VIVEM em nós inúmeros;
e penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.
FERNANDO PESSOA (Odes de Ricardo Reis) (1888.Largo de São Carlos. 1935. Hospital de S. Luís)
Mostrando postagens com marcador escrever. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escrever. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 14 de junho de 2012
LENDO OS GRANDES POETAS
VIVEM em nós inúmeros;
e penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.
FERNANDO PESSOA (Odes de Ricardo Reis) (1888.Largo de São Carlos. 1935. Hospital de S. Luís)
Marcadores:
escrever,
Fernando Pessoa,
Grupo Zero poesia e psicanálise,
poema,
psicanálise e poesia
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
POR QUE ESCREVO?
Talvez o meu destino seja eternamente ser guarda-livros,
e a poesia ou a literatura uma borboleta que,
pousando-me na cabeça, me torne tanto mais
ridículo quanto maior for a sua própria beleza.
Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)
do LIVRO DO DESASSOSSEGO.
Marcadores:
escrever,
Fernando Pessoa
terça-feira, 19 de abril de 2011
LENDO OS GRANDES POETAS
PALAVRAS DE PÓRTICO
NAVEGADORES ANTIGOS tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso."
Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessario; o que é necessario é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essencia anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a patria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)
no livro: OBRA POÉTICA, Editora Nova Aguiar.
NAVEGADORES ANTIGOS tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso."
Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessario; o que é necessario é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho na essencia anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a patria e contribuir para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)
no livro: OBRA POÉTICA, Editora Nova Aguiar.
Marcadores:
escrever,
Fernando Pessoa,
poesia
quarta-feira, 13 de abril de 2011
AFORISMAS
![]() |
| Delirio de Amor (Miguel Oscar Menassa) |
"Não se pode revolucionar nada sem escritura, nem sequer o amor."
"Minha escritura, cada dia que passa, é mais que eu."
"Escrever, também contra mim mesmo."
Miguel Oscar Menassa (Buenos Aires, 1940)
Marcadores:
Aforismas,
escrever,
escritura,
Miguel Oscar Menassa
Assinar:
Postagens (Atom)


