Anoitece, agora, em nós,
e a branca espuma da raiva,
envolve tudo.
A vida se entretém nos olores.
Tudo procede,
desde mais além da colina,
também,
nosso final.
Envelheci sentado,
aconselhando meus jovens,
a deterem-se,
frente a qualquer maravilha da terra,
frente a qualquer besteira da natureza
contra os sentidos.
E no entanto,
me decido,
quero morrer de pé.
E se é necessario,
atado a meu cavalo.
Miguel Oscar Menassa
De "Canto a nosotros mismos también somos América", 1978
sábado, 27 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
TOURO SENTADO O VISIONARIO - II -
Pequena árvore da colina,
estoura no sinal.
Desde suas raízes,
fogos artificiais
se incendeiam
entre o aromático perfume.
Quero dizer
que nossa pequena águia do trono,
também,
morreu.
Doçura,
a doçura de seus labios,
seu voo etereo.
Sua franca risada,
quando se burlava da guerra.
Conhecer,
conhecia – morreu por isso - na propria colina,
o estouro sangrento,
da árvore do amor.
Miguel Oscar Menassa
De "Canto a nosotros mismos también somos América", 1978
estoura no sinal.
Desde suas raízes,
fogos artificiais
se incendeiam
entre o aromático perfume.
Quero dizer
que nossa pequena águia do trono,
também,
morreu.
Doçura,
a doçura de seus labios,
seu voo etereo.
Sua franca risada,
quando se burlava da guerra.
Conhecer,
conhecia – morreu por isso - na propria colina,
o estouro sangrento,
da árvore do amor.
Miguel Oscar Menassa
De "Canto a nosotros mismos también somos América", 1978
quarta-feira, 24 de março de 2010
TOURO SENTADO O VISIONARIO - I -
Aqui,
touro sentado,
amante do silencio.
Mirou o sol,
é o entardecer,
e sei,
que tudo é efêmero.
Virão eras atômicas,
e arrancarão de raiz nosso reino,
do centro da terra.
O sol cairá,
como um fruto podre,
como um pássaro ferido,
em pleno voo.
Detrás das colinas
vejo para o homem,
sangue e lixo,
um silvo gelado e noturno.
Aqui,
sentado,
amante,
touro do silencio,
vejo para o homem,
detrás das colinas.
A morte.
Miguel Oscar Menassa
De "Canto a nosotros mismos también somos América", 1978
segunda-feira, 8 de março de 2010
HOMENAGEM À MULHER TRABALHADORA
NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
POEMA 35
É um momento de criação infinita,
me disse, estou a ponto de morrer.
Enquanto isso gozava pouco ou mais ou menos
a vida com ela era um idilio de sonhos,
tínhamos grandes peleias, sobretudo,
no dia depois
de haver gozado com exagero.
À noite, que trepada! Santo Deus!
Na manhã seguinte, propriamente, o calvario.
Ao principio, sempre queria matá-la
até que um dia pude compreender
que era seu gozo o que a matava.
Cada vez que me causava dano
eu, em vingança, a fazia gozar.
O gozo me sobressalta, não posso evitar,
primeiro sofro porque sinto que vou morrer,
depois, quando me encontro relaxada e trauquila,
toda viva, sofro porque algum humano me salvou.
O odio mais profundo sinto
quando me dou conta que devo tudo a ele,
um dia, ele me disse:
vagina funcionará, e vagina funcionou.
Depois, na metade de uma trepada,
me disse com ternura: a mulher deve poder
dizer todas suas coisas, escrevê-las,
fazer de suas coisas a historia da mulher,
de nosso tempo, de nosso mundo.
Depois, me ensinou a amar o trabalho
e ontem à noite me disse: já és livre.
Já sabes escrever, amar e trabalhar
e isso é o que necessita uma mulher
para poder produzir sua propria liberdade.
Escrever para que seja possível a vida.
Amar para poder construir o mundo
no qual haveremos de viver, pensar
e trabalhar para que símbolo e carne
não possam se confundir nunca mais.
Me encanta, disse ela com indolencia, a vida
que me propões antes de me abandonar.
E não te perguntaste que, talvez,
prefiro escrever a historia de nosso amor
que foi longinquo e impossível
e com o amor seguir insistindo
ainda que nada se possa de todo ou bem,
e trabalhar só para poder te comprar.
A mim, para dizer a verdade, lhe disse,
não me importam muito os motivos
nem quem haverá de se beneficiar
com o que possas produzir.
Só quero que experimentes
essa virtude do homem
de poder, com suas mãos,
modificar o mundo.
E quanto à poesia e ao amor,
se fosses capaz de entender
a força do trabalho,
te daria plena liberdade.
Podes escrever melhor que eu, se o desejas,
e podes me amar tanto quanto queiras.
E se não és capaz de tanta liberdade
podes escrever pior que eu
e podes amar outros amores
ou condenar-te a viver com os enforcados
ou encerrar-te em teu quarto,
limpando os colares e os arinhos de ouro
e passando a blusinha azul e branca
que tua mãe usava antes de morrer.
Também podes, se queres,
romper todos meus beijos,
queimar todas as cartas,
fazer picadinhos dos bordados do tempo
e começar, sozinha, desde o começo,
tudo de novo.
MIGUEL OSCAR MENASSA
DO LIVRO: LA MUJER Y YO
http://www.menassa.com/
http://www.menassacandidatopremionobelliteratura2010.com/
POEMA 35
É um momento de criação infinita,
me disse, estou a ponto de morrer.
Enquanto isso gozava pouco ou mais ou menos
a vida com ela era um idilio de sonhos,
tínhamos grandes peleias, sobretudo,
no dia depois
de haver gozado com exagero.
À noite, que trepada! Santo Deus!
Na manhã seguinte, propriamente, o calvario.
Ao principio, sempre queria matá-la
até que um dia pude compreender
que era seu gozo o que a matava.
Cada vez que me causava dano
eu, em vingança, a fazia gozar.
O gozo me sobressalta, não posso evitar,
primeiro sofro porque sinto que vou morrer,
depois, quando me encontro relaxada e trauquila,
toda viva, sofro porque algum humano me salvou.
O odio mais profundo sinto
quando me dou conta que devo tudo a ele,
um dia, ele me disse:
vagina funcionará, e vagina funcionou.
Depois, na metade de uma trepada,
me disse com ternura: a mulher deve poder
dizer todas suas coisas, escrevê-las,
fazer de suas coisas a historia da mulher,
de nosso tempo, de nosso mundo.
Depois, me ensinou a amar o trabalho
e ontem à noite me disse: já és livre.
Já sabes escrever, amar e trabalhar
e isso é o que necessita uma mulher
para poder produzir sua propria liberdade.
Escrever para que seja possível a vida.
Amar para poder construir o mundo
no qual haveremos de viver, pensar
e trabalhar para que símbolo e carne
não possam se confundir nunca mais.
Me encanta, disse ela com indolencia, a vida
que me propões antes de me abandonar.
E não te perguntaste que, talvez,
prefiro escrever a historia de nosso amor
que foi longinquo e impossível
e com o amor seguir insistindo
ainda que nada se possa de todo ou bem,
e trabalhar só para poder te comprar.
A mim, para dizer a verdade, lhe disse,
não me importam muito os motivos
nem quem haverá de se beneficiar
com o que possas produzir.
Só quero que experimentes
essa virtude do homem
de poder, com suas mãos,
modificar o mundo.
E quanto à poesia e ao amor,
se fosses capaz de entender
a força do trabalho,
te daria plena liberdade.
Podes escrever melhor que eu, se o desejas,
e podes me amar tanto quanto queiras.
E se não és capaz de tanta liberdade
podes escrever pior que eu
e podes amar outros amores
ou condenar-te a viver com os enforcados
ou encerrar-te em teu quarto,
limpando os colares e os arinhos de ouro
e passando a blusinha azul e branca
que tua mãe usava antes de morrer.
Também podes, se queres,
romper todos meus beijos,
queimar todas as cartas,
fazer picadinhos dos bordados do tempo
e começar, sozinha, desde o começo,
tudo de novo.
MIGUEL OSCAR MENASSA
DO LIVRO: LA MUJER Y YO
http://www.menassa.com/
http://www.menassacandidatopremionobelliteratura2010.com/
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
JUBILAÇÃO
Depois de haver cumprido
com todas as tarefas, me pergunto
muito próximo dos setenta anos
quem me ama? quem vive em mim?
Acaso, eu tenha sido,
apesar de todos meus amores
apesar de todos meus trabalhos,
um homem solitario.
Minha familia, meus filhos,
a mulher do começo,
meus amados discípulos,
saberão algo de mim?
Algum de meus versos,
haverá entrado em suas vidas?
Algum de meus versos,
aliviou alguma dor?
E essa mulher em plena liberdade
que ambiciona meu canto
pode algum homem amar
essa beleza interminável?
Algum homem terá podido
deixar crescer uma mulher a seu lado
para vê-la partir, se é necessario,
porque o mundo e o amor a esperam?
E não quero exagerar
só quero me perguntar
por que a vida haverá passado?
que dor me atormentou?
Soube acaso amar e dar
sem me perguntar por quê?
E a minha amada Poesia
soube deixa-la voar?
Dei asas ao poema
a meus versos asas dei,
mas nunca pudemos
de nossa casa sair.
O poema está voando
e ninguém o deterá.
Voar era seu destino
mas o meu, era cantar.
Por isso deixo partir
versos, amores e ditos.
Quando voando se afastam
começo uma historia nova.
E não quero molestar
nem a jovens nem a mais velhos
mas devo confessar
que minha alegria é brutal.
A deusa Poesia e belas mulheres
ficaram a meu lado.
Até meu proprio coração
está perto de mim.
Talvez já estou iludido
e imagino uma vida,
nova, esplêndida e diversa
que nunca poderei viver.
Mais, todavia, desejo
estar muito bem preparado
da alma, dos dinheiros,
do corpo, dos amores.
Para o caso de
se chegasse a acontecer
um dia qualquer desses
que os humanos, contentes,
nos pomos a conversar.
Para o caso de
se chegasse a vir
esse dia quero estar
defendido por meus versos
e algum pensamento mais.
E se nunca há de chegar
não importa, sigo estudando,
escrevendo e denunciando.
Amando; sendo feliz.
Miguel Oscar Menassa, 2010
(da revista Indio Gris - www.indiogris.com)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
APOIE A CANDIDATURA DE MIGUEL OSCAR MENASSA AO PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010
Temos a alegria de comunicar-te a indicação do nome de MIGUEL OSCAR MENASSA
como CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010.
Caso desejes apoiar esta candidatura, te sugerimos um singelo modelo de carta que podes
imprimir, assinar e enviar diretamente à COMISSÃO DO PREMIO NOBEL DE LITERATURA
cujo endereço é:
Comitê do Premio Nobel de Literatura:
Literature Nobel Prize/Nobel Stiftelsen
Box 5232 S.-102 45
Stockholm / SWEDEN
Nome, Profissão
Endereço
CEP, Estado, País
Comitê do Premio Nobel de Literatura:
Literature Nobel Prize/ Nobel Stiftelsen
Box 5232 S.-102 45
Stockholm / SWEDEN
..................,......de.................... de 2010.
Excelentíssimos Senhores,
[Recomendação e apoio à candidatura, junto a um comentario pessoal
seguido de umas linhas argumentando tal apoio]
Atenciosamente,
___________________
nome completo
Profissão
como CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010.
Caso desejes apoiar esta candidatura, te sugerimos um singelo modelo de carta que podes
imprimir, assinar e enviar diretamente à COMISSÃO DO PREMIO NOBEL DE LITERATURA
cujo endereço é:
Comitê do Premio Nobel de Literatura:
Literature Nobel Prize/Nobel Stiftelsen
Box 5232 S.-102 45
Stockholm / SWEDEN
Modelo:
Nome, Profissão
Endereço
CEP, Estado, País
Comitê do Premio Nobel de Literatura:
Literature Nobel Prize/ Nobel Stiftelsen
Box 5232 S.-102 45
Stockholm / SWEDEN
..................,......de.................... de 2010.
Excelentíssimos Senhores,
[Recomendação e apoio à candidatura, junto a um comentario pessoal
seguido de umas linhas argumentando tal apoio]
Atenciosamente,
___________________
nome completo
Profissão
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
INDIOS III
Eu sou, de pedra, o indio americano,
que não matou Espanha na conquista.
Venho de um céu, cálido, sem deuses.
De uma planicie fértil, quase sem limites.
Sou o sangrante e falante guarani,
a pura lágrima, límpida do maia,
o sulco aberto, com firmeza, pelo inca,
a tristeza, infinita, do que não morre.
Sou a árvore, a fruta, o ouro, a pérfida esmeralda.
Prata despedaçada, sangrento cobre metralhado.
Montanhas e mulheres saqueadas em nome de Deus.
Sou da América o verbo, a pluma diferente,
indígena e galáctico, histórico e supérfluo,
granítica presença, fel dos tempos.
de MIGUEL OSCAR MENASSA
do Livro: AMORES PERDIDOS, Grupo Cero, 1995;
poema publicado também no livro:
POESÍA Y PSICOANÁLISIS (1971-1991)
20 AÑOS DE LA HISTORIA DEL GRUPO CERO, Grupo Cero, 1995.
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
apoie sua candidatura, escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
Quero me desvencilhar de seus anseios
oh, rinoceronte,
desta vez escolho
nos vãos das palavras
empreender minha viagem.
Navego entre uma palavra e outra
carregando os mortos às costas
até encontrar uma tumba
arejada e perfumada.
Vou recostar esta cruz
na relva tardia no muro branco
da cidade,
onde os planos dos bandidos
foram procriados.
Assim me desopilo
me desconheço
me desmudeço
me enrubeço.
Me palavreio
e nem o amor alcança.
Lúcia Bins Ely
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SAINDO DO FORNO
hORÁCIO
Caiu no pátio entre as casas das irmãs. Depois da partida da mãe, continuou ali onde sempre estivera, num velho quarto de madeira bruta, com uma porta de frente sem porta, uma janela lateral cuja mirada enfrentava o lodo que corria feito serpente da casa principal às de fundos, e um guarda-roupa espelhado no qual se guardavam as fantasias dos parentes de antanho. À noite vestia roupas de tule amarelo e sapatos de lantejoulas douradas porque quando alguém morre aos outros não é dado seguir vivendo.
Então, sempre se estava na época de ocultar a morte. Não se tratava de obedecer ao ritmo de uma estação, até se invejava as laranjas que só nasciam no inverno. Para o sepultamento de uma tal palavra toda a estação era primavera. A morte da Negrinha fora ocultada de minha avó, a morte de minha avó fora ocultada de mim e agora a morte dele se ocultava de minha mãe, de modo que cada um, deixando-se enganar pela vida, seguia vivendo.
A Negrinha, minha mãe e ele eram irmãos e a morte, pertencente a todos, se guardava como relíquia numa caixa de madeira fabricada ao longo da ilusão da vida. Às vezes a madeira apodrecia como apodreciam as paredes do quarto e o piso inchado com o acúmulo dos mortos. Mesmo assim ele vestia o tule amarelo e as lantejoulas douradas e seguia entre o lodo das suas asas. Um dia caiu no pátio. Caiu com as mãos seguras numa árvore de laranjas-do-céu que sua mãe cultivara. Nunca fora religioso, o tombo nesse local se deveu a facilidade de carregamento do corpo, pois a árvore ficava próxima à casa da irmã mais velha que saberia suportá-lo. Era uma das mulheres da família que nunca se deixara levar pela mentira da vida, já nascera morta, pouco lhe importava a dos outros. Assim facilitava a burocracia do enterramento fazendo o que havia de ser feito, sem muita lengalenga e falsas despedidas chorosas. Essa mulher substituíra a mãe nos cuidados que o irmão nunca tivera, cuidados que desde cedo foram iguais aos de um enterramento. Dava-lhe banho, limpava-lhe o quarto onde a merda se espalhava como enfeite, cozinhava a comida que ele não comia, vestia-lhe os sapatos e lhe chamava pelo nome ao qual ele não mais atendia – horácio.
Um dia horácio caiu no pátio. E com ele foi enterrada toda a sua ridícula e amarela humanidade.
Eliane Marques
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Eliane Marques
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A VERDADEIRA VIAGEM
(Parte 4)
Já nos perguntarão e nós diremos:
temos estado com o amor
e temos estado, também, com a morte.
No princípio não acreditarão,
dirão que para o homem é impossível.
Nos pedirão provas,
nós lhes mostraremos como se lhes mostrássemos o céu,
alguns poemas e conseguiremos com esse gesto,
que chegue até nós o tempo da burla.
Grandes embarcações que nada buscam,
- porque creem ter -
passarão uma e outra vez a nosso lado,
tratando de fundir com seus jogos,
nossa pequena balsa enamorada.
Nos chamarão desde suas luxuosas embarcações,
com os nomes com os quais se nomeiam os desperdícios.
Poetas. Loucos. Assassinos.
E na algaravia estúpida de seus jogos,
tudo será possível. Nos atirarão algumas pedras
e se dirão, nada os ofende e enfurecidos,
nos gritarão: Combatei covardes! Defendam-se.
E depois de mil vezes e outras mil,
com os olhos desorbitados pelo cansaço
e também pela surpresa de ver,
nossa pequena balsa enamorada seguindo seu caminho
e nós, tranquilamente, sobre ela, remando.
Depois de ter atravessado ilesos o caminho da batalha,
virá, lhes asseguro, o tempo do ouro.
Eles, aborrecidos de suas próprias risadas,
quererão jogar o nosso jogo.
Quanto custa essa madeira a ponto de apodrecer
que usais de embarcação? e quanto vossa vida?
Quanto essas velhas cartas de navegação?
E quanto esses poemas?
Custam, senhor, o que custa a um homem,
deixar de se pertencer e entregar-se ao poema.
Quanto dinheiro custa isso?
Todo e nenhum.
Talvez sua própria vida, acaso.
Quanto dinheiro custa minha vida, então?
Todo e nenhum. Sua vida são palavras como todas as vidas
e isso, tenho entendido, vale nada.
E quanto dinheiro custa pensar assim?
Todo e nenhum. Quem sabe há que submergir,
remar e não esperar nada. Isso custa.
Submergir e não esperar nada, nas trevas,
para outra obscuridade maior, o poema.
Uma vez enamorados o amor e a morte
e rechaçados o ouro e a batalha por impuros,
virá e de nenhuma parte,
- porque ela viveu sempre em nós -
a loucura.
O pior de todos os estreitos,
surge imprevisto,
por ser lei de seu destino, a surpresa.
E não vem por nenhuma briga,
porque traz o desejo de travar amizade com o poeta.
E quando chega nos diz entre sussurros,
que seu mundo e o mundo da poesia,
são o mesmo mundo.
Diante da dúvida há que seguir remando.
Informe, se deixa moldar por nossas palavras,
e no tempo ela, também, tem sua grandeza.
Eu sou do amor, nos disse, esse desenfreio
e a paixão eterna da morte.
Tenho por costume depreciar o ouro,
e no entanto,
as ânsias por matar que geram suas leis,
estão intoxicadas de loucura.
Aí, ela e a poesia se parecem.
A instantes de se juntar em nossa mirada,
como si fossem uma só coisa,
a poesia, velha loba do mar,
rema um trecho conosco para nos mostrar,
que a loucura, desde que chegou,
permanece no mesmo lugar da pequena balsa,
sem remar, recordando todo o tempo seu passado.
Contentes de ter compreendido a diferença,
encerramos à loucura num poema
e seguimos remando até que um dia,
convencidos de sua torpeza para a navegação,
a entregamos ao amor e à morte,
para que a loucura, aprenda a voar.
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
apóie sua candidatura, escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
Já nos perguntarão e nós diremos:
temos estado com o amor
e temos estado, também, com a morte.
No princípio não acreditarão,
dirão que para o homem é impossível.
Nos pedirão provas,
nós lhes mostraremos como se lhes mostrássemos o céu,
alguns poemas e conseguiremos com esse gesto,
que chegue até nós o tempo da burla.
Grandes embarcações que nada buscam,
- porque creem ter -
passarão uma e outra vez a nosso lado,
tratando de fundir com seus jogos,
nossa pequena balsa enamorada.
Nos chamarão desde suas luxuosas embarcações,
com os nomes com os quais se nomeiam os desperdícios.
Poetas. Loucos. Assassinos.
E na algaravia estúpida de seus jogos,
tudo será possível. Nos atirarão algumas pedras
e se dirão, nada os ofende e enfurecidos,
nos gritarão: Combatei covardes! Defendam-se.
E depois de mil vezes e outras mil,
com os olhos desorbitados pelo cansaço
e também pela surpresa de ver,
nossa pequena balsa enamorada seguindo seu caminho
e nós, tranquilamente, sobre ela, remando.
Depois de ter atravessado ilesos o caminho da batalha,
virá, lhes asseguro, o tempo do ouro.
Eles, aborrecidos de suas próprias risadas,
quererão jogar o nosso jogo.
Quanto custa essa madeira a ponto de apodrecer
que usais de embarcação? e quanto vossa vida?
Quanto essas velhas cartas de navegação?
E quanto esses poemas?
Custam, senhor, o que custa a um homem,
deixar de se pertencer e entregar-se ao poema.
Quanto dinheiro custa isso?
Todo e nenhum.
Talvez sua própria vida, acaso.
Quanto dinheiro custa minha vida, então?
Todo e nenhum. Sua vida são palavras como todas as vidas
e isso, tenho entendido, vale nada.
E quanto dinheiro custa pensar assim?
Todo e nenhum. Quem sabe há que submergir,
remar e não esperar nada. Isso custa.
Submergir e não esperar nada, nas trevas,
para outra obscuridade maior, o poema.
Uma vez enamorados o amor e a morte
e rechaçados o ouro e a batalha por impuros,
virá e de nenhuma parte,
- porque ela viveu sempre em nós -
a loucura.
O pior de todos os estreitos,
surge imprevisto,
por ser lei de seu destino, a surpresa.
E não vem por nenhuma briga,
porque traz o desejo de travar amizade com o poeta.
E quando chega nos diz entre sussurros,
que seu mundo e o mundo da poesia,
são o mesmo mundo.
Diante da dúvida há que seguir remando.
Informe, se deixa moldar por nossas palavras,
e no tempo ela, também, tem sua grandeza.
Eu sou do amor, nos disse, esse desenfreio
e a paixão eterna da morte.
Tenho por costume depreciar o ouro,
e no entanto,
as ânsias por matar que geram suas leis,
estão intoxicadas de loucura.
Aí, ela e a poesia se parecem.
A instantes de se juntar em nossa mirada,
como si fossem uma só coisa,
a poesia, velha loba do mar,
rema um trecho conosco para nos mostrar,
que a loucura, desde que chegou,
permanece no mesmo lugar da pequena balsa,
sem remar, recordando todo o tempo seu passado.
Contentes de ter compreendido a diferença,
encerramos à loucura num poema
e seguimos remando até que um dia,
convencidos de sua torpeza para a navegação,
a entregamos ao amor e à morte,
para que a loucura, aprenda a voar.
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
apóie sua candidatura, escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
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Miguel Oscar Menassa
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
AGRADEÇO O MIMO DE Maria Bózoli
Querida amiga blogueira, Maria Bózoli,
Fiquei muito contente com este que é o primeiro premio que o Blog GRUPOCERO VERSO B recebe!!!
Minha amiga, Maria Bózoli, carinhosamente me concedeu este premio, ao qual agradeço muitíssimo em nome do Grupo Cero Verso B, um mimo inestimável... desfrutamos dele com muita alegria!
Gracias, Maria Bózoli,
muchas gracias pelo mimo....
Fiquei muito contente com este que é o primeiro premio que o Blog GRUPOCERO VERSO B recebe!!!
Minha amiga, Maria Bózoli, carinhosamente me concedeu este premio, ao qual agradeço muitíssimo em nome do Grupo Cero Verso B, um mimo inestimável... desfrutamos dele com muita alegria!
Gracias, Maria Bózoli,
muchas gracias pelo mimo....
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Selo Esperança Brasil
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A VERDADEIRA VIAGEM
(parte 3)
Tomar em nossos braços,
fortalecidos como garras pela crueldade do exercício,
à pessoa amada e seguir remando,
se for necessário com os dentes.
Com o tempo ela, também, fará exercício conosco.
Depois, a dois, a três, com todos,
rota a imensidade do único,
virá a morte.
E não valerá nenhuma valentia,
porque ela se gaba de ter matado,
todos os valentes no primeiro encontro.
E tampouco valerá nenhuma covardia,
porque ela mata tudo o que foge.
Para encontrar-se com a morte, se necessita,
ter aprendido algo do amor:
Nem fugir. Nem arremeter-se contra nada.
Aprender a conversar tranquilamente,
isso ensina o amor.
Quando ela se aproxime e venha por nós,
com sua mirada imensa como ela mesma é imensa,
deixa-la aproximar-se até que escute,
nossa respiração entrecortada pelo encontro.
E ela, enternecida como é seu costume,
nos estenderá a mão,
para que acompanhemos a vossa majestade,
ao imutável reino do silêncio.
Aí, quando se entregar é o mais fácil, mirá-la,
-nos olhos a imensidade que lhe pertence-
e dizer-lhe entre dentes:
Amada morte, minha namorada,
escreverei teu nome em todas as paredes,
beijarei sem temor teus lábios,
como nunca nenhum homem o fez
e te amarei, verás, entre o sangue,
nas grandes catástrofes e também, te amarei,
quando um branco botão reine em teu coração.
A grande emoção que recorre seu grande manto negro,
por encontrar-se de golpe em um poema,
faz da morte uma mulher.
Ela também terminará remando tranquilamente até a orla
e compartilhará meu pão e meus amores
e voará pelas noites para cobiçar em seu seio,
aos que já deixaram de remar e voltará,
para encontrar-se comigo e contar-me suas façanhas.
Como se cada vez fosse a primeira,
voltarei a respirar como respiram os atletas
e por tê-lo aprendido dela,
a olharei enternecido
e lhe direi:
Minha morte enamorada e ela,
será feliz.
Depois há que seguir remando.
(continuará)
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
se queres apoiar sua candidatura, escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
Tomar em nossos braços,
fortalecidos como garras pela crueldade do exercício,
à pessoa amada e seguir remando,
se for necessário com os dentes.
Com o tempo ela, também, fará exercício conosco.
Depois, a dois, a três, com todos,
rota a imensidade do único,
virá a morte.
E não valerá nenhuma valentia,
porque ela se gaba de ter matado,
todos os valentes no primeiro encontro.
E tampouco valerá nenhuma covardia,
porque ela mata tudo o que foge.
Para encontrar-se com a morte, se necessita,
ter aprendido algo do amor:
Nem fugir. Nem arremeter-se contra nada.
Aprender a conversar tranquilamente,
isso ensina o amor.
Quando ela se aproxime e venha por nós,
com sua mirada imensa como ela mesma é imensa,
deixa-la aproximar-se até que escute,
nossa respiração entrecortada pelo encontro.
E ela, enternecida como é seu costume,
nos estenderá a mão,
para que acompanhemos a vossa majestade,
ao imutável reino do silêncio.
Aí, quando se entregar é o mais fácil, mirá-la,
-nos olhos a imensidade que lhe pertence-
e dizer-lhe entre dentes:
Amada morte, minha namorada,
escreverei teu nome em todas as paredes,
beijarei sem temor teus lábios,
como nunca nenhum homem o fez
e te amarei, verás, entre o sangue,
nas grandes catástrofes e também, te amarei,
quando um branco botão reine em teu coração.
A grande emoção que recorre seu grande manto negro,
por encontrar-se de golpe em um poema,
faz da morte uma mulher.
Ela também terminará remando tranquilamente até a orla
e compartilhará meu pão e meus amores
e voará pelas noites para cobiçar em seu seio,
aos que já deixaram de remar e voltará,
para encontrar-se comigo e contar-me suas façanhas.
Como se cada vez fosse a primeira,
voltarei a respirar como respiram os atletas
e por tê-lo aprendido dela,
a olharei enternecido
e lhe direi:
Minha morte enamorada e ela,
será feliz.
Depois há que seguir remando.
(continuará)
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
se queres apoiar sua candidatura, escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A VERDADEIRA VIAGEM
(Parte 2)
Remar em qualquer direção tampouco serve.
A terra que promete a poesia sempre é a mesma.
se chega ou não se chega.
Ela necessita reis, centauros,
só se deixa semear por revolucionarios e fanáticos,
por homens que em sua terra,
construam sua casa e sua família, suas grandes ilusões.
Quem repita o feito jamais a encontrará.
Remai para chegar a essa terra como ninguém remou
e serão oferecidos a vossa chegada,
manjares que não foram oferecidos a ninguém.
E nas noites de desilusão,
quando nada é possível nessa obscuridade,
pedi aos maiores que contem,
dos grandes navegantes, suas antigas façanhas,
em pequenos barquinhos de papel.
Cada trecho recorrido terá seus perigos.
Nada será fácil para o poeta.
Virá o amor e terá que se enamorar,
até sentir na carne a última dor.
E ao chegar a esse lugar,
terá que se enamorar ainda mais,
até sentir que a carne tremendo é um poema.
E assim chegará a inesquecível noite, o dia,
onde por um instante essa paixão será a poesia.
Diante da dúvida não deixar de remar.
(continuará)
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(Miguel Oscar Menassa, do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
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Remar em qualquer direção tampouco serve.
A terra que promete a poesia sempre é a mesma.
se chega ou não se chega.
Ela necessita reis, centauros,
só se deixa semear por revolucionarios e fanáticos,
por homens que em sua terra,
construam sua casa e sua família, suas grandes ilusões.
Quem repita o feito jamais a encontrará.
Remai para chegar a essa terra como ninguém remou
e serão oferecidos a vossa chegada,
manjares que não foram oferecidos a ninguém.
E nas noites de desilusão,
quando nada é possível nessa obscuridade,
pedi aos maiores que contem,
dos grandes navegantes, suas antigas façanhas,
em pequenos barquinhos de papel.
Cada trecho recorrido terá seus perigos.
Nada será fácil para o poeta.
Virá o amor e terá que se enamorar,
até sentir na carne a última dor.
E ao chegar a esse lugar,
terá que se enamorar ainda mais,
até sentir que a carne tremendo é um poema.
E assim chegará a inesquecível noite, o dia,
onde por um instante essa paixão será a poesia.
Diante da dúvida não deixar de remar.
(continuará)
de MIGUEL OSCAR MENASSA
(Miguel Oscar Menassa, do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A VERDADEIRA VIAGEM
(Parte 1)
Cuidado! Cuidado!
Estamos a ponto de naufragar
Haveis acreditado,
que no transatlântico poderoso navegávamos
e no entanto lhes digo:
minha vida é uma pequena balsa enamorada.
Vejo surgir, é certo, entre as sombras,
uma luz que ninguém apagará.
Formada de versos e perfumes como ventos insondáveis,
como uma catarata de carne abandonada,
que por fim encontra seu reinado.
Reinado de nuvens,
de antigas fragrâncias e de fragrâncias inconcebíveis.
Pequenas balsas enamoradas sempre a ponto de naufragar.
Por agora, toda paixão será remar,
até alcançar o poema nesse movimento.
Depois, algum dia, tereis,
em vossa pequena balsa enamorada vossos grandes amores.
Rema, até ficar sem forças e aí,
compreendereis o motivo de minha paixão.
Iremos pelos mais belos rios e com o tempo,
nos animaremos aos grandes oceanos,
à beleza das borrascas plenas no mar
e sempre, iremos temerosos de desaparecer,
pequenos, nessa imensidade que nos rodeia.
Saber nadar ou ser grandiosos, não servirá de nada,
para chegar, teremos que manter a balsa a flutuar
e manter-nos em cima da balsa.
Isso, todo o mistério.
Um dia a balsa se partirá em mil fragmentos
e cada um,
terá que aprender a sustentar-se em pequenas madeiras.
Se é possível o poema é possível a vida.
Rema, agoniza remando,
até sentir que só é impossível.
Fica sem forças,
olha como outros remam e eu mesmo remo,
com as mãos ensangüentadas pelo esforço,
sem descansar, até encontrar nesse movimento o poema.
E cada um terá sua pequena balsa enamorada.
Dono de sua vida e de sua morte,
pode estender-se na balsa para sempre,
não remar mais e deixar que as águas o levem para qualquer lugar.
E algum outro, remando desesperadamente, ao vê-lo,
escreverá um poema.
(continuará)
Miguel Oscar Menassa
(Miguel Oscar Menassa, do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
Se queres apoiar sua candidatura escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
e te diremos como.
Cuidado! Cuidado!
Estamos a ponto de naufragar
Haveis acreditado,
que no transatlântico poderoso navegávamos
e no entanto lhes digo:
minha vida é uma pequena balsa enamorada.
Vejo surgir, é certo, entre as sombras,
uma luz que ninguém apagará.
Formada de versos e perfumes como ventos insondáveis,
como uma catarata de carne abandonada,
que por fim encontra seu reinado.
Reinado de nuvens,
de antigas fragrâncias e de fragrâncias inconcebíveis.
Pequenas balsas enamoradas sempre a ponto de naufragar.
Por agora, toda paixão será remar,
até alcançar o poema nesse movimento.
Depois, algum dia, tereis,
em vossa pequena balsa enamorada vossos grandes amores.
Rema, até ficar sem forças e aí,
compreendereis o motivo de minha paixão.
Iremos pelos mais belos rios e com o tempo,
nos animaremos aos grandes oceanos,
à beleza das borrascas plenas no mar
e sempre, iremos temerosos de desaparecer,
pequenos, nessa imensidade que nos rodeia.
Saber nadar ou ser grandiosos, não servirá de nada,
para chegar, teremos que manter a balsa a flutuar
e manter-nos em cima da balsa.
Isso, todo o mistério.
Um dia a balsa se partirá em mil fragmentos
e cada um,
terá que aprender a sustentar-se em pequenas madeiras.
Se é possível o poema é possível a vida.
Rema, agoniza remando,
até sentir que só é impossível.
Fica sem forças,
olha como outros remam e eu mesmo remo,
com as mãos ensangüentadas pelo esforço,
sem descansar, até encontrar nesse movimento o poema.
E cada um terá sua pequena balsa enamorada.
Dono de sua vida e de sua morte,
pode estender-se na balsa para sempre,
não remar mais e deixar que as águas o levem para qualquer lugar.
E algum outro, remando desesperadamente, ao vê-lo,
escreverá um poema.
(continuará)
Miguel Oscar Menassa
(Miguel Oscar Menassa, do Livro: EL VERDADERO VIAJE, bilingue, Grupo Cero, 1988)
O autor está indicado a CANDIDATO ao PREMIO NOBEL DE LITERATURA 2010,
Se queres apoiar sua candidatura escreva para grupoceroversob@gmail.com ou ligue para (51) 3024.2829
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domingo, 24 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
SÁBATO 15
é cega invadida por casas
celibatarias avô de tréguas
advogado com seus terremotos
e bêbado horacio
habituado a alimentar o canario
com a comida do gato
é casa aberta aos venenos
em conserva recolhidos
por um braço solitário
o mesmo braço
sob o qual adormece e lê
ou escreve um poeta
de olhos apagados
os mesmos olhos delatores
da magoa dos lençóis
desmaiados sobre o pó
o pó da sombra que atada à
sua grande boneca negra
lamenta o açúcar do pão e o
sempre dia murado funerável
Eliane Marques
(Eliane Marques é integrante da Escola Grupo Cero de Poesia, autora do livro RELICÁRIO e, com outros autores, do ARADO DE PALAVRAS- bilingue)
é cega invadida por casas
celibatarias avô de tréguas
advogado com seus terremotos
e bêbado horacio
habituado a alimentar o canario
com a comida do gato
é casa aberta aos venenos
em conserva recolhidos
por um braço solitário
o mesmo braço
sob o qual adormece e lê
ou escreve um poeta
de olhos apagados
os mesmos olhos delatores
da magoa dos lençóis
desmaiados sobre o pó
o pó da sombra que atada à
sua grande boneca negra
lamenta o açúcar do pão e o
sempre dia murado funerável
Eliane Marques
(Eliane Marques é integrante da Escola Grupo Cero de Poesia, autora do livro RELICÁRIO e, com outros autores, do ARADO DE PALAVRAS- bilingue)
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sábado, 23 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
CARTA AO ODIO
nem posso começar te chamando prezado,
embora sempre estejas tão perto do amor,
que às vezes acho
persigo
próximo como antítese
outro extremo,
talvez par,
forma de amar
confusões que nos levam, por vezes
desgovernados
em caminhos diversos
te odeio, ódio
odeio
e te colocas triunfante
me torcendo o pescoço
te odeio meu ódio
nem te enxergo
nego
abomino
e quanto mais
te pautas tranquilo
negocias
outros pactos
te odeio, quero matar
exterminar
rumino sem trégua
e caio
em mais um tropeço
Leonora Waihrich
(Leonora Waihrich é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
nem posso começar te chamando prezado,
embora sempre estejas tão perto do amor,
que às vezes acho
persigo
próximo como antítese
outro extremo,
talvez par,
forma de amar
confusões que nos levam, por vezes
desgovernados
em caminhos diversos
te odeio, ódio
odeio
e te colocas triunfante
me torcendo o pescoço
te odeio meu ódio
nem te enxergo
nego
abomino
e quanto mais
te pautas tranquilo
negocias
outros pactos
te odeio, quero matar
exterminar
rumino sem trégua
e caio
em mais um tropeço
Leonora Waihrich
(Leonora Waihrich é integrante da Escola de Poesia Grupo Cero)
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
(Aforismo de Miguel Oscar Menassa, do livro: Aforismos y decires, Grupo Cero, 2008)
Miguel Oscar Menassa - indicado ao Premio Nobel de Literatura 2010
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domingo, 10 de janeiro de 2010
APOIO À CANDIDATURA DE MIGUEL OSCAR MENASSA AO PREMIO NOBEL DE LITERATURA - 2010
CARTA DE APRESENTAÇÃO PARA O PREMIO NOBEL DE LITERATURA DO POETA MIGUEL MENASSA PELA IWA (ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ESCRITORES E ARTISTAS, OHIO, USA)
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ARTISTAS E ESCRITORES
Teresinka Pereira, Presidente
Dr. Georg Reiff, Diretor de Internet
Membro da União para as Liberdades Civis da América
Membro para o Conselho para o Humanismo Secular
Membro da Associação das Nações Unidas
e do Conselho de Negocios para as Nações Unidas
Representante da UNESCO: Emérito Dr. Francis Dessart
Embaixador da IWA na UNESCO e na UN
Dr. Jorge Alberto Costa e Silva
ENDEREÇO: P.O. Box 352048
Toledo, OH 43635-2048, USA
tpereira@buckeye-express.com
WEBSITE: http://www.international-writers-association.com/
* * * *
Equipe de Diretores
Peter Bemski (USA) Lívia Paulini (Hungary-Brasil)
Igor Mikhailusenko (Russia) Maria do Carmo G. De Oliveira (Brasil)
Kazuyosi Ikeda (Japão) Baek Han-Yi (Coreia) Oscar Flores Tamara (Colombia)
Radana Parmová (Rep. Tcheca) Lazhar Baaziz (Argelia)
Andrej Zivor (Servia) Juana García Abas (Cuba)
Chris Mestas (França) Conceição Piló (Brasil) José Franco (Panamá)
* * * *
Madrid, 25 de novembro de 2009
Ao Comitê do Premio Nobel de Literatura
Este ano a IWA (Associação Internacional de Escritores) sugere o poeta Miguel Oscar Menassa, da Argentina, para ser considerado como candidato para o Premio Nobel de Literatura - 2010. Ele emigrou para a Espanha desde 1976 e desenvolveu ali um grande Movimento Científico Cultural, um dos mais importantes no mundo desde a segunda metade deste último século. Junto com esta carta, podem encontrar uma página com uma pequena nota biográfica e uma mostra de sua poesia, seu endereço é
Poeta Miguel Oscar Menassa
Grupo Cero
Calle Duque de Osuna, 4
28015 Madrid
Espanha
A IWA foi fundada em 1978. Ela apoia os direitos e as liberdades na Declaração Universal dos Direitos Humanos para todo o mundo em todas partes. Nós valorizamos: O respeito e a compreensão de todas as culturas e tradições étnicas, a liberdade de expressão e a diversidade com a meta de um mundo justo. Mais fundamentalmente que a liberdade de expressão e a diversidade, nós rechaçamos o racismo, o sexismo, o “tribalismo” e a discriminação pela idade.
A IWA tem muitos membros distintos como: O Marquês K. Vella Harber, Grande Prior Internacional e Cabeça do Executivo do Supremo Conselho da Ordem de São João de Jerusalém (Malta); O Príncipe Waldemar Baroni Santos (Brasil); Don Ciro Punzo, Príncipe de Cnosso e Manzanilla (Italia); Lord Viktor Busá, Presidente do Parlamento dos Estados Internacionais pela Seguridade e pela Paz; O Príncipe Dom Duarte Nuno João Pio de Orleáns e Braganza, de Portugal; Dr. Denis Kelleher Muhillym, Presidente da Universidade Internacional Americana; Dr. Fernando Enrique Cardoso, Presidente saliente do Brasil, de 1994 a 2002, Frei Betto, e escritores famosos como: Ernesto Sábato (Argentina), Noan Chomsky (USA), Fernando Alegría (Chile), Rigoberta Menchú, Premio Nobel da Paz em 1992, Guatemala, Fidel Castro, Cuba. Entre os imortais: Dr. Jean Bernard (França), Carlos Drummond de Andrade (Brasil), Alberto Moravia (Italia), Ella Fitgerald (USA), Eugene Ionesco (Romenia), Jorge Guillén e Francisco García Pavón, Juan Carlos María Onetti (Uruguai), Augusto Roa Bastos (Paraguai), Juan Rulfo (México), Julio Cortázar e Manuel Puig (Argentina); Margerite Durás (França), Dr. Rosemary C.Wilkinson, Presidente de WAAC (Associação do Oeste para a Conservação da Arte), Melina Merkuri (Grecia) e muitos outros, aproximadamente 1.430 associados em 130 países nos cinco continentes do mundo.
Espero merecer sua atenção neste assunto e lhe envio meu respeito e consideração.
Sinceramente,
Teresinka Pereira
Presidente da IWA
O GrupoCero VersoB apoia a candidatura de MIGUEL OSCAR MENASSA - poeta Diretor da Internacional Grupo Cero - ao Premio Nobel de Literatura 2010. Acompanhe também seu blog: http://miguelmenassa.blogspot.com/
ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE ARTISTAS E ESCRITORES
Teresinka Pereira, Presidente
Dr. Georg Reiff, Diretor de Internet
Membro da União para as Liberdades Civis da América
Membro para o Conselho para o Humanismo Secular
Membro da Associação das Nações Unidas
e do Conselho de Negocios para as Nações Unidas
Representante da UNESCO: Emérito Dr. Francis Dessart
Embaixador da IWA na UNESCO e na UN
Dr. Jorge Alberto Costa e Silva
ENDEREÇO: P.O. Box 352048
Toledo, OH 43635-2048, USA
tpereira@buckeye-express.com
WEBSITE: http://www.international-writers-association.com/
* * * *
Equipe de Diretores
Peter Bemski (USA) Lívia Paulini (Hungary-Brasil)
Igor Mikhailusenko (Russia) Maria do Carmo G. De Oliveira (Brasil)
Kazuyosi Ikeda (Japão) Baek Han-Yi (Coreia) Oscar Flores Tamara (Colombia)
Radana Parmová (Rep. Tcheca) Lazhar Baaziz (Argelia)
Andrej Zivor (Servia) Juana García Abas (Cuba)
Chris Mestas (França) Conceição Piló (Brasil) José Franco (Panamá)
* * * *
Madrid, 25 de novembro de 2009
Ao Comitê do Premio Nobel de Literatura
Este ano a IWA (Associação Internacional de Escritores) sugere o poeta Miguel Oscar Menassa, da Argentina, para ser considerado como candidato para o Premio Nobel de Literatura - 2010. Ele emigrou para a Espanha desde 1976 e desenvolveu ali um grande Movimento Científico Cultural, um dos mais importantes no mundo desde a segunda metade deste último século. Junto com esta carta, podem encontrar uma página com uma pequena nota biográfica e uma mostra de sua poesia, seu endereço é
Poeta Miguel Oscar Menassa
Grupo Cero
Calle Duque de Osuna, 4
28015 Madrid
Espanha
A IWA foi fundada em 1978. Ela apoia os direitos e as liberdades na Declaração Universal dos Direitos Humanos para todo o mundo em todas partes. Nós valorizamos: O respeito e a compreensão de todas as culturas e tradições étnicas, a liberdade de expressão e a diversidade com a meta de um mundo justo. Mais fundamentalmente que a liberdade de expressão e a diversidade, nós rechaçamos o racismo, o sexismo, o “tribalismo” e a discriminação pela idade.
A IWA tem muitos membros distintos como: O Marquês K. Vella Harber, Grande Prior Internacional e Cabeça do Executivo do Supremo Conselho da Ordem de São João de Jerusalém (Malta); O Príncipe Waldemar Baroni Santos (Brasil); Don Ciro Punzo, Príncipe de Cnosso e Manzanilla (Italia); Lord Viktor Busá, Presidente do Parlamento dos Estados Internacionais pela Seguridade e pela Paz; O Príncipe Dom Duarte Nuno João Pio de Orleáns e Braganza, de Portugal; Dr. Denis Kelleher Muhillym, Presidente da Universidade Internacional Americana; Dr. Fernando Enrique Cardoso, Presidente saliente do Brasil, de 1994 a 2002, Frei Betto, e escritores famosos como: Ernesto Sábato (Argentina), Noan Chomsky (USA), Fernando Alegría (Chile), Rigoberta Menchú, Premio Nobel da Paz em 1992, Guatemala, Fidel Castro, Cuba. Entre os imortais: Dr. Jean Bernard (França), Carlos Drummond de Andrade (Brasil), Alberto Moravia (Italia), Ella Fitgerald (USA), Eugene Ionesco (Romenia), Jorge Guillén e Francisco García Pavón, Juan Carlos María Onetti (Uruguai), Augusto Roa Bastos (Paraguai), Juan Rulfo (México), Julio Cortázar e Manuel Puig (Argentina); Margerite Durás (França), Dr. Rosemary C.Wilkinson, Presidente de WAAC (Associação do Oeste para a Conservação da Arte), Melina Merkuri (Grecia) e muitos outros, aproximadamente 1.430 associados em 130 países nos cinco continentes do mundo.
Espero merecer sua atenção neste assunto e lhe envio meu respeito e consideração.
Sinceramente,
Teresinka Pereira
Presidente da IWA
O GrupoCero VersoB apoia a candidatura de MIGUEL OSCAR MENASSA - poeta Diretor da Internacional Grupo Cero - ao Premio Nobel de Literatura 2010. Acompanhe também seu blog: http://miguelmenassa.blogspot.com/
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
POESIA saindo do forno CERO
Te odeio!
porque não queres como eu quero!
Te odeio
porque não posso ter-te!
Te odeio
porque esvazias o que encho!
Te odeio
quando sais exuberante e te perdes de mim!
Te odeio
quando queres destruir o que construímos!
Te odeio
quando desfazes o que faço!
Te odeio
porque reprimes a alegria de viver!
Te odeio
quando não me permites escrever.
Te odeio
quando me roubas a força do trabalho!
(dez.2009)
(Lúcia Bins Ely - integrante da Escola de Poesia Grupo Cero - coordenadora do Grupo de Poesia dos sábadaos às 11h em Porto Alegre - aberto a novos integrantes)
porque não queres como eu quero!
Te odeio
porque não posso ter-te!
Te odeio
porque esvazias o que encho!
Te odeio
quando sais exuberante e te perdes de mim!
Te odeio
quando queres destruir o que construímos!
Te odeio
quando desfazes o que faço!
Te odeio
porque reprimes a alegria de viver!
Te odeio
quando não me permites escrever.
Te odeio
quando me roubas a força do trabalho!
(dez.2009)
(Lúcia Bins Ely - integrante da Escola de Poesia Grupo Cero - coordenadora do Grupo de Poesia dos sábadaos às 11h em Porto Alegre - aberto a novos integrantes)
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
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