Ainda que minha formação tenha sido mais musical do que literaria, me decidi a escrever por uma necessidade que respondia, sem dúvida, a um vocação mais profunda. Uma vez que me interessava pelo estudo do contraponto e da fuga de uma maneira totalmente objetiva (igual ao interesse pela arquitetura, já que sou filho de arquiteto), me apaixonei pela literatura por outras razões... Estou convencido de que na América Latina o romance responde a uma 'necessidade', e de que não se trata tanto que se realize no plano de uma estética literaria qualquer, e sim se cumpra uma 'fixação'. O romance sul-americano tem todo um mundo por 'revelar'. Sobretudo se se pensa que nossos primeiros romances só datam de um século atrás, e que somente agora é que os escritores sul-americanos tomaram consciencia do verdadeiro significado do seu trabalho.
Alejo Carpentier y Valmont (Havana, Cuba, 1904 - Paris, 1980)
Havana: Letras Cubanas, 1985.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
POR QUE ESCREVO?
Às vezes, quando vejo o que se passa no mundo, pergunto-me para que escrever? Mas, há que trabalhar, trabalhar. E ajudar o que mereça. Trabalhar como forma de protesto. Porque o impulso de um pessoa seria gritar todos os dias ao despertar num mundo cheio de injustiças e misérias de toda ordem: protesto! protesto! protesto!Federico García Lorca (Granada 5 de junho de 1898- Granada 1936)
(Do livro: Por que escrevo? Vários Autores, Novera, São Paulo, 2006)
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segunda-feira, 30 de maio de 2011
POR QUE ESCREVO?
Eu tive desde a infancia varias vocações que me chamavam ardentemente. Umas das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a propria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a lingua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo viver e escrever.
CLARICE LISPECTOR (Ucrania- 1920, Rio de Janeiro, 1977)
(do livro: Por que escrevo? Vários Autores, Novera, São Paulo, 2006)
Acrescentamos a seguir a dedicatoria deste livro:
CLARICE LISPECTOR (Ucrania- 1920, Rio de Janeiro, 1977)
(do livro: Por que escrevo? Vários Autores, Novera, São Paulo, 2006)
Acrescentamos a seguir a dedicatoria deste livro:
À Clarice Lispector.
Estadedicatoria, além de cumprir um ritual,
quer se consubstanciar numa lembrança autêntica
e num agradecimento póstumo à autora que
mais encarnou o ato de escrever como uma
atividade profunda e reflexiva sobre a vida.
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