Marques (poeta do Grupo Cero e mestranda em direito e psicanálise).

"A escritura é o menos nosso que temos, é ela inteira, toda para o futuro."
Miguel Oscar Menassa

Tu podes interagir ao vivo ligando para a rádio!

E/ou na internet: www.radiopampa.com.br

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

NOVAS FOTOS DA APRESENTAÇÃO DE TE BUSCA Y TE NOMBRA

Marcela Villavella na Livraria Cultura


CASA DA PRAIA I   (continuação)

Te lembras do dia que caminhamos kms de areia?
Eram kms de palavras que tivemos que nos dizer para que o mar não fosse o único orador da tarde.
Sei que foi difícil esta conversa, fazia anos que caminhávamos em silencio e nesse dia voltamos a falar.
Caminhamos pela praia direção sul, com o sol nas costas para ir detrás de nossas sombras todo o trecho.
Tua sombra sempre foi menor que a minha.
Felicitações amigo! O tempo foi contigo mais benéfico.
Te lembras do que disseste ao nos despedirmos? "Que linda voz que tens... Me cantas um tango?"
E te cantei Volver, como se alguma vez nos tivéssemos separado.

Te abraço desde a janela mais próxima às ondas.

E te quero com este rugido.

M.

Marcela Villavella do livro: TE BUSCA Y TE NOMBRA (Editorial Grupo Cero - 2010).

MAIS FOTOS da Apresentação do TE BUSCA Y TE NOMBRA



Marcela Villavella e Lúcia Bins Ely
Marcela Villavella e Altayr Venzon
Anelore Schumann e a autora
Marcela Villavella e Renato Battistel

Maria Ineida Cervi e a autora



CASA DA PRAIA I  

Querido M.

Faz dias que quero te escrever.
Estou feliz. (Não queria dizer isso. Agora mesmo ao escrever volto a temer que essa frase me persiga toda a vida como um designio não cumprido).
Mas também devo ser valente, quente, indigente, gente contundente com essa felicidade que parece se perfilar.
Comprei a casa da praia. Sim.
Tem 3 dormitorios, dois banheiros, uma cozinha pequena mas ensolarada, uma grande sala para descansar.
Tudo com vista para o mar. Poderia ser de outra maneira?
Até o que tem vista para o bosque olha para o mar. Tenho os olhos cheios de mar e não se acalma em mim o furioso vai-e-vem da juventude.


(continuará)

de Marcela Villavella do livro: TE BUSCA Y TE NOMBRA (Editorial Grupo Cero, 2010)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Apresentação do livro TE BUSCA Y TE NOMBRA de Marcela Villavella neste 05 de outubro, na Livraria Cultura em Porto Alegre



Eliane Marques e Marcela Villavella


Eliane Marques, Marcela Villavella e Barbara Corsetti

Lúcia Bins Ely

Marcela Villavella


Caoan Goulart (clarinete) e Leandro Oliveira (violão)


Gurizada do Grupo de Poesia da Casa Amarela Zero
Fotos: Iria Boufleur


A POETA QUE LEVA UM PÁSSARO

 ANINHADO EM SUAS MÃOS.


Os poetas, em geral, têm apenas um problema.
E atenção, trata-se de um problema sério.
Um problema sério com a palavra amor:
Eles se queixam de forma constante:
ou amam demais,
ou amam de menos,
nunca na medida certa.
Mas nessas duas falas, atenção (ojo, como dizem os espanhóis)! Eles sempre fingem, sem nenhum tipo de vergonha, não ficam nem de bochechas coradas, ou com voz trêmula, ou com os olhos piscando. Sua posição é de se negarem a nos fornecer qualquer outro sinal, indicativo ou pista por onde possamos pegá-los em flagrante, com o dedo nessa invenção.
Se um alfaiate, bem alto, de terno preto e metro de cor amarela pudesse medir a palavra amor nos versos de um poeta e ainda que considerasse também o anverso, escreveria muito feliz no seu velho caderno de anotações:
amor dois pontos = palavra certa
observação - nada sobra nada falta
E para quê um alfaiate tiraria as medidas da palavra amor?
Talvez para vesti-lo com um projeto futuro de esperança, ou para vesti-lo com palavras vindouras, aquelas que ainda não foram pronunciadas, por que o amor é isso, diz a poeta Marcela Villavella, o amor é um nome que não se pode recordar, é um nome que virá, talvez, por isso para ela, o amor não seja certa palavra, mas a palavra certa em sua medida exata.  E nisso entre as  palavras que são de foca e de esponja marinha, sua poesia já trilha um caminho líquido, um caminho diferente.
E se acaso encontramos esse amor como um vagabundo ébrio na madrugada, como um desses humanos que vão por aí tropeçando entre os valos, personagens dos quais também nos fala o poeta brasileiro Cruz e Souza, se o encontramos numa dessas ruas ou num desses tetos onde bate o vento, ou dançando esse pensamento triste que é o tango, ele já será outro a se nomear.
Então a poeta de TE  BUSCA Y TE NOMBRA se põe propositadamente debaixo da chuva e espera, com as mãos abertas em forma de concha, que um pássaro muito, muito pequeno pouse nelas e ali faça seu ninho. Talvez esse pássaro seja um beija-flor (um colibri), ou outro, não sabemos, ela não nos entrega esse segredo. Mas pela maleabilidade de suas palavras supomos que seja um beija-flor abelha, esse bichinho delicado, que voa para frente e para trás e faz bruscas piruetas para se ver livre de algum perigo.
               Mas se não sabemos exatamente de que pássaro se trata,  sabemos do efeito do seu vôo nas mãos da poeta: ele lhe impõe que fale muito baixinho para não assustá-lo, que vá pelas ruas lentamente, passo a passo, para que ele não caia. E ainda, de vez em quando, ele impõe à poeta que colha um pouco do néctar de alguma rosa para o  alimentar.
Ambos vão assim, sob a chuva e com o sol às costas. Vão  mansamente falando de coisas que talvez ele - o pássaro - não quisesse nem saber – para que me falas desses assuntos, diria ele, que sei eu dos medos ou dos dedos marcados na minha cara ou dos 10 mandamentos que não se cumprem ou do hospital e desse morto aí na calçada cujo jornal no rosto lhe anuncia a morte.
A poeta pouco se importa com o blá blá blá do pássaro. Ela sabe que seu coração está em outro centro, seu coração late no centro da linguagem. E desse lugar ela escreve ao lado do amor outras palavras certas: vida e morte. Então, não são quaisquer palavras de que fala a poeta. E se falasse de outras palavras, seriam erradas? Não, por que o poeta sempre fala das palavras certas e não de certas palavras. Bem, talvez essa questão nem seja importante e talvez o certo e o errado sejam irrelevantes para essa que baixinho fala ao pássaro. Ela mesma diz: a verdade, às vezes, é bem pouco interessante. 
O problema é do pássaro, é ele quem exige essas palavras certas. Entre 100 papéis, 500 palavras, 4000 maneiras de dizê-las, 12000 tentativas de acalmar o clima e 1 milhão de gotas caindo na esquina, o pássaro exige essas palavras – vida e morte.
E por que ele faz esse pedido?
Simplesmente por que há um pranto dividido em dois: há uma dor de nascer e há uma dor de morrer – É um golpe de sorte voltar a amanhecer.  O começo é de água e o final também o é, diz a poeta. Sim, é um golpe de sorte voltar a amanhecer.  
Nesse caminho entre dois mares e com seu beija-flor vai com segurança, como se houvesse amado alguém (E será que não amou, será que não caminha entre gotas desse amor, será que ao cumprir o desejo desse a quem ela decidiu dar amor “a manos llenas” não ama?).
E cada vez a poeta se distancia mais desse mundo onde quase tudo é de plástico: ela se distancia do patinho inflável, do controle remoto da televisão, de um colarzinho muito bonito que algumas vezes a enfeita, do pote de queijo que utiliza no café da manhã, ela se distancia porque tudo é de plástico, menos esse pranto, esse mesmo que se divide em dois.  
Mas para o pássaro, não são de plástico as palavras da  poeta, por que são elas  que o retiram de um abandono quiçá,  sem piedade.
A negro, E branco, I rubro, U verde, O azul. Poeta e pássaro se encontram com Rimbaud para juntos porem em xeque a linguagem -  e o escrever não é vaidade ou poder é apenas poema.
Sim, mas o que importa um poema se não há mercado aberto para nenhuma mãe, nem bar para nenhum irmão, se não há nenhum filho bastardo para encher o berço, se não há nem pai legítimo que ponha comida na mesa, que importa se há colheres de sopa para nenhum comensal?
Que importa se existem agulhas cravadas em nossos sonhos e é penoso dizer “te amo” com uma voz estrangeira, que importa se a dor da guerra segue matando os filhos da guerra e fere, mesmo que à distancia, a dor de nascer entre os mortos?
A poeta diz tudo isso como se se tratasse de outra coisa, como se se tratasse de se ir ao bosque se querendo ir ao mar, e tudo  com uma delicadeza de vôo de beija-flor.
 Mas, assim como Eliot, ela anda por uma terra desolada, mas, sabemos, não vai sozinha. Para Eliot “Abril é o mais cruel dos meses, germinando lilases da terra morta, misturando memória e desejo, avivando agônicas raízes com a chuva da primavera”. Para Marcela Villavella nesta vida atada a algumas cartas onde o destino se sabe jogar e se perde, nesta tendência a viver demais, a beber demais de todos os copos de cicuta do mundo, nesse naipe que nos falta há um “Ás” de espada que nos olha, mas não nos mata. 
E com esse verso ela se autoriza a seguir por ruas de paredes herméticas e janelas intermináveis por onde também vão milhares de homens de sapatos recém lustrados, homens que levam um jornal debaixo dos braços e um livro no bolso, ruas por onde vão milhares de bonecas russas. E, no meio de tudo isso, não há olhos para ver o cavalinho de madeira feito caquinhos no quarto.
Todavia,  apenas a poeta vai pela chuva e com o pássaro entre as mãos. Estará perdida? Não, não está. Sentou-se numa mesa com sonhos, pesadelos e palavras e, ao seu lado, um menino agita uma bandeira – e, nesse momento, é o pássaro que lhe aponta o poema.
Fracassar se pode sempre, ela diz ao pássaro, e assim existem feridas que ela cuida para que se fechem e outras que mantém abertas para não se esquecer de quem foi. Ao mesmo tempo ela teme que a frase “estou feliz” a persiga por toda a vida como um desígnio não cumprido. Não nos enganemos,  ela é valente e segue e não abandona o pássaro. 
O poeta argentino Juan Gelman um dia disse de Paco Urondo, cuja morte se deu no enfrentando da ditadura Argentina, e a quem a Poeta dedica o poema “El Pajarito”: -corrigia muito seus poemas, soube porém que o único modo que o poeta tem de corrigir sua obra é ” corrigindo-se a si mesmo”, se reescrevendo, quer dizer, buscando os caminhos que vão do mistério da língua ao mistério da gente.
Bem, é isso que faz Marcela Villavella no livro “Te busca y te nombra”, entre as palavras já está entre as pessoas e as  ama com a verdade nas mãos.
Agora não há mais chuva, as nuvens sobem demasiado alto, demasiado longe, demasiado céu. Não há mais desculpas para aninhar o pássaro, mas a Poeta se recusa a deixá-lo, pois na busca que empreendeu    se encontrou nesse longo vôo, nesse longo bater de asas.      
A ele, ao pássaro, Marcela Villavella deve o poema. E ele, o pássaro, sabe da dívida impagável que tem com ela, por isso  é, ele mesmo, um verso.
Y todo termina con una esperanza, con una dilación
      –"ha estado bien"–, o en un bostezo, o en otro
      lugar donde es menester el coraje ( Paco Urondo) a coragem de, como poeta,  levar um pássaro entre as mãos.
                          Assim, se o tango é uma tristeza que se dança, a poesia de “Te busca e te nombra”  é uma dor que se escreve.

                          Obrigada, Marcela, por tuas mãos aninharem esse beija-flor.


Eliane Marques

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CONVITE: Apresentação do livro TE BUSCA Y TE NOMBRA de MARCELA VILLAVELLA

Com a presença da autora, que nos brindará com a leitura de alguns poemas do livro. E, às 20h30, será a sessão de autógrafos no mezanino da livraria.

domingo, 19 de setembro de 2010

HOMENAGEAMOS O POETA MIGUEL OSCAR MENASSA aniversariante do dia QUE COMPLETA HOJE 70 ANOS

QUEIMA A PELE TEU POEMA

a Miguel Oscar Menassa*

Queima a pele teu poema
Gera um vazio
lágrima
de vãos, e vais e vens
E embalo de versos
atravessa oceano
numa imagem esquecida
do adeus
Alcança um
abreviado clamor
do canto aberto por teu canto
grito do indio
dança dessa tribo
ao dizer-se.

Queima a vida
alma na lágrima.

Queima a alma
herói de rasgar-me em tantas...
uma quer, outra desquer
uma abre, outra fecha
uma agora, outra nunca.

Queima minh’alma
verte lágrima dessa voz!

Lúcia Bins Ely (poema inédito)

* candidato ao Premio Nobel de Literatura 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

APRESENTAÇÃO do livro RELICARIO

Eliane Marques

Editorial Grupo Cero

fotos: Iria Boufleur

Hoje é um dia especial para o Editorial Grupo Cero Internacional e em especial para o Grupo Cero Brasil, porque depois de mais de 40 anos editando livros em espanhol, hoje apresentamos o terceiro livro publicado no idioma português.


Se abre para todos e neste caso através da poesia, uma possibilidade inédita, que as linguas se articulem como numa torre de Babel construída de palavras que ao serem tocadas pela poesia, não se separam nem se dispersam como na construção da mítica torre, senão que ao contrario, fazem livros.

Um relicario é uma caixa ou estojo onde amorosamente se guardam reliquias ou lembranças, se guarda algo que esteve perto do corpo de alguém especial, cabelos de um ser amado, dentes de leite tirados de um bebê, uma foto antiga que por algum motivo e por ser parte de um corpo se fizeram dignos de veneração.

Em um relicario se guardam coisas que só tem valor sentimental para alguém. Quiçás todo livro de poesia seja um Relicario.

Ao abrir este Relicario construído de poemas, nos damos conta que como tal é um livro misterioso, quiçás como o é todo relicario. Quem vê o conteúdo não chega a apreciar o valor do que há dentro até que saiba algo de sua historia.

Por que se guardaram esses dentes, por que essa mecha de cabelo, a quem pertenciam?… Recém aí, fazendo a reliquia falar começamos a formar parte do misterio.

Relicario é o primeiro poemario individual de Eliane Marques, uma autora cheia de historias para contar, mas essas historias só aparecem em forma de poesia.

A apresentação de um livro de poemas é uma chance de fazer os poemas dizer algo que o poema em si mesmo não tem desejo de dizer.

Um relicario se aprecia de fora para dentro. Tem uma beleza que guarda outra beleza mais subjetiva, ou mais verdadeira, mais íntima que a que é capaz de mostrar-se.



Como dizia antes, quiçás todos os livros de poesia são relicarios, guardam um segredo indecifrável, até que alguém se arrisca e os abre e os lê sem querer entender o que estão dizendo, somente se deixando tocar pela profundidade desse enigma.

Li e reli este livro muitas vezes, e posso assegurar que nele há um segredo guardado.

Comecemos por sua forma exterior:

Um rosto escondido detrás de pétalas, pinceladas de sangue, vida que nos mira.

Em seu interior: palavras. Poemas organizados em 4 capítulos:

Iscas da morte

coisas de bruxaria

andar sem ceu

heranças



Mas insisto, estamos frente a um livro de poesias e para entrar nele, temos que fazê-lo sem sapatos, sem roupa pesada e sem preconceitos… a um livro de poesia há que entrar leve, para que as palavras nos organizem outra realidade, com as leis secretas que nos governam nos sonhos.

A meu entender um dos segredos deste livro é ler de trás para frente, começar pelas heranças que a autora reconhece que são quem habilitam a escritura do Relicario.

Federico García Lorca, Nelson Rodriguez, Oliverio Girondo, Gregory Corso, Allen Ginsberg, Marcel Proust, Miguel Menassa, Borges, Silvia Plath… são os motores que a poeta liga, para escrever.

A escritura de Eliane tem uma bandeira a defender: põe a mirada nas brechas da vida, as perfura, chega decidida a mirar com olhos de menina, que está escondida debaixo de uma mesa desde onde mira absorta como o mundo se desenvolve inexplicável e simples, também para ela.

E o que diz? O que nos diz? Por que entrega seu Relicario para que todos possamos abrir e descobrir suas reliquias?

Estas perguntas me convocam.

Eliane tomou uma decisão. Põe dentro do Relicario seus proprios olhos, para que vejamos junto a ela onde sangra a vida, onde se desnuda a dor, onde se suicida a morte.

Sua intenção não é desentranhar os segredos que escreve, sua intenção é alimentá-los como se fossem animaizinhos, até que cresçam em seu misterio.

Fala pouco do amor, mas sabemos que dentro do relicario há um objeto de amor, quando o nomeia, o amor rivaliza com o natural: O amor para a poeta está nas raízes, na rosa, nas laranjas, nos ramos de alecrim, na fome, nas rugas, no frio, no fogo.

Diz da dor: o sofrimento é sonâmbulo e um sonho dissipa uma dor do corpo. Há nesses versos uma sabedoria: O sonho é outra vida à qual há que se entregar para viver mais.

A morte é uma senhora que passeia no Relicario, ela está nas lágrimas de um pássaro, nos instantes, no dormir, nos beijos, no porão, nos rios, no ar, no sonho, em tudo está a morte, no proprio dormir.

A morte é uma das insistencias da autora, se apresenta em cada poema como o resto natural do amor. Está em todas as coisas e o tempo todo. O único lugar em que a morte não está é nos cemiterios.

Os cemiterios para a autora, são espaços tão falsos como os parques de diversões.

Há uma sabedoria dizia, porque na vida está o amor e a morte.

Este é seu primeiro livro, mas me arrisco a comparar seu Relicario com os contos do narrador mexicano Guillermo Arriaga, que seduz ou repreende à morte para que fale, para que saia dos retratos, quebre o silencio, se pronuncie, perda a máscara e seja viva presença na beira do mundo.

Recomendo-lhes que leiam este livro de poemas, para aceder a uma poesia diferente, para ver a realidade com outros olhos, e sobretudo, por aquilo que disse no começo da apresentação, que num relicario se guardam coisas que somente tem valor sentimental para alguém.

Um relicario é uma caixa ou um estojo onde amorosamente se guardam reliquias ou lembranças, se guardam coisas que estiveram perto do coração, e por ser parte de um corpo se fizeram dignas de veneração.



Quiçás todo livro de poesia seja um Relicario. Gracias



Marcela Villavella



terça-feira, 7 de setembro de 2010

DA APRESENTAÇÃO do livro RELICÁRIO de Eliane Marques

“Mas insisto, estamos frente a um livro de poesias e para entrar nele, temos de fazê-lo sem sapatos, sem roupa pesada e sem preconceitos… em um livro de poesia há que entrar leve, para que as palavras nos organizem outra realidade, com as leis secretas que nos governam nos sonhos.” (Marcela Villavella)





A apresentação ocorreu ontem (06 de setembro) na Livraria Cultura em Porto Alegre.
FOTOS: Iria Boufleur

domingo, 29 de agosto de 2010

POESIA CERO: RELICÁRIO (de Eliane Marques) será apresentado por Marcela Villavella neste 06 de setembro na Livraria Cultura

FEDERICO

quebrado na rua
o irmão
de ferro

pela casa
o fino latido
do pai

a mãe

menino - lençol
embalsamado

esquina
que
a cada vida
sub-trai
aquiles do cal

ELIANE MARQUES (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)




In: RELICÁRIO


Primeiro poemário solo da autora.


Obs.: a autora estará lendo alguns dos poemas do livro nesta Apresentação na Livraria Cultura em Porto Alegre (dia 06 de setembro às 19h)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

POESIA CERO: RELICÁRIO (de Eliane Marques) será apresentado por Marcela Villavella neste 06 de setembro na Livraria Cultura

DOBRO

recolho a morte
das lágrimas de um pássaro
e seus arames
batizam as plumas
do suor

lenço
que
derrota aviões

vem noite

cobre o repouso
com corpos dormidos

na rota fadiga
refoge dos versos
em falsa Sharazad

sê deserto

a vida é um paraquedas
cicuta do varal manso

e sê triste

na tua boca inchada
beijos dobles
caem

ELIANE MARQUES (integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)

In: RELICÁRIO
Primeiro poemário solo da autora.
Obs.: a autora estará lendo alguns dos poemas do livro nesta Apresentação na Livraria Cultura em Porto Alegre (dia 06 de setembro às 19h)

sábado, 7 de agosto de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

INSCRIÇÃO PARA
UMA LAREIRA

A vida é um incendio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meios aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!


Cantemos a canção da vida,
na propria luz consumida...

Mario Quintana (30/07/1906-Alegrete, 1º de maio de 1994 - Porto Alegre)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

TE BUSCA Y TE NOMBRA

GOTA

Chove outra vez
e a chuva me transporta em um barco invisível
até uma esteira de perguntas na intemperie.
Chove, outra vez
e creio que chove sempre.
Então me absolvo de minha paixão pelo anonimato.

Chove,
gota.
Chove.

Marcela Villavella (em seu novo livro: TE BUSCA Y TE NOMBRA
Editorial Grupo Cero) Te Busca y Te Nombra é seu terceiro livro de poesia.
E encontra-se à venda em Porto Alegre pelo fone: (51) 3024.2829.

sábado, 31 de julho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

DO QUE ELAS DIZEM


O que elas dizem nunca tem sentido?

Que importa? Escuta-as um momento,

Como quem ouve, entre encantado e distraído,

A voz das águas... o rumor do vento...

Mario Quintana (Alegrete, 30/07/1906 - Porto Alegre, 05/05/1994)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

A árvore dos poemas

Quando a árvore dos poemas não dá poemas,
Seus galhos se contorcem todos como mãos de enterrados vivos,
Os galhos desnudos, ressecos, sem o perdão de Deus!
E, depois, meu Deus, essa lenta procissão de almas retirantes...
De vez em quando uma tomba, exausta à beira do caminho
Porque ningúem lhe chega ao labio o frescor de cântaro,
a doçura de fruto que poderia haver num poema.
Maldita a geração sem poetas que deixa as almas seguirem.
Seguirem como animais em estúpida migração!
Quando a árvore dos poemas não dá poemas,
Qual será o destino das almas?

Mario Quintana (a homenagem do Verso B no dia de seu aniversário - completaria 104 anos hoje)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

A verdadeira arte de viajar






A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,


Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.\


Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...


Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!






(Quintana in “A cor do invisível”)
Mário de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994)

sábado, 17 de julho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

CONSTRUÇÃO



Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acabou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego



Amou daquela vez como se fosse o último

Beijou sua mulher como se fosse a única

E cada filho seu como se fosse o pródigo

E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido

Ergueu no patamar quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo num desenho lógico

Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe

Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou como se fosse máquina

Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música

E flutuou no ar como se fosse sábado

E se acabou no chão feito um pacote tímido

Agonizou no meio do passeio náufrago

Morreu na contramão atrapalhando o público



Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas

Sentou pra descansar como se fosse um pássaro

E flutuou no ar como se fosse um príncipe

E se acabou no chão feito um pacote bêbado

Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado



Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir

A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir

Por me deixar respirar, por me deixar existir,

Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir

Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir

Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,

Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir

E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir

E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,

Deus lhe pague

CHICO BUARQUE DE HOLANDO (Rio de Janeiro,19 de junho de 1944)

terça-feira, 13 de julho de 2010

POESIA saindo do forno CERO

CADÁVER ESQUISITO

                     
Bateram a porta de sopetão

e batem os pés da morte

Pela morte que, de esquisito
nada tem, tem morte
pra morrer

Longa é a arte, tão breve                              

a vida

cavando no olho do escuro

abriu-se a porta naquele instante
                                                                                                        
tropeça bêbado nas frase de amor

no cadáver, a morte

de alguém que não morreu

tic, tac, tic, tac. Já é natal?

alvo
        cabisbaixo
                           olhou.

Cadáver Esquisito - Grupo de Poesia sábado dia 10/07/2010

(Hay almas que tienen - oleo sobre tela - M.O.Menassa)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA



Em meu ofício ou arte taciturna

Exercido na noite silenciosa

Quando somente a lua se enfurece

E os amantes jazem no leito

Com todas as suas mágoas nos braços,

Trabalho junto à luz que canta

Não por glória ou pão

Nem por pompa ou tráfico de encantos

Nos palcos de marfim

Mas pelo mínimo salário

De seu mais secreto coração.


Escrevo estas páginas de espuma

Não para o homem orgulhoso

Que se afasta da lua enfurecida

Nem para os mortos de alta estirpe

Com seus salmos e rouxinóis,

Mas para os amantes, seus braços

Que enlaçam as dores dos séculos,

Que não me pagam nem me elogiam

E ignoram meu ofício ou minha arte.


DYLAN THOMAS (País de Gales, 1914 - Nova Iorque, 1953)

(tradução: Ivan Junqueira)

terça-feira, 6 de julho de 2010

POESIA saindo do forno CERO

Assombroso: o mínimo, às vezes, faz o máximo



O novo não vai ser

palavras como carne,

não me acovardo

por denuncia

onde tudo me destrói

singularmente te toco.



Me convenci

que o amor me faz voar

assim encontro virtudes

nos pequenos gestos.


Mesmo que a poesia,

nada necessite.

Renato Battistel

segunda-feira, 14 de junho de 2010

POESIA saindo do forno CERO

                                                    "hasta que te iguales a tí mismo"
                                                                            Walt Whitman

vai armar o céu, a tempestade
nem todos os livros me darão
               altura para colher-te
nem todos os lamentos das
               viúvas
nem todas as lágrimas das
               carpideiras
nem todos os encontros dos
               amantes
nem todas as vozes dos
               cantantes...
poderão abrasar
poderão acalmar
poderão apagar
                a chama
                       daquilo que
                            vem e não cessa...

Lúcia Bins Ely

domingo, 13 de junho de 2010

POESIA saindo do forno CERO

ATO 2
CENA ÚNICA

A TARDE SEM RELÓGIO
(continuação)


de onde vem a rosa
arrastando-se pelo parque

com sua tiara na mão?



o que é mais triste?

o peso das jóias as

rendas os vidros descalços

ou uma menina que

grita em sua boca ?



acalmem-se:



ela está cega

por uma dor que esquiva

com os pés de prato



sim a conhecemos



desceu de um trem

muito antigo

um trem que parava

nas mesmas e

mesmas e mesmas estações



sempre frias o

frio em todas as estações

sempre escuras o

escuro em todas as estações

todas as estações frias e escuras

frias e escuras

escuras e frias um

frio que não desemboca um

escuro que não desemboca que

não desemboca que não

Eliane Marques
(do livro inédito: A ROSA - uma tragedia quase brasileira)

terça-feira, 8 de junho de 2010

POESIA saindo do forno CERO

ATO 2

CENA ÚNICA

A TARDE SEM RELÓGIO

na tarde que nunca termina a

rosa desconhece damas

meias de seda

vestido de noiva e

vinho do porto



esquece ruínas

em seus modos de

dolores apaga e

expulsa rostos



ontem a rosa

fechou quatro

imensas portas



depois de um

incêndio qualquer

em sua boca



hoje sem rosto a

rosa descansa e

contra as paredes do poço

suas unhas são

vermelhas ausências

Eliane Marques
(do livro inédito: ROSA, uma tragédia quase brasileira.)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

LENDO OS GRANDES POETAS

AMOR PERDIDO. A JUVENTUDE


                            V


Salta, corre brincando até o amor e deixa-te cair,
sem respirar sequer, sem pensar no tempo; sem fé.
Caído, agita-te com doçura extrema, uiva.
Deixa que o tempo se persigne avergonhado,
enfrentado a tua dança vital, longitude insondável,
movimento de ave ou potro enlouquecido.

Deixa que a miseria te empape com seu olor a desgraça,
que a vida e as cores da vida te deixem cego.
E assim, sabendo, hás de morrer tranquilo,
sem dever à vida, nem a nenhum Deus estranho,
nem a espíritos modernos, nem à carne, nada.

Sem dívidas, alvoroçado pelo movimento dos astros,
abraçado a quanto amor se preze de se mover ou voar,
assim: sem nervosismos ou cálculos perfeitos,
assim, se morre e se volta a nascer, se é necessario,
cada vez, todos os dias, algumas noites, sempre.

MIGUEL OSCAR MENASSA
Poeta espanhol nascido na Argentina-1940
De “Amores perdidos” (1995)