quinta-feira, 30 de julho de 2009

+ poesia

Evolução

Mario Quintana

Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais
E ficamos repousando no fundo do mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...
Até que, um dia, nós criaremos asas.
E andaremos no ar como se anda em terra.

(do livro Esconderijos do Tempo, de Mario Quintana, 30 de junho de 1906 - 5 de maio de 1994)

confábulas


A TERCEIRA COISA

O sr. K. jamais estabelecia ele mesmo relação com uma pessoa, mas sempre invocava a terceira coisa. Com esta o sr. K. e seu amigo estabeleciam a relação. “Como então”, dizia o sr. K., “pode acabar a relação? A terceira coisa pode acabar. Disso vive a relação."

(Histórias do sr. Keuner, Bertolt Brecht, editora 34)

diário de um psicoanalista

21 de agosto de 1977

Ter mais pactos que braços ou que órgãos genitais também é uma maneira de viver.

(El Ofício de Morir, Miguel Oscar Menassa, Editorial Biblioteca Nueva)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

+ poesia

HORÁCIO

O bêbado cabal
Quando nós, de meninos,
vivemos a doença
de criar passarinhos,

e as férias acabadas
o horrível outra-vez
do colégio nos pôs
na rotina de rês,

deixamos com Horácio
um dinheiro menino
que pudesse manter
em vida os passarinhos.

Poucos dias depois
as gaiolas sem língua
eram tumbas aéreas
de morte nordestina.

Horácio não comprara
alpiste; e tocar na água
gratuita, para os cochos,
certo lhe repugnava.

Gastou o que do alpiste
com o alpiste-cachaça,
alma do passarinho
que em suas veias cantava.

(João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra e depois, Editora Nova Fronteira)

psicoanálise em recortes

(Modigliani)

Começo a me psicoanalisar, não para curar nenhuma ferida passada, senão para viver melhor os anos futuros.

(Miguel Oscar Menassa)

quarta-com-cortázar






HISTÓRIA VERÍDICA

Um senhor deixa cair no chão os óculos, que fazem um barulho terrível ao bater nos ladrilhos. O senhor se abaixa aflitíssimo porque as lentes dos óculos custam muito caro, mas descobre assombrado que por milagre elas não se quebraram.
Então, esse senhor sente-se profundamente grato, e compreende que o acontecimento vale por uma advertência amigável, de maneira que se dirige a uma ótica e compra um estojo de couro acolchoado, com proteção dupla, como precaução. Uma hora depois deixa cair o estojo e ao abaixar-se sem maior precaução verifica que os óculos viraram farelo. Esse senhor leva tempo para compreender que os desígnios da Providência são insondáveis e que na realidade o milagre aconteceu agora.

(Julio Cortázar, Histórias de Cronópios e Famas, Círculo do Livro, São Paulo)

terça-feira, 28 de julho de 2009

frase feita

(Eugène Delacroix)



Depois que se matem milhões para conseguir pão e liberdade, se iniciará o processo revolucionário dos terráqueos.

(Miguel Menassa)


verso b

In extremis

Olavo Bilac


Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! de um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! Postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! E
[este medo!
Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,
A arredar-me de ti, cada vez mais a morte...

Eu, com o frio a crescer no coração, - tão cheio
De ti, até no horror do derradeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!

E eu morrendo! e eu morrendo
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! A delícia da vida!

domingo, 26 de julho de 2009

+ psicoanálise

(Eugène Delacroix)


Um tirano se aninha no coração do homem atual e um tirano não gera desejos, se não obrigações, exércitos.

(Miguel Oscar Menassa)


poema de bolsa

Acontecimento Heráclito


Pedi o Livro para registrar as façanhas.

A primeira: Farás o amor.
E apenas brotou o ódio.
As órbitas espaciais se encheram de olhos mortos.

A segunda: Não mentirás.
E brotou a estafa.
O homem contou seus ossos e seus nervos
e os colocou na balança para vender.

A terceira: Não cairás em idolatria.
E no dia seguinte levantaste um código de signos
no qual cada cifra era uma boca sem entranhas.
O homem se converteu num número que andava.

A quarta: Não roubarás.
E estalou a ausência.
O pão que te dei para viver se deslizava no coração
das hienas.

A quinta: Dará a mão ao necessitado.
E teus dedos se encheram de garfos.

A sexta: Não trairás o amigo.
E no dia seguinte teus desejos avançavam no ventre da mulher.
O planeta era uma matriz onde as bactérias
competiam com o homem.

A sétima: Não construirás ataúdes.
E se acenderam os semáforos negros
sobre o vazio.
A luz era um cone que recolhia as palavras.

A oitava: Não dividirás.
E em seguida instauraste as cores.
As raças extraíram suas imagens de um espelho
multiplicado.

A nona: Não violentarás teu corpo.
E no dia seguinte o cansaço pariu as invenções,
e a preguiça, a inteligência artificial.
As larvas foram o filtro que codificava o sexo,
que acionava o prazer em pequenos pontos
cujas antenas alçavam o desejo
de velhos computadores que gemiam.

A décima: Não matarás.
E nasceram a ambição, o desprezo, a alienação
e a destruição.
Os átomos copularam em vulvas de ferro que giravam
até mundos pulverizados.
Perderam seus núcleos e caíram na cadeia
enlaçando imagens
esqueletos que pregavam de seus números
fótons de outras partículas que fundiam o futuro
com o passado sem memória.

(Juan-Jacobo Bajarlia, Poema de La Creación, Editorial Grupo Cero)

sessão desvelada

ADRIANO

II Parte (I parte publicada em 19 de julho)

Campainha
- Cheguei no horário hoje. Tinha muita vontade de vir... fiquei pensando em algo do que me interpretaste na sessão passada. O de me sentir órfão, o das perdas... o …

- Pode te deitar no divã, esta sessão é outra.

- Estou um pouco ansioso. Vou respirar fundo um pouco para ver se relaxo e digo tudo o que pensei entre ontem e hoje.

- Que ambição desmedida. Pode falar o que vá podendo falar, porém tudo o que pensou não vai poder falar.

- É verdade, me senti insignificante quando Luísa me disse que não me amava mais. Me foi insuportável que ela pronunciasse essa frase assim, com essa naturalidade, como dizendo “Chove em Moscou”

- Chove em Moscou... soa natural?

- Nunca estive em Moscou... não sei por que o disse.

- E com o que o associa?

- Não vinha para falar disso, queria contar o que pensei ontem, porém agora já não posso falar de outra coisa que disso que me fez dizer: Chove em Moscou.

- Sim, o escuto.

- Chamam Luísa de a “russa”, mas não por ser russa, senão por ser judia.

- A russa te disse que não o amava mais, como se lhe fosse natural ver chover em Moscou e contar.

- Agora me lembro que faz alguns meses, quis dizer a ela que estava incômodo com sua presença permanente em minha casa, porém não o disse. Um dia que não a aguentava mais por que não me deixava ver uma partida de futebol e lhe disse: por que não vai a esquina ver se está chovendo.

- Quando lhe queria dizer era que o deixasse um pouco sozinho. E lhe mandou ver se chovia. - Sim, me custa dizer o que penso, sempre dou voltas estranhas e termino mostrando meu mal-estar, mas sem me animar a dizer.

- E ela te disse: Não te amo mais... da mesma maneira que você lhe tivesse dito: Chove em Moscou. Que tristeza, não há mais sol para nós.

- Tenho vontade de chorar e lhe dizer que ainda que seja minha analista às vezes a amo e às vezes não a amo.
- Bem, Adriano, algo posso dizer. Às vezes também chove entre você e eu, até a próxima.

Marcela Villavella

sábado, 25 de julho de 2009

o tempo passa

noite 2
das 2001 noites
Recordo como se fosse hoje, quando aquele velho índio acreditou haver descoberto na minha mirada uma ânsia de cura, me disse com a boca apenas entreaberta, num idioma até então desconhecido:

Toma esse cogumelo e logo, se não deseja demais, terá o poder de curar.

(Las 2001 noches y 393 noches de repuesto, 1976-1997, Miguel Oscar Menassa, Editorial Grupo Cero)

ainda que não compreendamos o seu passar

2ª noite
das espantosas histórias das mil e uma noites

Disse Sahrazad:

Conta-se ó rei venturoso e de correto parecer, que, quando o gênio, ergueu a mão com a espada, o mercador lhe disse: “Ó criatura sobre-humana, é mesmo imperioso me matar? " “E por que você não me concede um prazo para que eu possa despedir-me de minha família, de meus filhos e de minha esposa, dividir minha herança entre eles e fazer as disposições finais? Em seguida, retornarei para que você me mate”. Disse o ifrit: “ Temo que, caso eu o solte e lhe conceda um prazo, você vá fazer o que precisa e não regresse mais”. O mercador disse: “Eu lhe juro por minha honra; eu prometo e convoco o testemunho do Deus dos céus e da terra que eu voltarei para você. “O gênio perguntou: E de quanto é o prazo?”. Respondeu o mercador: “Um ano, para que eu me sacie de ver meus filhos, possa despedir-me de minha mulher e resgatar alguns títulos; retornarei no início do ano”. O gênio disse: “Deus é testemunha do que você está jurando: se eu soltá-lo voltará no início do ano”. O mercador respondeu: “Invoco a Deus por testemunha do que estou jurando”. E quando ele jurou, o gênio soltou-o. Triste, o mercador subiu na montaria e tomou o caminho de casa. Avançou até chegar à sua cidade; entrou em casa, encontrando os filhos e a esposa. Ao vê-los, foi tomado pelo choro com lágrimas abundantes, demonstrando aflição e tristeza. Todos estranharam aquele seu estado, e sua esposa lhe perguntou: “O que você tem, homem? Que choro é esse? Nós hoje estamos felizes, num dia de júbilo por sua volta. Que luto é esse?. Ele respondeu: “E como não estar de luto se só me resta um ano de vida?, e a colocou a par do que se passara entre ele e o gênio durante a viagem, informando a todos que ele jurara ao gênio que regressaria no início do ano para que este o matasse.
Disse o autor: ao lhe ouvirem as palavras, todos choraram.
A esposa começou a bater no próprio rosto e a arrancar os cabelos; as meninas, a gritar; e os pequenos, a chorar. O luto se instalou, e durante o dia inteiro as crianças choraram em redor do pai, que passou a dar e a receber adeus. No dia seguinte, ele iniciou a partilha da herança e se pôs a ditar recomendações, a quitar seus compromissos com os outros, e a fazer concessões, doações e distribuição de esmolas. Convocou recitadores para que recitassem versículos religiosos pelo seu passamento, chamou testemunhas idôneas, libertou servas e escravos, pagou os direitos dos seus filhos mais velhos, fez recomendações quanto aos seus filhos mais moços e quitou os direitos de sua esposa. E permaneceu junto aos seus até que não faltassem para o ano-novo senão os dias do caminho a ser percorrido, quando então se levantou, fez abluções, rezou, recolheu sua mortalha e despediu-se da família; os filhos se penduraram em seu pescoço, as meninas choraram ao seu redor e sua esposa gritou. O choro deles fez-lhe o coração fraquejar, e seus olhos verteram lágrimas copiosas. Pôs-se a beijar freneticamente os filhos, a abraçá-los e a despedir-se deles; disse: “Meus filhos, esta é a decisão de Deus; tais são seus desígnios e decretos . E o homem, afinal, não foi criado senão para a morte.” E, dando um último adeus, deixou-os, subiu em sua montaria e avançou por dias e noites seguidos até chegar ao oásis em que encontrara o gênio, exatamente no dia de ano novo. Sentou-se no mesmo lugar onde comera as tâmaras e começou a esperar pelo gênio, com os olhos marejados e o coração triste. Em meio a essa espera eis que passou por ele um velho xeique que puxava uma gazela pela corrente. Aproximou-se e saudou o mercador, que lhe retribuiu a saudação. O xeique perguntou: “Por que motivo você está aqui, meu irmão, neste lugar que é moradia de gênios rebeldes e de filhos de demônios? Eles tanto assombraram esse lugar que quem aqui adentra nunca prospera”. Então o mercador contou tudo o que lhe sucedera com o gênio, do início ao fim, e o velho xeique, espantado com a fidelidade do mercador aos seus compromissos, disse;” Você de fato leva muito a sério e cumpre suas juras”. E, sentando-se ao seu lado, ajuntou: “Por Deus que não me moverei daqui até ver o que lhe ocorrerá com o gênio”. Assim, sentado ao seu lado, pôs-se a conversar com ele. Enquanto estavam nessa conversa eis que...

(Livro das Mil e Uma Noites, Volume I – ramo sírio, Editora Globo)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

+ psicoanálise

(Rugendas)

Melhor viajar sem rumo. Há céu em todas as direções.

(Miguel Menassa
)

era uma vez...

O OVO DO PROFETA

José fizera todo o tipo de serviços. Vendera pastéis, pães, doces, os poucos eletrodomésticos da casa, limpara salões de baile e ricas residências, pintara de vermelho, a gosto do cliente, rosas que, de nascimento, eram brancas... Dormira com a mulher do próximo e não amara a deus. Mas o seu trabalho preferido fora o de tamboreiro nas festas de religião. Gostava de tocar para os orixás. Tivera um apelido que herdara do pai, o seu João, primeiro homem ovo que aquela fronteira de tantas guerras havia conhecido. Seu João, depois de abandonar a Brigada Militar quando alcançado o cargo de “1° clarim da alvorada”, resolvera enveredar para outros negócios. Decidira ser comerciante de ovos. Certa feita, cansado da labuta, fora ao Clube Farroupilha ouvir um pouco de música. Sempre preocupado com as vendas, abrigara alguns ovos nos bolsos do casaco, com outros, pagara o ingresso para entrar no local, com outros preparara um jantar para os amigos e, das sobras, ainda fizera vistas grossas aos pequenos ladrões. Bem, o filho do Ovo, por essas coisas que ninguém sabe, ficou também conhecido como Ovo.
No leito de morte o único desejo do Ovo (filho) fora o de tomar um suco de maracujá que sua esposa, Madalena, demorara três dias para fazer. Por esses três dias também se alongara a vida do sedento.
Na última data da contagem, enquanto ele agonizava num quarto que ficava bem de frente às escadarias do terceiro andar do Hospital Santa Casa, caiu de joelhos, e com as mãos levantadas em direção aos céus, um homem magro e amarelo que, com voz de eco, gritava:
- Eu não acredito que meu irmão está nesse leito de morte. Eu não acredito!!! Te levanta daí, desce desse leito de morte meu irmão!
Maria reconheceu naquele discurso a voz de seu filho-Outro, Anastácio, que logo após ter tomado conhecimento da gravidade da doença do Ovo, correra para fazer algo, pois nenhum médico o fizera.
- Te levanta agora desse leito de trevas meu irmão. Tu podes, ainda não é chegada tua hora!
A mãe de José e também do Outro, irritada, exigia que o recente profeta desse fim àquele escândalo.
- Enfermeiro, tira esse traste daí!!
Mas esse era um milagre que não podia ser atendido por que Anastácio, agora, rezava em altos brados, arrastando-se de joelhos pelo corredor.
_Vamos meu irmão, reza comigo! Pai nosso que caístes do céu, permanecei no buraco onde estás que nós da terra tomaremos conta do céu...
Os parentes graves que acompanhavam os enfermos não entendiam nada do que ocorria – alguns quase mortos levantavam dos leitos e lamentavam nos ouvidos do profeta a dor por não terem acertado os números da loteria. Outros, menos graves, também não entendiam nada, mas abandonavam os pacientes para, num canto do corredor, se matarem de rir.
O Ovo, indiferente à presença de qualquer entidade salvadora, tomou o último gole de suco de maracujá e morreu enquanto o Outro continuou a profetizar até a retirada do seu corpo do quarto de hospital. Não, não a retirada do Ovo morto, mas do corpo do profeta que ninguém suportava mais.

Eliane Marques


traduceiro


poema da criação



Eras uma partícula que já não se arrastava
e ganhava altura
uma garra que caía em aluvião e recolhia o universo
na caixa de um sonho onde dançavam os espectros
de outras estrelas comprimidas em órbitas mofadas,
um tentáculo que enredava os mundos habitados
para se dizer o vencedor
uma gota de sangue para afogar a esperança
um navio que acumulava o espaço curvado
repleto de parábolas que jamais se tocavam
um fio que se enredava no riso
e desenhava uma palavra para telegrafar à morte.


(Juan-Jacobo Bajarlia, Poema de la Creacion, fragmento, p. 30, Editorial Grupo Cero, Buenos Aires)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

+ poesia

EM LOUVOR DO SILÊNCIO

Nesse coxim acariciante de veludo,
- o olhar extinto, o corpo inerte, o lábio mudo –
longe da luz, longe de mim, longe de tudo,
deito minh’alma que repousa em seu regaço...

E aspiro o aroma do silêncio, longamente,
- papoula rubra que adormenta o meu cansaço –
e sinto o afago do seu beijo muito quente
e a morbideza virginal do seu abraço...

Extrema-unção espiritual de quem padece...
A realidade que se esvai, desaparece,
como num sonho delicioso de morfina...

E a vida ausente, e o coração que fica mudo,
enquanto a alma fatigada se reclina
nesse coxim acariciante de veludo...

(Theodomiro Tostes, Taquari 1903 - Porto Alegre 1986)

confábulas

O sr. Keuner e a morte

O sr. Keuner evitava enterros.

(Bertold Brecht, Histórias do sr. Keuner, Editora 34, São Paulo, 2006)

diário de um psicoanalista

27 de maio de 1977

Todo o mundo, quando o diz o neurótico, são, no máximo, três ou quatro pessoas.

(de Miguel Oscar Menassa, do livro “El Oficio de Morir”, Editorial Biblioteca Nueva)

quarta-feira, 22 de julho de 2009